Artistas

Amanda Melo

Para tomar emprestado o título do romance de 2001 de Don DeLilo, podemos dizer que Amanda Melo é uma “artista do corpo”. Isso não quer dizer que ela seja uma artista performática, simplesmente. Emergindo na jovem cena artística recifense – ao lado de pares cuja produção
este ciclo de exposições vem evidenciar – seu trabalho se destacou pela reflexão acerca da utilização do corpo na arte contemporãnea, em
meios variados como o vídeo, o desenho, a fotografia e por que não, a performance.
Outros Sambas reúne seus projetos recentes, além de peças criadas especialmente para a mostra, revelando a variedade de suportes com que Amanda trabalha. Em grande parte das obras, encontramos o desejo de transformação do corpo, ou o desejo de alteração do objeto de arte por impulsos corporais: como se a obra fosse analogia do corpo – assim como o corpo é, não raro, duplo e análogo à obra. Assim, sua produção se inscreve em uma vasta e nobre tradição da história da arte: da escultura grega à bodyart, passando pela pintura de costumes francesa e pelo imaginário surrealista. Tremores, ataduras, fisiculturismo, choque elétrico são muitas vezes, processos reapropriados e ressignificados em sua pesquisa. Em tempos em que o questionamento dos limites do sujeito na sociedade são tão recorrentes, Amanda Melo apresenta a possibilidade do corpo da artista como lugar de experimentação e de liberdade.
Rodrigo Moura ( curador).

Amanda Melo nasceu em São Lourenço da Mata, Pernambuco, em 1978. É graduada no curso de Educação Artística da Universidade Federal de Pernambuco. Destacam-se suas exposições individuais na FUDAJ (PE) em 2002 e em 2005, da mesma instituição. Em 2007 realiza individual no instituto Banco Real. Entre as exposições coletivas destaca-se o Projeto Rumos de Artes Visuais edição 2005/2006. Neste mesmo ano, recebe o prêmio Projéteis de arte contemporânea e em 2008 recebe prêmio do programa Bolsa Pampulha (MG). Em 2009 é premiada no 47o Salão de Artes de Pernambuco. Em 2010, participa do programa expositivo do CCSP. Em 2011, realiza individuais Água Viva no centro Cultural Banco do Nordeste(CE). No mesmo ano, participa do 32 Panorama da Arte Brasileira e da exposição “Os Primeiros Dez Anos” do Instituto Tomie Ohtake em São Paulo. Em 2012 destacam-se a exposição Novas Aquisições do MAM do Rio e Metrô de Superfície no Paço das Artes(SP). Em 2013 participa do 33 Panorama da Arte Brasileira. Em 2014 participa da exposição Duplo Olhar no Paço das Artes e Valsas na Galeria Amparo 60. Em 2015 participa de residência artística na Sanskriti Foundation a convite do Itamaraty. Em 2016 participa de exposição coletiva no Getty Center. Em 2019 participa da Bienal do Barro em Caruaru e de residência artística no projeto Rizoma da galeria Andrea Rehder, no mesmo ano, participa da Bienal de Curitiba, polo Florianópolis, com uma individual no Coletivo Elza.

Obras do artista