Artistas

Rebecca Sharp

Rebecca Sharp, 1976, vive e trabalha nos EUA. Em seu processo poético-espiritual, combina, por meio de uma afincada dedicação de mais de uma década, as práticas pictórica e meditativa. Sua obra, feita em transe, trata de uma variedade de planos astrais: insólitos mundos recobertos por abismos de vacuidade em matizes vívidos que convivem de modo vibrante. Cada uma das telas abstratas — marcadas por gestos expressivos a fim de materializar uma outra classe de geometria e luminosidade — funcionam como mensagens codificadas, provenientes de seu espaço anímico. “Como se tivéssemos a capacidade de entrar no subconsciente e tomar um retrato, um slide fotográfico”, descreve Sharp, “de um momento que após um instante se esfumaça”. E, para que ocorra a recepção (kabbalah) dessa mensagem, a artista recorre a um método de esvaziamento psíquico com o fim de que brilhe em máxima luminância tudo aquilo que soube e não pode ser visto. As obras, em sintonia com o título da mostra, operam como mensagens de origem ancestral ou futura, assim como cometas que voltam a aparecer. Em seu universo, esses astros luminescentes surgem como metáforas de corpos que viajam em diversas velocidades, direções e intensidades em espaço e tempo indefiníveis, e o olhar da artista, como um telescópio, nos aproxima desses fenômenos remotos. Nesse espaço fantástico, de processos psíquicos-pulsionais, todos os elementos imagéticos e sígnicos apresentados por ela afetam e continuamente são afetados por eles mesmos em um magnetismo surreal, sem sinonímias de alcance claro. Com formação em Drama and Theater Arts na Goldsmiths College em Londres, em 2018 participou da 33o edição da Bienal de São Paulo, Afinidades Afetivas na sessão curada pela artista Sofia Borges. Em 2019, esteve em residência por cinco semanas no consagrado California Institute of the Arts.

Obras do artista