Artistas

Apoena Fousek

Apoena Fousek tem uma trajetória de mais de 30 anos de uma intensa produção que transita entre o desenho, a pintura e os signos visuais, com raízes no design gráfico (sua formação acadêmica). Ele realizou exposições individuais e participou de coletivas no Brasil e no exterior. Em 2011, sua exposição retrospectiva “Dos 3 aos 100”, realizada na CAIXA Cultural de Brasília, apresentou desenhos, objetos e pinturas dos três aos seus atuais 37 anos de idade, fechando um ciclo na carreira do artista. A partir desse momento, Apoena “mergulhou fundo” em um processo de autoconhecimento e foi em busca da sua mais pura essência a fim de transpor à sua nova produção. Tal período durou mais do que o esperado (2012 a 2017) e Apoena se apoiou em profundos estudos sobre o método Zen, vivendo horas diárias de meditação e alcançando poder de síntese na sua relação com a natureza (em específico, o mar) e no Essencialismo como estilo de vida.

O desenho representa um papel importante na formação e na vida de Apoena. Esta relação se deu a partir da sua necessidade de se comunicar com o mundo. Tendo sido criança de pais separados, sua infância foi repleta de “andanças” e deslocamentos. Ao contrário da maioria das crianças, Apoena não tinha brinquedos como principais pertences, mas, sim, papéis, canetas nankin e uma mochila cargueira. Sua intensa produção refletia uma rotina solitária, introspectiva, inquieta e andarilha que se desdobrava em mundos imaginários marcados pela forte presença de arquétipos e cenários fantásticos. O desenho ganhou força e sofisticação ano após ano, por meio de signos visuais de grande valor iconográfico. A produção acabou encontrando a sua formação acadêmica em 2000, na primeira turma do primeiro curso superior de Design Gráfico no Brasil: a Faculdade de Comunicação e Artes do Senac.

Em 2008, Apoena fez sua primeira grande imersão na natureza. Ele decidiu transferir seu atelier da capital paulistana para o litoral norte de São Paulo. Após nove meses de uma rotina baseada em disciplina, contemplação, solitude, meditação, surfe e longas horas dedicadas à arte, apresentou o resultado de tudo isto na exposição individual “SomeThings”. Em uma pequena galeria no circuito alternativo de arte, “SomeThings” pegou de surpresa aqueles que tinham o desenho como a base identificatória de Apoena, seu traço marcante e característico. A fusão do desenho com a pintura ganhou corpo e mostrou um novo Apô — claramente influenciado pela natureza —, os arquétipos se uniram a formas orgânicas e elementos naturais, assim como uma paleta generosa de cores. Este novo estilo de conceber arte conduziu Apoena em busca de expansão e suas referências, para uma temporada em San Francisco, na Califórnia. 

O retorno de Apoena ao Brasil, em 2009, deixou-lhe claro que suas reais influências no campo da criação partiam de elementos do seu próprio estilo de vida e de referências (com exceção dos artistas Robert Rauschenberg e Joseph Beuys), tais como: o escritor e naturalista Henry David Thoreau; o fundador da marca Patagonia, Yvon Chouinard; o aventureiro e visionário Tito Rosemberg; o escalador Dean Potter; e o surfista e ativista Dave Rastovich. Na insistência para que a fusão de tais referências refletisse a essência de sua arte, creditou no estilo de vida minimalista a possibilidade de materializar sua arte com esta nova roupagem. Assim, isto o fez destruir toda a produção de sua vida como artista, seguindo o conceito de que “é preciso saber morrer para poder renascer”. O alívio por tornar a bagagem “leve” remeteu Apoena às bases de sua infância: a relação com o papel, as canetas e uma mochila contendo todos os seus pertences. Porém, a mudança teve um preço alto: dois anos em depressão e cinco anos sem produção.

2018 ficou marcado pelo retorno de Apoena à arte. Por meio de uma visão madura sobre suas reais necessidades, encontrou no Essencialismo, como estilo de vida e forma de pensar, o ponto de partida e a base conceitual de seu trabalho. Seu estilo de vida conectado à natureza, a influência e os insights da meditação e sua forte ligação com o mar — sobretudo o “ir e vir” de um fluxo intermitente — alimentam sua alma inquieta com “o novo” e sua busca pessoal com a síntese do vibrar a essência da vida. A produção é permeada pela pintura expressada em diversas camadas sobrepostas e caracterizada por elementos orgânicos influenciados por signos visuais sintéticos. Agora, o desenho exerce um papel muito mais presente no seu processo de conceituação do que propriamente materializado em sua obra. Ademais, para Apoena, o desenho e a pintura são como a arte e a vida: um único fluído que transcorre e transborda além dos mares.

 

CV

Nasceu na capital de São Paulo, no Brasil, em 1974

Mora e trabalha em Florianópolis, no Brasil

Exposições individuais:

2011: “Apo Fousek — Dos 3 aos 100” — CAIXA Cultural de Brasília, Brasil

2011: “Sea Level” — Galeria Gravura Brasileira. São Paulo, Brasil

2008: “SomeThings” — São Paulo, Brasil

2008: “Neurathenia” — Rosario, Argentina

2007: “Synthetic Landscape” — São Paulo, Brasil

2007: “Organic FastFood” — São Paulo, Brasil

2005: “A tábua” — São Paulo, Brasil

2005: “Manhãs tipográficas — Preenchendo espaços vazios” — São Paulo, Brasil

Obras do artista