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M•A•P•A•


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VIVA Projects apresenta o 2o. Ciclo do M.A.P.A. (Modos de Ação para Propagar Arte) com curadoria de Patricia Wagner agora em mais 7 capitais do Brasil. Ao todo, 27 artistas convidados ocupam 27 outdoors nas principais capitais do País. Em Goiânia, o diretor de cinema e artista visual Karim Aïnouz celebra a vida do líder indígena Aritana Yawalapiti, em Belo Horizonte a artista Lenora de Barros apresenta um poema visual a partir da palavra Silêncio, em João Pessoa a artista Romy Pcztaruck exibe uma imagem que se vale de signos e símbolos de uma suposta brasilidade, aludindo às estratégias ufanistas de construção de um sentimento patriótico nos anos de chumbo da ditadura militar.  Em FortalezaDalton Paula apresenta um trabalho em que articula metáforas sobre as nossas possibilidades e escolhas diante dos nossos recursos naturais e principalmente da nossa capacidade de enxergá-los como vetores de cura para diversos males. Em São Luís, a imagem do artista Paulo Nazareth parte de sua experiência como viajante que recolhe elementos iconográficos que revelam comportamentos socioculturais. Vitor César, em Belém, expõe um trabalho relacionado à sua pesquisa sobre a influência cada vez maior da cultura visual de dados na construção de discursos públicos. E finalmente em Manaus, a artista Gê Viana, constrói, a partir de sua prática de manipulação de arquivos visuais uma composição que evoca tanto sua ancestralidade afro-indígena quanto questões relacionadas à normatividade de gênero e sexualidade. 

 

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Um dos impulsionadores para a criação da VIVA Projects, foi uma vontade nossa de criar meios de acesso a arte. Parte de nossos projetos foram pensados para inserir a arte em objetos cotidianos, estimulando diálogos e novos conteúdos culturais, tornando possível que ela penetre a vida das pessoas de maneiras diferentes. 

 

Porém em 2019 sentimos necessidade de extrapolar o ambiente doméstico no qual estes objetos eram inseridos e pensá-los para uma escala pública. Iniciamos um projeto de arte para o espaço público ao final do ano passado, o qual, como muitos outros projetos, foi paralisado devido a pandemia que nos acometeu. 

 

No entanto, pensar arte para o espaço público não poderia ser mais urgente e adequado ao momento. Pensar na ‘continuidade entre a forma erudita de arte e os eventos diários, ações e sofrimentos que são universalmente reconhecidos para constituir experiência’*, conforme descreveu o filósofo John Dewey em seu Arte como Experiência.

 

Muitas questões acerca das nossas responsabilidades civis são discutidas por meio da arte, mas muitas vezes em ambientes de acesso restrito, seja por questões geográficas, alcance intelectual ou poderio econômico. No espaço público a comunicação entre artista e espectador se dá de maneira mais livre e menos hierárquica.

 

Acreditamos que a arte seja um bem essencial para a humanidade, assim como a forma mais eficaz de comunicação. Em um momento em que a pandemia se alastra pelo Brasil, tirando milhares de vidas e evidenciando as disparidades sociais, nos pareceu urgente que artistas respondessem a este momento. 

 

O outdoor como suporte para arte já foi usado por artistas como Felix González-Torres, Paulo Bruscky, Alfredo Jaar, assim como Hank Willis Thomas, em seu recente projeto For Freedoms, o qual serviu de grande inspiração para nós. Esta carga histórica dentro da arte, assim como a possibilidade de subverter o uso do espaço de publicidade, na maioria das vezes usados por grandes corporações, partidos políticos e governo; nos pareceu oportuno e necessário.

 

Também era eminente a nós que em um momento de grande polarização e distopia no país, o projeto tivesse um alcance nacional, tanto por meio da instalação dos outdoors em todas as capitais, como por meio da escolha dos artistas. 

 

Nesta primeira edição de M.A.P.A. – Modos de Ação para Propagar Arte- iremos reivindicar o uso do espaço de propaganda para o que ele de fato deveria existir, propagar (e não manipular) mensagens cívicas, políticas e poéticas.