Exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, de Nino Cais
Exposição
- Nome: Exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, de Nino Cais
- Abertura: 12 de março 2026
- Visitação: até 11 de abril 2026
Local
- Local: Galeria Lume
- Evento Online: Não
- Endereço: R. Gumercindo Saraiva, 54, Jardim Europa – São Paulo, SP
Nino Cais inaugura nova exposição na Galeria Lume e tensiona identidade, imagem e metamorfose
Com abertura em 12 de março, a exposição reúne fotografia, colagem, vestimentas e objetos tridimensionais em um percurso que atravessa mitologia, escultura e a condição liminar da existência.
, artista multifacetado contemporâneo, ganha um novo desdobramento do seu trabalho no dia 12 de março na Galeria Lume, com a abertura da exposição individual “Uma nova Ideia de voo”, com curadoria de Ana Carolina Ralston.
A mostra propõe um mergulho na versatilidade do artista, no qual transita entre fotografia, colagem, vestimenta, escultura e vídeo para tensionar uma questão central em sua trajetória: o que constitui a identidade e como ela se transforma quando suspensa.
Partindo da ideia de que a tragédia emerge do embate entre duas verdades, a exposição evoca narrativas da mitologia grega para pensar o instante de passagem que antecede o renascer. Em diversas obras, rostos são cobertos por livros, embalagens e outros materiais, deslocando o protagonismo da face tradicionalmente associada ao reconhecimento e ao pertencimento e instaurando uma zona de opacidade. Ao velar, Cais interrompe o olhar do outro e sugere a dissolução temporária dos vínculos sociais que estruturam o indivíduo.
O gesto dialoga com o conceito de liminaridade formulado pelo antropólogo Arnold van Gennep, que define o período intermediário dos rituais de passagem como um tempo fértil, instável e transformador. O véu, recorrente nas obras, atua como uma membrana simbólica: cria a opacidade necessária para atravessar a experiência e permitir a reintegração sob uma nova configuração identitária.
No campo formal, o artista amplia a discussão ao subtrair partes de corpos e de estruturas arquitetônicas históricas, explorando a volumetria da imagem impressa. Ao “desbastar” fotografias e livros, Cais transpõe para o papel um procedimento tradicional da escultura, redesenhando o pensamento escultórico em chave expandida. A imagem deixa de ser estritamente bidimensional e se torna tridimensional, ao afirmar a sua própria condição de objeto, uma presença física que por si só, ocupa e existe como forma.
Na sala externa da galeria, em frente a um pequeno jardim, a exposição se desdobra em um ambiente que evoca um viveiro de criaturas em transmutação. O diálogo com Constantin Brancusi emerge especialmente na relação com a série Maiastra, inspirada na ave mítica romena associada à luz e à metamorfose. Assim como em Brancusi a maiastra não representa um pássaro literal, mas a própria ideia de voo, Cais se apropria dessa noção para criar novas formas a partir do tangram jogo de origem chinesa composto por sete peças geométricas.
Fragmentando e recompondo capas de livros antigos, sobretudo de mitologias gregas e egípcias, o artista dá origem a pássaros e seres híbridos que preservam sua identidade material, mas transformam seu sentido conforme a posição e o encaixe. O procedimento também estabelece um diálogo com o pensamento neoconcreto, ao tratar o objeto como experiência sensível e relacional, deslocando-o da condição estática para um campo expandido de significados.
Ao tensionar presença e apagamento, superfície e volume, integridade e ruína, Nino Cais constrói um território de suspensão. Suas obras habitam o intervalo, nem imagem plena, nem fragmento inerte e convidam o público a atravessar esse estado liminar. Entre o gesto de velar e o de revelar, o artista propõe uma reinvenção do olhar: tocar essas presenças em trânsito é, também, aceitar a possibilidade de renascer em uma nova ideia de voo.
Sobre a Galeria Lume
A Galeria Lume foi fundada em 2011 com a proposta de fomentar o desenvolvimento de processos criativos contemporâneos ao lado de seus artistas e curadores convidados.
Dirigida por Paulo Kassab Jr. e Victoria Zuffo, a Lume se dedica a romper fronteiras entre diferentes disciplinas e linguagens, através de um modelo único e audacioso que reforça o papel de São Paulo como um hub cultural e cidade em franca efervescência criativa. A galeria representa um seleto grupo de artistas estabelecidos e emergentes, dedicado à introdução da arte em todas as suas mídias, voltados para a audiência nacional e internacional, através de um programa de exposições plural e associado a idéias que inspiram e impulsionam a discussão do espírito de época. Foca-se também no diálogo entre a produção de seus artistas e instituições, museus e coleções de relevância.
Sobre Nino Cais
Nino Cais possui, possivelmente, uma das mais variadas produções da arte contemporânea brasileira, não só em termos de materiais, - de fotografias, desenhos e colagens a esculturas, vídeos e vestimentas - mas também por sua ampla abrangência de discursos poéticos e narrativos. Cria um universo intermediário entre o mundo cotidiano, que fornece a matéria-prima para as obras, e um ambiente fantasioso, com raízes ficcionais baseadas na literatura, no teatro e nas artes plásticas. Nino Cais corta, cola, costura, desenha, está dentro e fora da obra, é personagem e autor.
Serviço
Abertura: Dia 12 de março
Horário: 18h às 21h
Endereço: Galeria Lume - R. Gumercindo Saraiva, 54 - Jardim Europa
Exposição em cartaz de 12.03 à 11.04