Exposição "Da pele ao pó"

Galeria de Arte Mamute - Rua Caldas Júnior, 375 e 377 , Centro Histórico, Porto Alegre 

Exposição "Da pele ao pó"

GALERIA DE ARTE MAMUTE ABRE SUAS PORTAS
COM EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DO JOVEM ARTISTA GAÚCHO WAGNER COSTA


Nos dias 05 e 12 de dezembro, das 10h às 18h, a Galeria de Arte Mamute abre suas portas ao público para apresentar a exposição Da pele ao pó, primeira individual do artista Wagner Costa na Mamute. Com a curadoria de Henrique Menezes, a mostra marca a representação do artista, e traz à público um conjunto de obras inéditas - pinturas, gravuras, livros de artista e vídeo-projeção - criadas especialmente para sua exposição na galeria.

Em Da pele ao pó, o artista nos leva a um mergulho em seu universo criativo. Na entrada da mostra, somos absorvidos pela grande vídeo-projeção “Passagem”, que se estende sobre o hall e escadarias, composta de sons e imagens oriundas de seu processo de trabalho no atelier. Antecedendo a sala principal, nos deparamos com “Aceno”, gravuras dispostas perpendicularmente lado a lado, com fragmentos do corpo do artista. Na sequencia, nosso eixo visual é conduzido para “Pó”, obra com contornos corporais posicionados próximo ao chão. Em outro ponto, vemos as gravuras cegas da série Ausência, com relevos escultóricos. Adiante “Corpo”, quatro grandes pinturas a seco em escala humana, à pastel e carvão, retratando a relação direta do corpo do artista no embate com a superfície do papel.

A seguir, retorna à série Pele, com “Flor da pele”, fragmentos corporais em tons carnosos, expostos em lâminas de vidro. Da porta de entrada de uma pequena sala, “Torrente”, video-projeção que se espalha sobre o teto aparente, revelando memórias de partículas de pó que pairam por instantes no ar e se depositam no solo. Em local oposto a este, em uma sala plena de luz, sob uma grande plataforma de mármore estão “Pele” e “Pó”, livros de artista com capa de mármore e interior em gravuras, os quais podemos tocar e manusear, momento especial de interação com a materialidade da poética Da pele ao pó.

Da pele ao pó

 

 

Dentre todos os mitos romanos, talvez o mais singelo e pungente seja aquele que reconta o nascimento da pintura. A lenda, narrada por Plínio, remete a uma jovem dama coríntia que traçou na parede o contorno da sombra de seu amante antes de ele partir para a guerra: no ambiente escuro, a luz de uma lamparina fez projetar a silhueta daquele rosto masculino, eternizado pela linha imprecisa.

 

Seja pela dramaticidade evocada ou pela técnica empregada, a lenda de Plínio mostra-se uma metáfora fértil para adentrarmos a produção de Wagner Costa: entre pinturas e gravuras, vídeos e instalações, o artista parte de exercícios de autorrepresentação para alcançar expressões visuais de fragmentação e destruição. A exposição Da pele ao pó — primeira individual do artista na Galeria Mamute — começou a ser concebida em 2018 durante uma temporada de estudos na Academia de Arte Clássica de Florença (Itália) e intensificou-se nos últimos dois anos no Atelier de Gravura da Fundação Iberê Camargo, onde Wagner concebeu obras na prensa que pertenceu ao mestre gaúcho.

 

Entre o disforme e o aforme, as quatro grandes pinturas presentes na exposição resultam da relação direta do corpo do artista com a superfície branca: Wagner performa diante do papel e registra com carvão e pastel seus movimentos sobrepostos. Cada posição capturada é índice de sua presença naquele passado, a memória do gesto vai sendo sedimentada e o acúmulo de camadas remete sempre à encenação primeira — solitária, ritualística. Nesta série de obras, o movimento não é apenas sugestão, insinuação ou representação: a coreografia transmuta-se em pintura, e o resultado é uma soma quase abstrata de faturas.

 

Da pele ao pó reflete sobre o efêmero: um dos pontos de partida da mostra foram as esculturas de Antonio Canova, produzidas no século XIX e arruinadas durante a 1ª Grande Guerra. A harmonia apolínea dos personagens em gesso foi desfigurada pelas bombas, a perfeição neoclássica deu lugar a figuras grotescas — uma mimese dos corpos dilacerados pela tragédia. Na série Ausência, Wagner faz uso da prensa para criar relevos a partir de suas próprias silhuetas recortadas na matriz: essas gravuras cegas ganham um caráter quase-escultórico, onde a incidência da luz altera a experiência da recepção — ora veem-se corpos, ora veem-se chamas.

 

As obras de Wagner Costa parecem mostrar-se em câmera lenta, conjugando sombras e frames, fragmentos e silhuetas. Avançar lentamente é uma forma poética de voltar-se para o eu, com a inegável certeza de que estamos, agora, em algum ponto do percurso que nos leva da pele ao pó: como tentativa de frear esse embate, a imagem marca a ausência com uma presença.

 

Henrique Menezes

 

SERVIÇO

DA PELE AO PÓ

Artista: Wagner Costa

Curadoria: Henrique Menezes

Abertura: 5 e 12 de dezembro, das 10h às 18h (mediante agendamento RSVP)

RSVP: Roberta - 99955.0881

 

Visitação: Até 5 de março de 2021.

Por medidas de segurança, devido à pandemia, a entrada é controlada.

 

Contatos para visitação à exposição após a abertura:

51 98125.0708 / 51 98340.4609 / 51 99916.8818

 

Local: Galeria de Arte Mamute.

Rua Caldas Júnior, 375 e 377 | Centro Histórico  |  Porto Alegre  |  Brasil

 

Formas de Pagamento Artsoul

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