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Empena na Quarentena


Empena na Quarentena

Lona Galeria organiza mostra de vídeo projeções nas Empenas da Barra Funda durante a quarentena.

 

Empena na Quarentena consiste em um projeto apresentado pela Lona Galeria em que artistas foram convidados a pensar e produzir trabalhos tomando como partida e ponto de reflexão o isolamento social, serão projetados em uma empena cega na região da barra funda, próxima a sede da galeria e em uma mostra virtual.

Na primeira edição participarão: Caique Poi, Clara de Cápua, Gabriel Pessoto e Thais Stoklos

 

Projeção Rua Lopes Chaves

26, 27 e 28 de maio de 2020 às 21h

Lona Galeria

R. Brigadeiro Galvão, 990 – Barra Funda

Cel.     011 99403 0023 

www.lonagaleria.com

 

 

Empena na Quarentena

 

Sobram na cidade empenas vazias, tristes e carregadas com camadas de tinta descascadas. O olhar comercial dos síndicos voltou a transformar laterais dos prédios em local de negócios, e para se pintar um painel agora é preciso pagar um aluguel do local. Prática que não condiz com a expressão artística.

A projeção de imagens vem quebrar esse vício, já que normalmente o síndico nem fica sabendo dessa ação, que normalmente acontece no horário da novela.

A quarentena fez voltar o saudável costume de olhar pela janela. Não um olhar descuidado e rápido, mas demorado, analítico e curioso. De janela para janela, para rua, para o céu e até para os serviços invisíveis: lixeiros, catadores, manutenção da redes e serviços municipais.

Ficar aquartelado não é uma novidade para alguns artistas, já que a produção artística normalmente requer um certo isolamento e concentração. Mas uma quarentena propõe reflexões sobre nosso modo de vida, desde coisas mais simples como ir na esquina tomar um café ou passear com o cachorro. Agora sair na rua virou uma transgressão e os outros passantes te olham com olhos inquisidores ou cumplices.

Os artistas convidados para esta primeira edição do projeto Empena na Quarentena trabalharam sob um olhar de restrição, contido em um limite imposto por um vírus devastador. Mas o universo virtual mostrou-se mais uma vez o caminho da expressão artística. O limite da retângulo das empenas mostra-se gigantesco e contestador. 

 

Caique Poi em um vídeo de 2 minutos, em pb, elabora um pensamento sobre a contemplação da natureza e da ruína. Uma intersecção entre caos e harmonia.

 

Clara de Cápua através da múltipla replicação de uma mesma figura, tenta falar do isolamento que nos coloca frente à própria companhia. Para além dessa tensão, procura abordar também a questão da espera – não há nada a fazer a não ser esperar o tempo passar.

 

Gabriel Pessoto examinou o distanciamento social e a desaceleração de trocas/consumo de estímulos que o levaram a um processo de revisão e retorno a referências da infância e da adolescência guardadas na memória. São espaços de conforto e de primeiras formulações individuais. O vídeo é composto por uma colagem de imagens coletadas ou capturadas por dispositivos móveis que ficaram armazenadas sem uso.

O decorativo é abordado enquanto solução estética para organização de imagens e memórias. No caso, um padrão de crochê é utilizado como base para a criação de uma trama de fragmentos afetivos e imagens fugazes esquecidas dentro da memória do celular.

 

Thais Stoklos trata das parcerias, afinal as mais próximas são as duas mãos. É uma repetição incansável, uma atitude violenta. As parceiras que nos colocam em risco, num abraço, surge um gesto livre que caminha, da filha, e assim, com o tempo vai marcando o corpo do outro, sua mãe, que o tem inteira e presente.

 

 

 

 

Bios

 

Caique Poi

Paulistano, formado em Produção Audiovisual. Iniciou sua trajetória com edições de vídeos em 2013. Neste mesmo período conheceu a Glitch Art e começou a produzir diversos trabalhos. Desde então, vêm produzindo e catalogando resultados e possibilidades nesta estética. Esta pesquisa se transformou em um projeto de oficinas de Glitch Art que visa, como objetivo principal descentralizar a arte digital.

É membro fundador do coletivo NVVE MVE, coletivo de artes digitais, que atua como galeria online e também oferece serviços criativos.

Através da arte digital e da videoarte, consegue "materializar" conceitos, sentimentos e seu olhar sobre a vida. Usa métodos não convencionais para a criação de suas obras, por exemplo o ERRO, quase sempre presente em seus trabalhos. Sempre pesquisa novos processos de criação. Subverte, explora e ignora os limites do vídeo e da imagem.

 

 

 

Clara de Cápua

Clara de Cápua é artista e seu trabalho se desenvolve entre as artes da cena e as artes visuais. Graduada em Artes Cênicas (2006) e Mestre em Artes (2010) pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), estudou a imagem como um suporte para o trabalho e para a reflexão do ator, com o apoio financeiro da FAPESP (Brasil). Em 2019, foi artista residente no Skammdegi AiR (Ólafsfjörður, Islândia), expondo no Skammdegi Festival. Ainda em 2019, participou da mostra internacional de videoarte Teerã-São Paulo, exibindo na Lona Galeria (São Paulo) e na galeria Platform 3 (Teerã, Irã), e foi artista selecionada para compor a III Mostra Diversa, organizada pelo Museu da Diversidade Sexual (São Paulo, Brasil). Em 2018, colaborou com a exposição coletiva AI5: Ainda não terminou de acabar, no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo). Em 2017, integrou a residência artística Brashnar Creative Project (Escópia, Macedônia) e participou da exposição coletiva Our Small Global Neighborhood, no Cultural Center Gjorce Petrov, na Macedônia. Como atriz, atuou no longa-metragem As Boas Maneiras (Brasil, 2017) e foi integrante da MiniCia Teatro, atuando nos espetáculos Acusação a uma atriz, do qual também é co-autora, e Melhor não incomodá-la.

 

 

Gabriel Pessoto

Gabriel Pessoto nasceu em 1993 em Jundiaí. Em 2000, mudou-se para Porto Alegre onde estudou Produção Audiovisual (PUCRS) e iniciou o curso de Artes Visuais (UFRGS). A partir de 2015, passou a expor trabalhos em exposições coletivas e foi contemplado pelo edital da prefeitura de Porto Alegre para ocupar Galeria Lunara, onde montou a instalação "Glória" em parceria com Filipe Rossato, indicada ao Prêmio Açorianos de Artes Visuais na categoria Destaque em Novas Mídias. Em 2016, apresentou a exposição "Trégua", primeira experiência individual e desenvolveu o projeto de residência artística "Variações sôbre contato: vistas" na Casa13, espaço cultural em Córdoba, Argentina. Em 2017, passou a viver São Paulo, onde frequenta o grupo de acompanhamento de projetos artísticos Hermes Artes Visuais. Em 2018 realizou sua primeira expo.

 

Thais Stoklos

O trabalho de Thais Stoklos se dá a partir de diversos materiais extraídos do cotidiano da artista: linhas, papéis, galhos, tecidos, vidros e pedras são combinados, resultando em novas formas de se observar a construção de uma paisagem, a fim de criar um diálogo entre o natural e o artificial. 

A partir destes materiais, a artista explora efeitos de luz, sombra, cor e volume, que são criados a partir dos mesmos. Perenizando a importância do sutil, entre a fugacidade do contemporâneo, os novos arranjos criados pela artista fogem da utilidade original, criando um desenho à parte, relacionado com seu tempo e espaço. 

A partir de fotografias e vídeos, ela explora as escalas dos volumes que ocupamos, os traços que de que somos feitos, e os gestos que podemos compor com nossos corpos sendo habitados. 

 

 

Lona Galeria

R. Brigadeiro Galvão, 990 – Barra Funda

Quarta a Sábado das 13 às 17h

www.lonagaleria.com