Exposição "A MÁQUINA LÍRICA"

Galeria Luisa Strina - Rua Padre João Manuel, 755

Exposição "A MÁQUINA LÍRICA"

A Máquina Lírica

 
 

Não é raro, em 2021, constatarmos nossa incapacidade frequente de distinguir realidade e fic ção. Fato é que o presente soa delirante: não sobrou acordo algum a respeito de fatos sociais  básicos, os parâmetros de leitura do real caducaram ou tornaram-se descontínuos e episó dicos, e o pacto democrático parece cada vez mais longínquo. Há gente adoecida por toda  parte. Dormência, enjoo e vertigem. Multiplicam-se as abstrações e subtraem-se os estados  de direito. O que resta?  

No entanto, se o projeto de poder em curso é delirante ao seu modo, a fabulação também  existe enquanto força propositiva — estratégia de reinvenção do mundo e produção de sen tidos desviantes aos modelos vigentes. É a imaginação, afinal, que expande os horizontes  negociáveis do possível e se afirma enquanto prática social essencial para a construção de  identidades coletivas, afirmando-se enquanto operação fundamentalmente política. Mesmo  por isso, os artistas aqui reunidos buscam ter na fabulação um empreendimento de saúde:  possibilidade de vida.  

É nessa direção que A MÁQUINA LÍRICA se produz. Uma exposição em torno do delírio e do  sonho, que aproxima ecos do passado e sussurros do presente, fazendo lembrar que memó ria e imaginação são instâncias indissociáveis. Sabe-se que é difícil imaginar sem mergulhar,  com mais ou menos intenção, nas gavetas do passado. E não é possível lembrar sem uma  

dose de criação. Mesmo por isso, passado e futuro são vetores que se entrecruzam e se  transformam continuamente (como diz o ditado iorubá, “Exu matou um pássaro ontem, com  uma pedra que só jogou hoje”). Quem não lembra, e tampouco imagina, está fadado à visão  curta e nublada do presente. Além disso, traçamos diálogos entre artistas “populares”, “emer gentes” e “consagrados”, pondo em crise certas categorias normativas que enquadram a  prática artística. Nesse ponto de convergência, a exposição se anuncia como espaço de sus pensão: embaralha os pontos cardeais, interrompe os fluxos do relógio e convida o público a  devanear junto a obras que questionam os regimes de visibilidade e produção de sentido.  

Aqui, os enunciados são imagens fantasiosas, endereçamentos oblíquos, alucinações, pro fecias, sussurros e segredos que buscam torcer e friccionar a sintaxe de suas línguas, no  anseio de vislumbrar outros horizontes e rearranjar relações entre viventes, extra-viventes,  não-viventes, pós-humanos, ciborgues e outros gêneros. Não será possível optar pela realida de ou pela ficção, mas somente produzir outras negociações entre esses elementos antes de  tudo indissociáveis. Ante ao sonho da razão, reivindicamos o riso, o assombro e o desvario  como ferramentas de sobrevivência. É preciso delirar o país. 

CURADORIA  

Pollyana Quintella

 

SERVIÇO

Exposição "A MÁQUINA LÍRICA"
Galeria Luisa Strina

21 de agosto - 23 de outubro de 2021 
Rua Padre João Manuel 755
Cerqueira César 01411-001
São Paulo SP Brasil



ARTISTAS 

Anis Yaguar e Sumé Aguiar 

Anna Maria Maiolino

Aurelino dos Santos 

Brasilandia.co 

Chico Tabibuia 

Cildo Meireles 

Davi de Jesus do Nascimento 

Eduardo Basualdo 

Jarbas Lopes 

Jorge Macchi 

Laryssa Machada 

Laura Lima 

Luiz Alphonsus 

Marepe 

Panmela Castro 

Paulo Pedro Leal 

Pedro Escosteguy 

Rafael Bqueer 

Tadáskía 

Thiago Honório 

Wagner Olino 

Yan Copelli 

Formas de Pagamento Artsoul

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