Exposição "O mundo ao redor"

Matias Brotas Arte Contemporânea - Av. Carlos Gomes de Sá, 130, Mata da Praia, Vitória

Exposição "O mundo ao redor"

De 15 de abril a 28 de maio, a Matias Brotas arte contemporânea recebe sua primeira exposição de 2021, O mundo ao redor, que traz obras dos artistas Armarinhos Teixeira e Arthur Arnold. Com texto curatorial de Marcus de Lontra, a mostra é composta por pinturas, esculturas e instalações dos artistas, que passam a ser representados pela galeria a partir deste ano.

 

Armarinhos Teixeira

O artista plástico Armarinhos Teixeira é paulistano, vive e trabalha em São Paulo. Em suas pesquisas, estuda a morfologia das coisas que estão entre a cidade, a mata e as áreas áridas. Numa via de expressão de intensidade, a construção de novos amparos que se espalham como uma miragem contemporânea. A partir daí cria em extensão: esculturas, instalações, desenho e interrogativas em outras mídias.

 

Arthur Arnold

Em seu trabalho, discute a relação que o indivíduo estabelece quando absorvido por uma identidade de grupo. Pinta a paisagem humana que é formada pelas multidões. Nelas, características individuais são desfiguradas e distorcidas. Reflete através da pintura sobre o que acontece com o indivíduo quando inserido no contexto das massas, independente da motivação de cada uma delas. Para isso, pinta de forma gestual e matérica. Usa argamassa pigmentada como tinta e ferramentas oriundas da construção civil, como espátulas dentadas, colheres de pedreiro, trinchas e vassouras. Utiliza técnicas de construção para as massas, com o intuito de discutir as belezas e os perigos que há nelas.

 

O mundo ao redor  
Marcus Lontra, curador

Há um mundo que nós vemos; há também um mundo que nos observa. O mundo existe fora de nós, paisagens externas, mas ele se cria dentro de nós, nas nossas interpretações e saberes daquilo que percebemos. Em cada olhar um fenômeno da percepção se estrutura nesse caminho de ir e vir, nessa vereda de voltar e prosseguir e a arte é a instância que manipula essas curiosas equações entre o tempo e o espaço. Entre mim e você há uma infinidade de pontos e linhas que nos unem e nos afastam. Essa é a delicada situação que permeia a relação entre o Eu e o Outro, e por isso mesmo a duplicidade é a essência que perpetua a espécie e constrói a história. Vivemos, constantemente à espera de alguém; alguém que nos observe, alguém que nos abrace, alguém para entender, alguém para afastar, falar, fazer, criar.

No campo das artes costumamos dividir as exposições, classificando-as como individuais ou coletivas.  Há, entretanto, a proposta que parece agradar à Galeria Matias Brotas: mostra de dupla de artistas. Claro está que se trata de uma mostra individual, onde cada artista elabora um conjunto de obras que propõem um conjunto coeso formal e conceitualmente, mas é inegável que, apresentados num mesmo espaço físico, acabem por provocar no espectador a curiosidade comparativa, percebendo em cada conjunto artístico as suas qualidades intrínsecas, mas também buscando ferramentas mentais que relacionem, seja pela aproximação, seja pelo afastamento, diálogos entre os trabalhos.

Armarinhos Teixeira constrói objetos que parecem obedecer às leis da botânica. Os materiais inusitados são rígidos mais também maleáveis e suas dobras barrocas sugerem casulos, santuários da reprodução. Elas são estranhas colmeias que parecem sugerir um mundo futuro no qual a presença humana é apenas um resquício do passado, algo que se foi, algo que se perdeu. Mas elas são paradoxalmente, obras sem memória, e se inserem na paisagem do presente como elementos de permanência a provocar no espectador o instigante desafio de decifrar. A arte e a esfinge.

Arthur Arnold, fala de um mundo povoado pela multidão. A base de sua imagem é fotográfica, registro de seres que se aglomeram, que choram, dançam, amam e odeiam.  A individualidade aqui se esconde pela potência do coletivo, seres sem rosto, anônimos.  A arte aqui é procissão, carnaval, algazarra, mas é também dominação, poder e controle. O artista nos fala de uma sociedade manipulada pela comunicação de massa, das pessoas tratadas como números, cordeiros, consumidores. Porém, em meio a esse tumulto, o cromatismo intenso parece sussurrar que a beleza redime e a luz encanta.

Portanto, Armarinhos fala de um mundo supostamente distante no qual a presença humana é apenas um registro, um silêncio, um retrato do esquecimento.  Arthur por outro lado fala do mundo presente, das estratégias de poder e dominação, “da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Entretanto - e eis aí um dos mistérios da arte –o mundo futuro de Armarinhos parece ter se transformado, nos tristes tempos pandêmicos em que vivemos, no mundo presente. E, por outro lado,o mundo presente nas pinturas de Arthur com suas multidões e aglomerações sugere  um momento futuro onde possamos de novo reunir e abraçar.

 

Marcus de Lontra Costa

São Paulo. Março. 2021

 

 

Confira a programação

15.04: Inauguração online - acesse aqui

22.04 Live com:

Artistas Armarinhos Teixeira e Arthur Arnold

Crítico de arte Marcus Lontra

Diretora de projetos MBac Lara Brotas

Gestão curatorial MBac Flávia Dalla

29.04: Instagram takeover com Arthur Arnold

13.05: Instagram takeover com Armarinhos Teixeira

 

Exposição O mundo ao redor

Armarinhos Teixeira e Arthur Arnold

Texto curatorial: Marcus de Lontra Costa

Exposição: de 15 de abril a 28 de maio de 2021

Local: Matias Brotas arte contemporânea

Av. Carlos Gomes de Sá, 130, Mata da Praia, Vitória. (27) 3327-6966 / 99933-8172

Horário de funcionamento – Terça a sexta – das 13h às 19h (visitação sob agendamento e seguindo as diretrizes do decreto estadual)

Formas de Pagamento Artsoul

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