Exposição individual "Profanações", de Pablo Lobato
Exposição

Exposição individual "Profanações", de Pablo Lobato

Exposição

  • Nome: Exposição individual "Profanações", de Pablo Lobato
  • Abertura: 18 de março 2026
  • Visitação: até 24 de maio 2026

Local

  • Local: Instituto Tomie Ohtake
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Av. Faria Lima, 201, Pinheiros – São Paulo, SP

Instituto Tomie Ohtake recebe Profanações, obra inédita e exposição homônima de Pablo Lobato


Articulando imagem, som e arquitetura, a videoinstalação reúne três filmes do artista que têm em comum a presença de práticas e rituais religiosos



O Ministério da Cultura, o Nubank, a Claroescuro Studio e o Instituto Tomie Ohtake apresentam, de 18 de março a 24 de maio de 2026, Profanações, obra inédita e exposição homônima de Pablo Lobato, com texto curatorial assinado por Moacir dos Anjos. Concebida como uma videoinstalação, a mostra individual reúne três filmes do artista realizados entre 2011 e 2015 – Bronze revirado, Folia e Corda – apresentados em conjunto como uma única obra que articula imagem, som e arquitetura. A exposição acontece paralelamente às mostras Existe uma vida inteira que tu não conhece, do artista carioca Allan Weber, e Etcétera, que revisita os 50 anos de carreira do arquiteto Isay Weinfeld.


Exposta em uma das salas do grande hall do Instituto, Profanações começa antes mesmo das projeções. Para entrar, o público é convidado a retirar os sapatos e atravessar um corredor e uma antessala que funcionam como zona de transição. O percurso, marcado por penumbra, curvas, variações de luz e estímulos táteis, desacelera o corpo e prepara a percepção para a experiência que se constrói no interior da sala.


No espaço principal, três projeções se alternam continuamente. Mais do que a exibição sucessiva de vídeos, configura-se um ambiente imersivo no qual imagem e som estabelecem um campo compartilhado de duração. A alternância das projeções, assim como a articulação sonora entre elas, cria um fluxo contínuo no qual pausas, repetições e variações tornam-se elementos estruturais. O visitante é convidado a ajustar seu próprio tempo de permanência, estabelecendo uma relação ativa com o que vê e escuta.


Os três trabalhos que compõem Profanações foram realizados em contextos distintos e têm em comum a presença de práticas e rituais religiosos. O filme mais antigo é Bronze revirado (2011), no qual o artista apresenta a imagem vertical do campanário de uma igreja barroca em São João del-Rei, em Minas Gerais, e do sino ali abrigado. Ao transformar um rito religioso em jogo ou ato lúdico, os movimentos dos corpos de jovens mestres tocadores que estão em cena põem em crise a associação exclusiva do toque do sino à esfera do sagrado colonial.


Já em Folia (2012/2015), segundo filme que compõe a mostra, Pablo Lobato registra e edita cenas da Folia de Reis em Bom Despacho, também em Minas Gerais. A festa pertence ao calendário religioso católico e celebra, por meio de encenações, músicas e cantos, a jornada dos Três Reis Magos para dar as boas-vindas ao Menino Jesus. Por fim, a exposição se completa com o trabalho intitulado Corda (2014), filmado em Belém, no Pará, durante uma das maiores festas religiosas do Brasil: o Círio de Nazaré. O nome do trabalho remete à extensa corda de sisal – cerca de oitocentos metros – estendida em forma de rosário ao longo da procissão liderada pela berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora.


“Sem subtrair dos três filmes sua integridade ou autonomia, Profanações os reconfigura a partir de um território concebido para acolhê-los e, assim, transformá-los em partes de uma obra distinta. Um trabalho que evidencia como, em situações diversas, borram-se os limites entre o religioso e o mundano. Trata-se de um ambiente poroso, de onde brotam, em gestos e vozes de tantas gentes, memórias das violências, resistências e crenças que marcaram – e ainda marcam – a história do Brasil”, afirma Moacir dos Anjos no texto curatorial.


“Eu não me oriento por temas ao realizar meus trabalhos. Bronze revirado, Folia e Corda foram feitos em momentos distintos e em contextos bastante diferentes. Em cada um deles eu estava diante de práticas e rituais religiosos, mas não havia, da minha parte, a intenção de tratar o religioso como um eixo comum. Foi o Moacir dos Anjos quem primeiro propôs aproximar essas três obras e, a partir dessa leitura, tornou-se mais evidente que elas tocam o religioso justamente no ponto em que algo se desloca”, afirma Pablo Lobato.


A exposição Profanações é uma realização do Ministério da Cultura, da Claroescuro e do Instituto Tomie Ohtake, por meio da Lei Rouanet. Conta com o apoio do Nubank, mantenedor institucional do Instituto Tomie Ohtake, e com o patrocínio das empresas Supermix e MR Mineração, além do apoio da Luciana Brito Galeria.


Sobre o artista

A pesquisa de Pablo Lobato (1976, Bom Despacho, MG) não se restringe a uma única linguagem ou meio e se desenvolve de forma colaborativa, em relação a cada material, situação ou contexto. Lobato vive e trabalha em Nova Lima (MG). Graduado pela Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, especializou-se em cinema (PUC Minas/UFMG) e estudou fotografia na Escola Guignard – UEMG. Foi um dos criadores da Teia – Centro de Pesquisa Audiovisual, em Belo Horizonte.


Seus filmes foram exibidos em festivais como Locarno, Sundance, Guadalajara, Oberhausen e Havana. Dirigiu o longa Acidente (2006), premiado como Melhor Documentário Ibero-Americano no Festival de Cinema de Guadalajara. Recebeu a bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation (2009). Seu trabalho foi apresentado em instituições como Museum of Modern Art (MoMA), New Museum, Museo Tamayo, MACBA – Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Museu de Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte do Rio, onde realizou a exposição individual Da natureza das coisas (2016), além de bienais no Uruguai, Argentina, Índia, Portugal e Emirados Árabes.


Nos últimos anos, tem desenvolvido a escultura comunitária Bárbara de Cocais, projeto de longa duração que articula arte e formação humana a partir de práticas de cuidado e processos coletivos em um território específico. Suas obras integram coleções como Fundação Joaquim Nabuco (Recife), Fondation Hippocrène (França), Museu d’Art Contemporani de Barcelona – MACBA, Museu de Arte da Pampulha (Belo Horizonte), Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Sharjah Art Foundation (Emirados Árabes Unidos).


Serviço

Profanações – Pablo Lobato

18 de março a 24 de maio de 2026

De terça a domingo, das 11h às 19h [última entrada até 18h]

Entrada franca


Instituto Tomie Ohtake

Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros – SP

Metrô mais próximo: Estação Faria Lima/Linha 4 – Amarela

Telefone: 11 2245 1900


Site: institutotomieohtake.org.br 

Facebook: facebook.com/inst.tomie.ohtake 

Instagram: @institutotomieohtake

Youtube: https://www.youtube.com/@tomieohtake 

Loja: www.lojatomie.org.br 

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