Agenda

Exposição "como nos movemos, como queremos nos mover?"

Parque Lage - Rua Jardim Botânico, 414 Jardim Botânico Rio de Janeiro - RJ

Exposição "como nos movemos, como queremos nos mover?"
COMUNICADO IMPORTANTE : Devido a pandemia do Covid-19, anunciado 12/3 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendamos que confirmem a realização dos eventos antes de se deslocarem. As informações mudam a todo momento.

 

como nos movemos,
como queremos nos mover?

de 15 de dezembro até 08 de março
QUA – SEG [fecha às terças-feiras] – 10:00 -17:00
Galeria 1 e Capela da EAV Parque Lage
Gratuito | Aberto ao público

Como nos movemos, como queremos nos mover? é uma exposição coletiva proposta pela turma de 25 bolsistas do Programa de Formação Gratuito – Exercício Experimental da Liberdade e pensada como desdobramento das provocações e diálogos não só com os quatro professores presentes no programa (Camilla Rocha Campos, Fernanda Lopes, Fernando Cocchiarale e Keyna Eleison), mas pelas negociações com a própria Escola de Artes Visuais do Parque Lage e seus espaços. Fora pensada sobretudo a partir da heterogeneidade de um grupo de estudantes em suas muitas narrativas desenvolvidas ao longo de uma caminhada conjunta durante o ano de 2019.

Em Como nos movemos, como queremos nos mover? a questão da mobilidade se impõe, tanto por sua implicação prática e social, relacionada à como de fato se chega e se permanece numa escola de artes, quanto por seus desdobramentos poéticos e suas possíveis espessuras como parte da formação de cada pesquisa iniciada ou desenvolvida em aula. Trata-se de uma exposição questionamento, contendo um ponto de interrogação necessário em seu enunciado. Os trabalhos que ocupam a Galeria 1 e a Capela do Parque Lage buscam apoio uns nos outros para propor uma rede de relação entre estruturas móveis, que não deixam seus deslocamentos simbólicos estratificarem por completo pois se mostram sempre abertas à dúvida e atentas aos espaços que as rodeiam.

Participantes:
Ághata Miranda
Andréa Almeida
Bel Petri
Bernardo Liu
Bruno Magliari
Charles Pereira
Daniela Avellar
Duda Borowicz
Frederico Tauil
Gabriela Serfaty
Iah Bahia
Isabelle Rocha
Júlio Menezes
Lucas Carvalho
Marcus Lemos
Natasha Ribas
Rafael Amorim
Vinícius Monte

COMO NOS MOVEMOS, COMO QUEREMOS NOS MOVER?

Antes de tudo é preciso dizer que esta exposição torna-se possível a partir de um engajamento coletivo, entre estudantes e também com o estabelecimento de importantes pontos de contato com os professores ao longo do curso, movido por um desejo comum – o de construir um desdobramento simbólico dos processos vividos por nós, que nesse ano crítico de 2019 formamos a turma do Programa de Formação Gratuito – Exercício Experimental da Liberdade, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Também é importante falar sobre a dimensão de grupo desta turma, que hoje se reconhece como tal – acontecimento que só é possível se construído ao longo, no estar junto cotidianamente. A nomeação “grupo” também aponta para uma certa condição: um agrupamento de pessoas em movimentação conjunta ganha consistência à medida em que se vê capaz de sustentar um imbricamento de diferenças inerente à qualquer experiência coletiva.

Como nos movemos, como queremos nos mover? surge como uma tentativa de que os questionamentos deste grupo apareçam ao público, por uma ampliação dessa dimensão comum, agora não apenas restrita à nós, mas entendendo que as questões discutidas em salas de aula não são nada mais do que problemas e interesses também do mundo ao redor. Na presente mostra, como explicitado pelo título, a questão da mobilidade se impõe, muito por sua implicação prática e social, que nos defronta todos os dias – como chegar à escola? Como habitar seus espaços? Lembrando que uma discussão sobre o aumento de passagem no ano de 2013 acabou se desdobrando em jornadas que politicamente deixam marcas indeléveis.

Os trabalhos presentes na exposição discutem, cada um ao seu modo, intensidades embutidas na tarefa de ter de se mover, seja pela cidade, seja pelos fluxos da vida, ou tentando enfrentar os automatismos e os programas dos modos instituídos do cotidiano. Entendendo que esses deslocamentos ocorrem de forma efetiva e concreta, mas também conceitual. Como seguir? E os movimentos certamente também ganham outras espessuras, dado a alegada plasticidade do termo e à medida em que o significante esgarça. Por isso é preciso salientar que esta pergunta que nos serve de baliza não se exaure com facilidade. A exposição propõe mais coloca-la em choque percussivo, com quem a frequenta, com os sistemas da arte, com o mundo. Acreditando que praticar arte envolve alguma metodologia portadora de dúvida, curiosidade e risco. É preciso manter-se aberto antes que seja consolidada qualquer estratificação.

Dito isso, os variados movimentos possíveis inscritos na pergunta-guia apontam para deslocamentos que certamente não serão unidirecionais, apesar de chacoalharem entre condições do que “já é” (como nos movemos?) e como gostaríamos de ser (como queremos nos mover?). Diante de um esquema duro de trajetos e jogadas que podem ser encontrados pelo caminho, escolhemos um diagrama aberto de ideias que se ramificam em constante agitação. Talvez seja preciso dizer que a rede de relação formada com essa exposição, este grupo de estruturas móveis constituídas por diversos meios e portadoras de diferentes interesses, reúna-se por um comum que, acima de tudo, para ser vivido, cobra dos próprios artistas e do espectador uma espécie de giro simbólico – movimento não retilíneo que faz a curva.

Com a escolha de uma linha não propriamente reta, não haverá por aqui um só caminho para resolver questões, há de se assumir algum torpor que amplia a capacidade de conhecer, enquanto desarticula modos de mover apenas fundamentados no que já se sabe. Mover como quem deseja mover pode ser uma ferramenta poderosa. A perspectiva de realização da curva não cobra necessariamente uma mira em um horizonte, ou algo como uma flecha apontada para frente. Queremos nos mover, sim; e sempre mais longe, para além dos já cristalizados atributos lógicos e racionais. Lá, mas ainda aqui.

Daniela Avellar


MINI BIOS

Andréa Almeida Vive na cidade do Rio de Janeiro, no bairro Jardim Sulacap. Carioca, turismóloga e graduanda em História da Arte pela UERJ, atualmente se detêm numa investigação a respeito do imaginário periférico da zona oeste e sua relação com a arte, tendo como base de pesquisa a locomoção para o eixo Centro/Sul de sua cidade.

Ághata Miranda Moradora da Ilha do Governador, zona norte do Rio de janeiro, é Fotógrafa e Gravurista em formação pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Desenvolve suas gravuras a partir da sensibilidade de apresentar vivência e resistência diante dos cenários caóticos daquilo que tem entendido como capitalismo opressor selvagem.

Bel Petri Vive e trabalha no Rio de Janeiro, é designer e artista visual, graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trabalhando essencialmente com desenho, pintura e construção de objetos, sua produção fala dos lugares impostos à mulher ao longo de séculos: aqueles rigidamente domésticos, os domínios da casa, a cozinha, os filhos, as roupas, o espiritual, os mistérios, a ordem do que é o privado. A mulher, personagem carregado de humor, deboche e cinismo, que se apresenta de uma forma pra vender por debaixo dos panos uma outra coisa. A vivência do corpo feminino na cidade. A mulher como ficção.

Bernardo Liu Formado em Design gráfico pela PUC-Rio, artista urbano e tatuador, começou suas pesquisas em artes plásticas em 2018. Descendente de orientais, nascido e residente do Rio de Janeiro, busca encontrar interseções entre esses dois mundos — China e Brasil; são poucos os momentos em que os percebemos como coexistentes no mesmo espaço. Lugares possíveis de colisão, sejam símbolos, sentimentos, ou costumes – o que está estabelecido e aquilo que está por vir. O resultado são obras que partem de percepções de ancestralidades que se mesclam com camadas de realidades que atravessam o artista.

Bruno Magliari Bruno Magliari tangencia suas ações como artista, curador e pesquisador. Abrange seus experimentos na manipulação de estudos dentro e fora do espaço formal de arte, levando seu trabalho à uma busca pelo entendimento das territorialidades e espacialidades que o circundam. Em formação pela EAV – Parque Lage; período de residência, organização e curadoria no Espaço Apis em 2018 e 2019; e recente finalização de um processo de residência no Espaço Refresco no Santo Cristo. Iniciado academicamente em pesquisas nas áreas das Ciências Sociais, o artista tenta explorar os borrões que se estendem entre arte e estudos nas áreas das filosofias e histórias cotidianas.

Charles Pereira Natural das favelas do Rio de Janeiro, mais precisamente Manguariba. Enquanto jovem fotógrafo e cineasta busca através de experimentações visuais e performáticas expor os atravessamentos que uma bixa preta periférica, e através de suas lentes compartilha seu ponto de vista sobre questões que o assola.

Daniela Avellar Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É graduada em Psicologia. Atualmente é mestranda no Programa de Pós Graduação em Estudos Contemporâneos das Artes pela Universidade Federal Fluminense. Escreve semanalmente para a coluna Crítica da Revista Desvio. Em 2019 foi Co-curadora da exposição Somarumor, no Espaço Apis. Em 2018 foi curadora da exposição Modos Rítmicos: algo, na Galeria de Artes da UFF, em Niterói.

Duda Borowicz Patos de minas, 1998. Duda é pesquisadora em formação pelo instituto de artes visuais da UERJ e integrante do programa de formação gratuito da EAV. Sua poética se dá através da manipulação de fontes subjetivamente articuladas — usa a imagem, a escrita, a ação performativa, a presença, e a crítica como dispositivos para associação e ruptura, buscando entender as transmutações dos espaços de pertencimento e despertencimento, as formas muitas de se construir um lugar: mais especificamente, o lugar possível.

Frederico Tauil vive e trabalha no Rio de Janeiro. Iniciou seu processo artístico através da poesia e a partir da palavra passou a transitar livremente por outras linguagens. Seu trabalho constrói pontes de diálogo em diversas plataformas e tem no movimento o ponto de partida para suas experimentações que vão desde roteiros a ilustrações, pinturas e criação de objetos dando novos sentidos para suas provocações, pausas, deslocamentos & contemplações.

Gabriela Serfaty Natural do Rio de Janeiro. Navega no campo transdisciplinar entre a arte e a clínica. Mestre pelo núcleo de subjetividade de São Paulo, também trabalha como psiquiatra/esquizoanalista. Procura neste entre mundos pontes possíveis para construir sua poética Sua investigação parte do outro, tendo a escuta como fio condutor para realizar seus trabalhos através de experimentações sonoras e performáticas presentes em seus processos artísticos recentes. Junto a isso, integra a Cooperativa de Mulheres Artistas, onde impulsiona coletivamente novos modos de criar e produzir artisticamente.

Iah bahia É artiste. pesquisa seu corpo em transição com a materialidade das coisas e suas possíveis superfícies não binárias. Desdobra seu trabalho em instalação, texto, vestíveis e objetos. Participou da residência Corpos Estranhos, na Despina e é formade em Design de Moda. Participando também do curso Segunda Pele: Híbrido, Memória e Reciclagem (2017) e do curso de FORMAÇÃO Exercício Experimental da Liberdade (2019).

Isabelle Rocha Reside no Gardênia Azul, bairro da zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, é carioca, mãe, graduada em Produção Cultural pela UFF. A palavra tem tomado lugar em seus processos artísticos recentes. Investiga as palavras e como seu corpo se comporta no mundo: a arte para não morrer por dentro.

Julio Menezes Silva Carioca da gema, rubro-negro de sangue, jornalista e bacharel em Comunicação. Coordenador de Comunicação do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (IPEAFRO). integrante do Grupo de Trabalho (GT) em Comunicação do Fórum Permanente Pela Igualdade Racial (FOPIR). Em 2019, produziu e foi curador assistente da exposição Abdias Nascimento: A Arte de Um Guerreiro, no Centro de Artes da Maré, na favela Nova Holanda, no Rio de Janeiro.

Lucas Carvalho Lucas Carvalho é baiano de Santo Antônio de Jesus, artista sonoro, músico/produtor residente na cidade do Rio de Janeiro. O artista possui como norte da sua pesquisa a música híbrida de caráter experimental através do uso de suportes eletrônicos (live-electronics). Tem caminhado paralelamente à produção audiovisual, em meio ao desenvolvimento de processos relacionados à pós-produção de áudio e composição de trilhas sonoras.

Marcus Lemos Marcus Lemos é obcecado pela mentira. Nascido e criado em Niterói e graduando em História da Arte pela UFRJ, tenta entender seu espaço no mundo através de seu próprio cu. Isso se reflete naquilo que produz; sua pesquisa circunda o espaço sobre o controle da narrativa de um corpo estranho e a retomada de sua passividade. Perigo e desejo. Gozo e destruição.

Natasha Ribas é criadora multidisciplinar que parte de investigações de um objeto que vai se desdobrando e aprofundado ao longo do processo, um início nebuloso que se esclarece, ou se confunde com o tempo. Formou-se em Design pela PUC-RJ (2017), em 2014 participou do Curso de Fotografia e Litografia da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e, posteriormente, o Curso de Formação (2019). Em 2015 participou da Escola e Dança Angel Vianna e Casa Geração Vidigal, onde criou sua marca RMA-3 junto de Andrew Silva e Julliana Araújo. Sua carreira profissional tem base na pesquisa da imagem de moda e prospecção estética, e, também desenvolvimento de produto, desfiles e editoriais. Em 2018 abre um espaço próprio junto de Nídia Aranha. Sua poética trata da fragilidade da matéria e do acaso, imagens e objetos que se revelam e se encontram, uma espécie de desnarrativa. Expansão do sentido da imagem pela imagem.

Rafael Amorim É poeta que percorre longas distâncias, interessado em propor intersecções entre o fazer artístico e a escrita. Tem desenvolvido sua prática em arte com o olhar voltado para o ir e vir no ritmo das cidades como lugar para se pensar outros modos de intelectualidade. Além de acreditar nos deslocamentos como metodologia do pensamento em arte, vive em Padre Miguel, zona oeste carioca, e também é artista em formação pela Escola de Belas Artes da UFRJ.

Vinícius Monte Vive e trabalha no Rio de Janeiro. É artista e possui uma formação LIVRE e interdisciplinar em Artes. Em suas pesquisas realiza colagens onde explora a crítica social questionando as grandes corporações, o sistema político, o mercado de arte, a propaganda e suas reverberações. Ainda através de colagens, jogos, ou transformações físicas, usa seu corpo como suporte para criar um mecanismo de autocritica, criando narrativas que incluem e atingem o próprio espectador. Também atua como curador independente, diretor e idealizador do projeto Caixa Preta.