Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral (Capivari, São Paulo, 1886 – São Paulo, São Paulo, 1973). Pintora e desenhista. Influenciada por vanguardas europeias, especialmente pelo cubismo, cria um estilo próprio, explorando formas, temáticas e cores na busca por uma pintura de caráter tipicamente brasileiro. Em 1920, Tarsila vai a Paris para entrar em contato com a produção europeia e se aperfeiçoar. Ingressa na Académie Julian, e também tem aulas com a pintora francesa Emile Renard (1850-1930). Tem os primeiros contatos com a arte moderna e a produção dos dadaístas e futuristas. Em junho de 1922, depois da Semana de Arte Moderna, volta ao Brasil para “descobrir o modernismo” no país1. Conhece os escritores Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954) e Menotti del Picchia (1892-1988), e com eles e Anita Malfatti funda o Grupo dos Cinco. Tarsila pinta com cores mais ousadas e pinceladas mais marcadas. Faz retratos de Mário de Andrade e Oswald de Andrade com cores expressionistas e gestualidade marcada. Em 1923 volta a Paris e retoma as aulas, mas se distancia da educação convencional, acadêmica, para estudar as técnicas modernas. Entra em contato com grandes nomes do modernismo parisiense e essa convivência a influencia profundamente. Tem aulas, entre outros, com o pintor francês Albert Gleizes (1881-1953), autor do primeiro grande tratado sobre o cubismo, De Cubisme (1912). Faz uma pintura de inspiração cubista, porém, interessa-se cada vez mais pela figuração tipicamente brasileira, como se observa em A Negra (1923) e A Caipirinha (1923). Ambos representam um ponto importante da obra de Tarsila: o caráter popular, que se apresenta tanto nas figuras e paisagens que protagonizam os quadros da artista (negros, índios, fazenda, favela, plantas e animais) quanto na paleta de cores explorada por ela, consideradas cores “feias” ou de mau gosto (“azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante”, como chama a própria Tarsila). A abordagem geométrica da iconografia brasileira origina a pintura Pau-Brasil (1924). O crítico de arte Sérgio Milliet (1898-1966) descreve os trabalhos dessa época como “a captação sintética de uma realidade brasileira sentimental e ingênua, de que haviam se envergonhado antes os artistas do nosso país”. Em 1928, Tarsila presenteia Oswald de Andrade com seu mais famoso quadro, Abaporu. A pintura estimula o escritor a fundar o movimento antropofágico, cuja ideia central é “deglutir” a cultura europeia da época para produzir uma cultura brasileira. Abaporu sintetiza essa ideia. Faz também uma crítica social ao representar o brasileiro comum (de rosto indefinido), que tem a cabeça pequena, mas braços e pernas grandes, pois tem sua força braçal explorada, mas não sua habilidade intelectual. Abaporu torna-se a pintura brasileira mais valiosa no mundo. Nas obras desse mesmo período, a geometria é abrandada. As formas crescem, tornam-se orgânicas e adquirem características fantásticas, oníricas. Telas como O Ovo, O Sono e A Lua, todas de 1928, compostas de figuras selvagens e misteriosas, aproximam Tarsila do surrealismo. A partir de 1933, seu trabalho passa a ter uma aparência mais realista. Influenciada pela mobilização socialista, pinta, no mesmo ano, quadros como Operários e 2ª Classe, que apresentam uma preocupação com as mazelas sociais. A partir de 1936, seus quadros ganham um modelado geométrico. As cores perdem a homogeneidade e tornam-se mais porosas e misturadas. Na segunda metade dos anos 1940, as inquietações do período pau-brasil e da antropofagia são reformuladas, os temas rurais voltam de maneira simples. Em telas como Praia (1947) e Primavera (1946), as figuras agigantadas evocam o período antropofágico, mas aparecem agora sob forma mais tradicional, com passagens tonais de cor e modelado mais clássico, características da fase neo pau-brasil.

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