

Exposições "Vesica Piscis - O Elo Perdido", de Thiá Sguoti, e "Caminhando sobre as Fissuras", de Beatriz Figueira
Exposição
- Nome: Exposições "Vesica Piscis - O Elo Perdido", de Thiá Sguoti, e "Caminhando sobre as Fissuras", de Beatriz Figueira
- Abertura: 29 de março 2025
- Visitação: até 17 de abril 2025
Local
- Local: Lapa,lapa
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua Afonso Sardinha 326, Lapa
Na próxima sexta-feira, dia 28 de março, das 17h às 22h, o lapa Lapa, espaço independente no bairro da Lapa, convida para a abertura de duas exposições individuais em nosso espaço, "Vesica Piscis - O Elo Perdido" de Thiá Sguoti com curadoria de Thais Rivitti e "Caminhando sobre as Fissuras" de Beatriz Figueira com curadoria de Lucas Goulart.
Vesica Piscis: o Elo perdido
Abre no dia 28 de março, sexta-feira, a partir das 17 horas, a mostra "Vesica Piscis: o Elo perdido", a segunda individual da artista Thiá Sguoti depois de quase uma década. Reunindo um conjunto de dez obras, entre esculturas e vídeo, inéditas e recentes, a mostra tem curadoria de Thais Rivitti.
Tudo se passa como se estivéssemos entrando num hall de um museu, contemplando relíquias encontradas numa escavação arqueológica que remonta alguma antiga civilização. Um vídeo da curadora, na entrada, recebe os visitantes explicando que os achados recentes - fragmentos de fósseis, objetos de culto e utensílios da vida cotidiana - foram reunidos naquele espaço e que nos permitem acessar aspectos dessa civilização ancestral, cuja estrutura social e simbólica era muito ligada ao mar e ao culto de divindades como a sereia de duas caudas.
A peça central, em torno da qual se articulam as demais, uma ânfora, é a que dá o nome da exposição: Vesica Piscis, o elo perdido. De algum modo, ela é o fragmento que faltava para a articulação narrativa de uma História Transgênero, apagada por séculos de dominação do pensamento cristão patriarcal. O formato dessa peça materializa a vesica piscis, forma geométrica que mostra o cruzamento de dois círculos, aludindo ao encontro de dois conjuntos que mantém uma zona de intersecção. Assim, a peça abre um caminho de interpretação do mundo que questiona o modo binário de compreensão de gênero abrindo espaço para outras possibilidades.
A narrativa da exposição, fortemente ancorada no conceito de fabulação histórica, instiga o público a imaginar outras formas de vida, usando a ficção de um passado como forma de comentar o presente. A ânfora encontrada, o elo perdido, funciona como motor para pensarmos como seria a concepção social de gênero se essa sociedade não tivesse sido extinta.
As demais peças da exposição também aludem ao culto das sereias, seres mitológicos que a artista Thiá Sguoti pesquisa desde o início de sua trajetória e que vem se mostrando um importante símbolo para discutir a questão trans. Em algumas das obras vemos impressos em fósseis ou "petrificados" alguns fragmentos de seres aquáticos que resistiram ao tempo: barbatanas, nadadeiras, escamas. Em outras obras vemos objetos como um pente e um espelho que, analogamente ao culto contemporâneo de Iemanjá, por exemplo, podemos atribuir a figura mitológica da sereia de duas caudas.
A exposição, assim, numa fina articulação entre discursos artísticos e curatoriais, aciona o dispositivo museológico para inserir outras narrativas históricas possíveis. O dispositivo museológico é convocado e, ao mesmo tempo, comentado criticamente pela expografia, reforçando a ideia da necessidade de se recriar o passado para construir novos futuros.
Thiá SGUOTI
Thiá Sguoti (1995) vive e trabalha em São Paulo, é artista visual e educadora. Sua pesquisa investiga a mitologia, as corporalidades e suas performances sociais para criar mecanismos de acesso a outras realidades. A artista cria desde vestimentas a objetos que nos permitem vivenciar o lúdico através de metamorfoses – imaginárias ou não – que acessam uma ancestralidade perdida. Seu trabalho gira em torno da figura da sereia, e as intersecções dessa iconografia com a contemporaneidade. Neste processo, a artista faz uma pesquisa poética que discute existência, memória e sagrado.
É a primeira pessoa trans a expor num museu público de Itu, compõe o time de artistas da Revista Amarello e ingressou para o acervo do primeiro Museu Transgênero de História e Arte no Brasil, o MUTHA, e já participou de exposições coletivas como As Jóias da Rainha (2024) no São Paulo Fashion Week com curadoria de Renato de Cara, Vivarium (2024) no 25M com curadoria de Núria Vieira, o 25o Salão de Artes Visuais de Vinhedo e o 69o Salão de Abril, além de sua primeira individual Limites do Inconsciente (2016) no Centro Cultural Raul de Leoni organizada por Fernanda Lago e Marcelo Lago, em Petrópolis, Rio de Janeiro e feiras como a SP-Arte e ArPa, e residências como a Kaaysá Art Residency no litoral norte de São Paulo.
Caminhando sobre as Fissuras
Abre no espaço Lapa,lapa a primeira exposição individual Beatriz Figueira com curadoria de Lucas Goulart. A mostra apresenta um conjunto de trabalhos que partem da investigação da artista em torno da paisagem e percurso.
O deslocamento, como dispositivo de criação, orienta a produção de imagens que exploram a perda da referência visual, a abstração e a construção de paisagens fictícias.
Ao caminhar sobre as fissuras é explorada a relação entre a experiência de viver, inventar e observar a paisagem. Em técnicas como a pintura direta em negativos, sobreposição de imagens e desenho em tela, a artista investiga a paisagem como um agente ativo na construção de significados e narrativas.
A rachadura no chão vira mapa, o traço do caminho vira território e a imagem da natureza se reconfigura
Beatriz FIGUEIRA
Beatriz Figueira (São Paulo, 1991) é artista e mestranda em Poéticas Visuais. Iniciou sua trajetória ainda durante a graduação em Arquitetura e Urbanismo, com interesse nas relações entre cidade e deslocamento. Sua pesquisa atravessa os eixos do caminhar, da memória e da imaginação, explorando diferentes meios gráficos, como gravura e desenho.
Participou do ateliê coletivo Casa 10/12 (2016) e de exposições como UNS (Espaço BREU, 2017), Entretempos (MAB Centro, 2018), Paisagens e modos de estar (FAU-USP, 2019) e Me Avise antes que acabe (Sala de vídeo- Galeria Vermelho, 2024)
O lapa, Lapa atua como aparelho articulador entre artistas, projetos e públicos para dar espaço a novas propostas de exposições, cursos, mostras e debates, com o intuito de expandir e integrar as diversas linguagens e formatos de atuação dentro da produção independente e construções coletivas relevantes na contemporaneidade. Buscamos criar pontos em uma rede cultural autônoma.
Serviço
lapa, Lapa
Rua Afonso Sardinha 326, Lapa, São Paulo
Abertura: 28 de março, das 17h às 22h
Em cartaz: 29/03 - 17/04
Ter-Sex 14-19h / Sáb 11-15h
Visitação sob agendamento
Entrada gratuita