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Exposição "Enquanto"

Instituto Casa Roberto Marinho Rua Cosme Velho, 1105 - Rio de Janeiro

Exposição "Enquanto"

ENQUANTO

 

Com curadoria de Lauro Cavalcanti, mostra reúne obras produzidas por Carlos Vergara, Luiz Aquila e Roberto Magalhães durante a quarentena

 

 

No dia 3 de outubro de 2020, sábado, a partir do meio-dia, a Casa Roberto Marinho vai inaugurar a exposição “Enquanto”, que reúne a produção inédita de três artistas consagrados realizada durante o período de quarentena: Carlos Vergara, Luiz Aquila e Roberto Magalhães. Com curadoria de Lauro Cavalcanti, a mostra exibirá 50 obras de vertentes variadas (pintura, desenho, fotografia, colagem e livro) no térreo do instituto.

 

O espaço expositivo inclui vídeos curtos, editados pela equipe da Casa, acerca da produção de cada artista e do dia a dia no ateliê, durante o isolamento social. As imagens surgem da série “Conversas da Casa”, um importante acervo de 27 entrevistas com artistas, críticos, curadores, galeristas e historiadores realizadas por Lauro Cavalcanti. O conjunto de depoimentos de expoentes como Beatriz Milhazes, Angelo Venosa, Anna Bella Geiger, Regina Silveira, Maria Bonomi e Raul Mourão - além de críticos, professores e curadores, como Paulo Sergio Duarte, Paulo Venancio Filho e Felipe Chaimovich - integra o catálogo da “Enquanto”. A mostra oferece, ainda, um espaço interativo exclusivamente dedicado a estas entrevistas, com tecnologia QR Code (o conteúdo também pode ser acessado através do site do instituto).

 

Cavalcanti comenta que organizar um acervo de entrevistas esteve sempre entre os projetos da Casa Roberto Marinho: “A memória oral constitui um precioso documento que revela trajetórias e afinidades entre artistas. Esses relatos, colhidos entre março e junho de 2020, permitem-nos entrever o processo criativo de cada um que, de outro modo, teria sido deixado no abrigo dos ateliês. Inevitavelmente, em algum ponto das conversas, surgia o assunto da tragédia pandêmica. Os depoimentos registram essa época ainda vivida, infelizmente, e mostram como a arte nos ajuda a sobreviver melhor”.

 

“Enquanto” celebra a reabertura da Casa, ocorrida no último dia 5 de setembro, após cinco meses de fechamento em decorrência da pandemia de Covid-19. Este período inicial de retomada das atividades serviu como um teste do protocolo sanitário adotado pelo instituto. Aprovados por funcionários e visitantes, os procedimentos incluem uso obrigatório de máscara, totens de álcool 70%, distanciamento orientado e acesso restrito de público à área expositiva.

 

De acordo com as Regras de Ouro da Prefeitura do Rio, a bilheteria do instituto segue fechada. Para visitá-lo é necessário fazer o agendamento on-line através do site (http://www.casarobertomarinho.org.br).

 

Carlos Vergara - Prospectiva e Quarentena

 

Viajante convicto, Vergara busca mundo afora vestígios de diferentes tempos e espaços. Em 2019, visitou a gruta mística de Sainte-Baume, no sul da França, onde morreu Maria Madalena, a apóstola de Cristo. Diante da recente impossibilidade de sair de casa, o artista gaúcho conta que cumpre serenamente a quarentena, mas tem roteiros na gaveta à espera de serem percorridos: “Quero visitar o Oráculo de Delfos, na Grécia”.

 

Durante o período de isolamento, Vergara montou um pequeno ateliê em seu quarto onde criou a série Quarentena, presente na mostra “Enquanto”. São envelopes com colagens, aquarelas e desenhos iniciados por ele, que convida outros artistas a completarem a obra: “Foi a forma poética que encontrei de conversar à distância com amigos, estabelecendo um contato produtivo”, comenta. Entre os convidados estão Adriana Varejão, Waltercio Caldas, Iole de Freitas, Leda Catunda, Jose Bechara, Raul Mourão, Daisy Xavier, Barrão, Jac Leirner, Cabelo e Jose Resende.

 

Também integram a exposição as monotipias e pinturas da série Prospectiva (que teve início em 2019), criadas esse ano, a partir de pigmentos naturais trazidos de lugares tão díspares, que vão de Minas Gerais à Turquia. “Uso um pigmento púrpura vindo do Marrocos, extraído de um caramujo, muito usado no século XVII para tingir as roupas dos nobres”, revela. As obras, de notável força plástica, registram o entorno do ateliê em Santa Teresa, que o artista segue frequentando três vezes por semana.

 

 

Luiz Aquila – Pasteis, trabalhos sobre tela e sanfona

 

Aquila conta que não alterou tanto a rotina: seu ateliê fica em casa, no centro histórico de Petrópolis, com todos os materiais ao alcance das mãos. Passado o choque inicial da pandemia, o artista tirou partido do ócio propiciado pela quarentena e, sem as dispersões de um cotidiano externo, tornou-se mais concentrado. “Diante do limite psicológico imposto pelo isolamento, senti vontade de hibernar. Experimentei um tempo mais lento, mas logo depois comecei a desenhar e segui bastante produtivo”, relata.

 

Foi um incidente cotidiano, durante um café da manhã, que imprimiu ritmo à quarentena do artista. Sua caneca preferida – “muito bonita, meio bojuda e maternal” – quebrou. Num gesto de lamento, Aquila pôs-se a olhá-la e viu beleza nos cacos de cerâmica. Reuniu todos sobre um papel, jogou café por cima, fotografou e imprimiu. A experimentação resultou em 16 trabalhos interferidos com pastel colorido. “Terminando essa série, que funcionou como um aquecimento pra mim, voltei a pintar sobre telas grandes”, comenta.

 

A curadoria reúne também três pinturas, pasteis com colagens, desenhos sobre páginas do livro Luiz Aquila: Quase Tudo - A Never Ending Tour e um curioso caderno sanfonado com pastel, bico de pena e colagem. “Apesar da tragédia sanitária e política que vivemos, consegui estabelecer um ambiente muito favorável à criação e a imaginação voou alto”, conclui o artista carioca.

 

 

Roberto Magalhães – Guaches e universo onírico

 

Roberto Magalhães, pioneiro da Nova Figuração brasileira, celebrou seus 80 anos no último dia 29 de março, início do período de quarentena no país. Em Visconde de Mauá, onde vive e trabalha, o artista realizou uma série inédita de guaches que exploram elementos emblemáticos de sua obra, atravessada pelo humor, com aproximações surrealistas.

 

Vê-se que o mergulho propiciado pelo período de isolamento acentuou as pesquisas de cor e forma, reforçando o imaginário deste artista carioca habituado a friccionar os limites da razão. O universo onírico, o despojamento infantil e o realismo fantástico, marcas da poética de Magalhães, estão presentes em trabalhos como ‘Formas Flutuantes’ e ‘Sonho’. Além de 13 guaches, a mostra “Enquanto” inclui o desenho a nanquim ‘Introspecção na Quarentena’.

 

Lauro Cavalcanti comenta que selecionou os três grandes artistas “como exemplos da transcendência, da necessidade básica e importância da arte para nos ajudar a entender e superar tempos tão difíceis”. E completa: “A leitura, o fazer artístico e a solidariedade reencontram-se mais fortes nesta mostra de reabertura da Casa Roberto Marinho”. 

 

 

Serviço:

 

ENQUANTO

Curadoria: Lauro Cavalcanti

 

Abertura pública: sábado, 03 de outubro de 2020, às 12h

Encerramento: 31 de janeiro de 2021

 

Instituto Casa Roberto Marinho

Rua Cosme Velho, 1105 - Rio de Janeiro

Tel: (21) 3298-9449

 

Visitação: terça a domingo, das 12h às 18h (entrada até às 17h15)

(Aos sábados, domingos e feriados, a Casa Roberto Marinho abre a área verde e a cafeteria a partir das 9h.)

 

Ingressos: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia entrada)

Às quartas-feiras, a entrada é franca.

Aos domingos, “ingresso família” a R$ 10 para grupos de quatro pessoas.

A CRM respeita todas as gratuidades previstas por lei

 

Link para ingressos (o agendamento prévio é obrigatório):

http://www.casarobertomarinho.org.br

 

Conversas da Casa: https://www.youtube.com/c/CasaRobertoMarinho

 

Estacionamento gratuito para visitantes, em frente ao local, com capacidade para 30 carros.

 

A Casa Roberto Marinho é acessível a portadores de deficiências físicas.