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Exposição "Muntadas (…)"


Exposição "Muntadas  (…)"

Muntadas

(…)

exposição individual
04 de agosto — 26 de setembro, 2020

Nona exposição de Muntadas na Galeria Luisa Strina, (…) reúne dois grupos de obras que o artista catalão nunca mostrou no Brasil: Palabras, Palabras… (2017) e Cercas (2008).

Palabras… é um projeto diretamente vinculado a propostas anteriores do artista, como as séries On Translation, Asian Protocols ou La Construcción del Miedo. Ao longo de sua trajetória, Muntadas vem apontando o invisível midiático que, a partir de macro ou microestruturas, nos afeta sem que estejamos cientes de sua existência, como um “pesquisador da paisagem midiática dedicado a estabelecer relações entre coisas que permaneceram escondidas ou silenciosas” (Fernández-Cañadas, 2017). Atualmente, o uso e abuso de certos termos levam a uma degradação de seu valor social. Palavras… propõe uma reflexão sobre a linguagem por meio da transformação de termos selecionados em imagens. O procedimento refere-se a decisões ontológicas, semiológicas, tipográficas e de tradução, apresentando uma decomposição visual do processo de perda de significado.

Cercas (2008) faz parte originalmente do projeto La Construcción del Miedo e particularmente do projeto para São Paulo: Alphaville e Outros. Sobre a arquitetura do medo, Muntadas escreve: Cercas, arame farpado, barras, paredes, câmeras, alarmes, circuitos fechados, radares, cães, guardas de segurança, sistemas eletrônicos… fazem parte dos dispositivos com os quais a suposta segurança, vigilância e proteção atua nos novos espaços, privados e público. As transparências das paredes, cortinas e fachadas de vidro são falsos sinais de uma arquitetura controlada, em que os espaços públicos e privados são dominados por sentimentos psicológicos de insegurança, paranoia e medo.

Não devemos esquecer que uma das indústrias mais prósperas é a de segurança e vigilância, finalmente uma subsidiária da indústria militar. Como o design e a projeção de prisões, está no início das listas de maior desenvolvimento na construção. As cidades romanas e medievais construíram seus muros por várias razões, principalmente militares, para preservar os territórios e o poder, sob a suposta proteção de seus súditos. A configuração das cidades foi definida e desenvolvida com urbanismos que ampliam o centro e criam periferias, mas, ao mesmo tempo, essas periferias criam paradoxos entre público e privado, entre os mais ricos e os mais pobres. O subúrbio, palavra de origem latina e conceito anglo-saxão, é desigualmente traduzido em diferentes contextos. Aumenta a segurança como realidade e paranoia e transforma comunidades fechadas (condomínios fechados…) em novos redutos, onde o setor de segurança e vigilância encontra um território de desenvolvimento apropriado.

A série Cercas é constituída por 12 fotografias de fachadas hiper-controladas, que Muntadas registrou em São Paulo. Já Palabras… será apresentada como plotagem direta na parede e como álbum de impressões.

SOBRE O ARTISTA

Antoni Muntadas é formado em arquitetura pela Universidade de Barcelona e em artes gráficas pelo Pratt Graphics Center, Nova York. O artista aborda questões sociais, políticas e de comunicação, tais como a relação entre espaço público e privado em diferentes contextos sociais, e investiga os meios de informação e as formas como podem ser usados para censurar ou promulgar ideias. Seus projetos são apresentados em diferentes suportes, como fotografia, vídeo, publicações, instalações e intervenções urbanas.

Exposições individuais recentes incluem: Muntadas: Interconnessioni, MAMbo, Bologna, Itália (2020); Elkarrekiko loturak, interconexiones, interconnessioni, Artium, Vitoria, Espanha (2019); Asian Protocols: China, Three Shadows Photography Art Centre, Pequim, China (2018); Dérive Veneziane, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2017); …baixa a bola!, Galeria Luisa Strina, São Paulo Brasil (2014); Muntadas: Entre/Between, Vancouver Art Gallery, Vancouver, Canada (2013); Antoni Muntadas: About Academia, SFU Woodward’s Cultural Programs, Goldcorp Centre for the Arts, Vancouver, BC, Canada (2013); Entre/Between, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal (2012); Eleven, Kent Fine Art, Nova York, EUA (2012).

Exposicões coletivas recentes incluem: Ficção e Fabricação. Fotografia de Arquitetura após a Revolução Digital, MAAT Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, Lisboa, Portugal (2019); Tiempos convulsos. Historias y microhistorias, IVAM Institut Valencià d’Art Modern, Valência, Espanha (2019); Before Projection: Video Sculpture 1975-1995, Sculpture Center, Long Island, EUA (2018); Dérive Veneziane, 72. Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica, Palazzo del Casinò, Veneza, Itália (2015); The Illusion of Light, Palazzo Grassi, Veneza (2014); Fútbol: The Beautiful Game, LACMA, Los Angeles (2014); Revisiting Histories, Kent Fine Art, Nova York (2014); Stadium, Arc en Rêve Centre d’Architecture, Bordeaux, França (2013); La metodología del proyecto, MUSAC, León (2012); La Triennale, Intense Proximity, Paris, França (2012); Free Circulation: Works from Serralves Foundatio’s Collection, Instituto dos Museus e da Conservação, Lisboa (2012).