Artistas

Clóvis A. dos Santos

De Avaré, que fica quase no centro do estado de São Paulo, Clovis passou por várias estradas até cair no Rio de Janeiro, catou rebarbas do lixo nas ruas quando puxava uma carroça. Tinha a consciência de estar fazendo o bem ao reciclar. Ainda é uma prática sua coletar. Não perdeu o desejo da busca e da caminhada. Recolhe os mesmos materiais hoje para reciclagem, como o papelão, as garrafas PET, brinquedos aos pedaços feitos de plástico e as lonas vinílicas residuais das propagandas políticas que persistem na paisagem das periferias da cidade, mesmo depois do período eleitoral. Agora não coleta mais para vender como antes, e sim usa o material como suporte para sua obra de arte. Discordando dos que ainda dizem que o que o Clovis faz não seria arte, pois, pela condição mental, não teria condições de “ter” a intenção de fazer arte, ele, pelo contrário, tem a clareza de que o que faz é arte. O artista frequenta o Ateliê Gaia há mais de dez anos. O que o prende ali é a possibilidade de desenvolver o seu trabalho plástico, a tranquilidade para fazer os seus desenhos, as suas pinturas e as esculturas estranhas na forma de carros sob o olhar dos outros colegas de ateliê. São estranhas estas formas que lembram a figura humana, de animais, vegetais e de carros. Fazem recordar seres de um filme pré-histórico da humanidade, mas também um mundo inóspito que parece que ainda vai existir daqui a milhares de anos.

Obras do artista