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Exposição "no presente a vida (é) política"

Central Galeria - bento freitas, 306 vila buarque, são paulo

Exposição "no presente a vida (é) política"

A Central Galeria tem o prazer de apresentar a mostra "No presente, a vida (é) política", com curadoria de Diego Matos com os artistas Bruno Baptistelli, Clarice Lima, Dora Smék, Fernanda Gassen, Fernanda Pessoa, Gabriela Mureb, Gustavo Torrezan, Marília Furman, Paul Setúbal e Rafael Pagatini.

Tendo em vista as emergências do presente e a ideia atual de crise permanente (política, econômica, climática, ambiental, saúde, entre outras), o curador propõe uma atenção do público para as experiências da arte que muito têm a contribuir para o debate atual na busca cotidiana pela reinvenção da esfera pública. Atento ao pensamento contemporâneo de maior radicalidade, no qual estão por exemplo os ensaios críticos de Franco Berardi, Diego Matos seleciona trabalhos que ajudam a recuperar o sentido de coletividade e a reestruturar o corpo social.

 

Também, é importante ressaltar que o projeto acontece na sede da Central Galeria, instalada em parte das dependências do edifício histórico do IAB SP. Como é sabido, essa esquina do centro de São Paulo guarda significativas memórias de um lastro cultural de resistência e inovação da cidade. Por isso, algumas obras selecionadas se relacionam de maneira física e simbólica com o local, outras, por sua vez, ganham potência pelo contexto ou promovem atritos com a história política e cultural que dali emana.

 

A seguir, o curador apresenta algumas questões que nortearam o projeto dessa exposição.

 

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“Ainda numa vida pré-pandêmica, a exposição coletiva No presente, a vida (é) política nasce do desejo de ensejar um debate pela arte que traga a produção artística contemporânea como protagonista dos temas emergenciais da vida democrática como também um dispositivo qualificador no presente das implicações do corpo e do individuo no tecido social coletivo.

 

O trabalho de arte é agente de mudança que batalha pela desautomação da linguagem e dos afetos, podendo nos ajudar a clarear os impasses e até mesmo imaginar novos entendimentos para o futuro. Tal impulso de representação nasce das provocações advindas de reflexões contemporâneas, especialmente da escrita potente do filósofo e escritor, professor e agitador cultural italiano Franco “Bifo” Berardi (1).

 

Em um certo sentido, por meio dos mais variados gestos sensitivos da arte, os 10 artistas aqui reunidos confabulam pesquisas, estratégias, ensaios, enunciados, registros e formas de ações conscientes no presente, refletindo permanentemente na possibilidade de vida politizada, coletiva e libidinosa, que não se deixa findar e que não espera pelo futuro prometido da vida religiosa, da bonança econômica neoliberal e da crença velada nas formas de operar a politica democrática e liberal.

 

Assim, pode ser pelos trabalhos de arte que as ressignificações do presente possibilitem destituir a impotência da crise permanente em que vivemos mergulhados. Se o antropoceno chegou, e a pandemia na qual vivemos pode ser vista como uma exemplificação disso, há de se clamar por alternativas ao trabalho (precarizado e hiperconectado) e ao cotidiano alienado por meio de desafios do pensamento e do fazer artístico. Os mecanismos da arte podem inclusive reavivar conflitos, dissensos e antagonismos necessários à esfera pública, algo pontuado pela cientista politica belga Chantal Mouffe.

 

Como conclama o próprio Berardi em seu manifesto pós-futurista, ao falar de nossa época como um momento posterior ao futuro, nenhuma obra que não expresse a inteligência do possível pode ser uma obra de arte. No meu entender, com consciência histórica, todas as obras reunidas ao longo da galeria se fazem em experiência coletiva nas bifurcações das possibilidades, ideias e sugestões. “

 

(1) Duas publicações do autor foram lançadas recentemente no país pela Ubu Editora: Depois do futuro e Asfixia: capitalismo financeiro e a insurreição da linguagem.

 

Diego Matos

 

Diego Matos (Fortaleza, 1979) é pesquisador, professor e curador. Doutor e mestre pela FAU-USP. Produziu a tese de doutorado “Cildo Meireles – Espaço, Modos de Usar” (FAU USP, 2014). Organizou com Guilherme Wisnik o livro “Cildo: estudos, espaços, tempo” (Ubu Editora, 2017). Em parceria com Julia Rebouças, foi curador da exposição "Entrevendo", uma mostra histórica e antológica de Cildo Meireles (Sesc Pompeia, 2019/2020). Com Priscila Arantes, concebeu a exposição "Estado(s) de Emergência" (Paço das Artes na Oficina Cultural Oswald de Andrade, 2018). Foi também um dos curadores do 20o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (Sesc Pompéia, 2017/2018), tendo exercido na Associação Cultural Videobrasil as funções de coordenador de acervo e pesquisa e curador institucional (2014-2016). Ademais, atua como professor em diversas instituições em São Paulo: Sesc SP, CPF Sesc, Escola da Cidade, entre outras.

 

 

 


serviço:
exposição: no presente a vida (é) política

abertura: 10.10.2020
visitação: 12.10 – 21.11.2020
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bento freitas, 306
vila buarque 01220 000 / são paulo
seg - sex 11-19h / sáb 11-17h
+55 11 930 517 652
[email protected]

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