Artistas

Zé Bezerra - José Bezerra

José Bezerra, mais conhecido como Zé Bezerra, nasceu em 1942 na cidade de Buíque no estado de Pernambuco. Escultor e descobridor da arte inseridas nas matas em troncos de arvores, já sem vida natural, ele as ressuscita ao ressaltar suas formas ao esculpir o que ele diz ser soprado em seus ouvidos. É isso que José Bezerra faz: “Eu não crio nada. Tudo está lá, pedindo para nascer. Eu só ajudo a virem para o mundo”, atesta. “Ele possui raízes que remetem aos fulni-ô, etnia indígena guerreira do sertão, e caboclos cangaceiros como antepassados. Nasceu em Buíque, hoje uma cidade com pouco mais de 60 mil habitantes, a 300 quilômetros do Recife, no limite entre o agreste e o sertão de Pernambuco. Lá vive com a esposa e cinco filhos numa casa de taipa, cuja parede da entrada é adornada por figuras abstratas, pontilhadas com pedrinhas colhidas uma a uma na região mística do Parque Nacional do Vale do Catimbau, o segundo maior do país, onde se consagrou como um dos grandes mestres de arte popular do Nordeste, ao lado de Véio, Efrain de Almeida, Nino, Manoel Graciano e Manoel Santeiro, alguns artistas, entre tantos, que têm em comum a madeira como matéria-prima de suas obras. No caso de José Bezerra, a madeira é a umburana, também conhecida com ambaurana, baru, cumaru-do-ceará, cumaru-das-caatingas, imburana-de-cheiro, entre outros nomes populares. A planta, nativa da caatinga, exala um cheiro suave de cumarina, levemente adocicado, e possui propriedades medicinais que podem ser úteis para combater problemas respiratórios. Chega a alcançar 10 metros de altura na mata fechada e sua madeira é considerada moderadamente pesada. É densa, mas macia, de coloração amarelada ou rosada uniforme, e superfície lustrosa, medianamente lisa ao tato. Embora seja resistente, é vulnerável ao ataque de cupins subterrâneos em períodos de estiagem. Quando isso acontece, seus galhos caem e, às vezes, até a árvore toda. Entretanto, nesse momento, não é morte que o artista enxerga, mas um ser pronto para vir ao mundo” Tiago Henrique para a Revista Continente.

Obras do artista