Exposições "O Paciente Circular 0.6" e "Comunismo concreto"
Exposição
- Nome: Exposições "O Paciente Circular 0.6" e "Comunismo concreto"
- Abertura: 18 de junho 2026
- Visitação: até 25 de julho 2026
Local
- Local: Galeria Vermelho
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis – São Paulo, SP
Vermelho inaugura primeira etapa de expansão com exposições de Dora Longo Bahia e Carlito Contini
No dia 18 de junho, a Vermelho inaugura as individuais O Paciente Circular 0.6, de Carlito Contini, com texto do curador e pesquisador Tálisson Melo, e Comunismo concreto, de Dora Longo Bahia. A mostra de Longo Bahia marca a abertura da primeira etapa da expansão física da galeria, que passa a ocupar integralmente a vila que abriga sua sede.
A ampliação coincide com um momento de transformação da região, onde a Vermelho está instalada desde 2002. Nos últimos anos, o entorno passou a concentrar instituições como o Instituto de Arte Contemporânea (IAC), a Gomide&Co, a Pinakotheke e a Central Galeria, hoje instalada no antigo anexo da Vermelho. Reunindo galerias com diferentes abordagens e uma instituição dedicada à preservação de acervos, a região vem se consolidando como um importante núcleo das artes visuais na cidade.
Com projeto do vão, coletivo que atua nas áreas de arquitetura, urbanismo e artes visuais, a expansão prevê dois novos edifícios. Nesta primeira etapa serão inaugurados uma nova sala de exposições, uma fachada voltada para a rua e o novo escritório da galeria. O segundo edifício será aberto ainda em 2026.
O primeiro projeto a ocupar a nova fachada é Escada de incêndio, de Nina Lins, um grande cartaz, feito em serigrafia sobre papel jornal, que se apropria de Escada de incêndio (1925), fotografia de Alexander Rodchenko.
A fachada original da galeria recebe uma série de pinturas produzidas pelo grupo de pesquisa Depois do Fim da Arte — coordenado por Dora Longo Bahia — no âmbito do projeto No mundo verdadeiramente invertido, o verdadeiro é um momento do falso. O projeto inclui ainda uma programação pública com um cineclube semanal, apresentações musicais e publicações.
Carlito Contini: O Paciente Circular 0.6
A individual apresenta pela primeira vez, em sua totalidade, as obras que compõem a série O Paciente Circular. Desenvolvido entre 2007 e 2017, o projeto reúne três vídeos e 66 pinturas. Juntos, os trabalhos exploram processos de repetição, construindo imagens a partir de um repertório restrito de formas.
A série de pinturas é composta por 6 trabalhos circulares de 180 cm de diâmetro realizados em tinta acrílica e 60 trabalhos de 60 cm de diâmetro em acrílica e serigrafia, todas sobre MDF. Construídas a partir da mesma estrutura, organizada pela combinação de elementos circulares, as obras exploram pequenas variações cromáticas e formais, produzindo diferenças sutis entre imagens aparentemente iguais. Concebidas para operar em relação umas às outras, as pinturas se organizam no espaço como uma instalação de parede.
Nos vídeos, essa mesma lógica se manifesta por meio de três filmagens de um mesmo roteiro, nas quais pequenas mudanças de realização produzem deslocamentos sutis a partir de uma mesma estrutura.
Em texto que acompanha a exposição, o curador e pesquisador Tálisson Melo observa que O Paciente Circular "propõe um mergulho por estruturas calculáveis para incitar pequenas infiltrações de instabilidade".
Carlito Contini desenvolve uma trajetória marcada por investigações em torno da pintura, da geometria, da serialidade e das relações entre imagem e espaço. Seu trabalho foi apresentado em instituições como o Museu de Arte Moderna de São Paulo, a Pinacoteca de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea da USP. Suas obras integram os acervos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM SP) e do Museu de Arte Brasileira da FAAP (MAB FAAP).
Dora Longo Bahia: Comunismo concreto
A exposição de Dora Longo Bahia inaugura a nova sala de exposições da galeria e marca a primeira etapa do projeto de expansão da Vermelho.
Comunismo concreto reúne pinturas, fotografias, vídeo e trabalhos sobre papel desenvolvidos por Dora Longo Bahia a partir de uma pesquisa sobre as relações entre arte, política e arquitetura. A série foi desenvolvida durante uma residência da artista, entre 2022 e 2023, na Hestia Art Residency & Exhibitions Bureau, em Belgrado, Sérvia. Longo Bahia parte da aproximação entre duas imagens do comunismo: de um lado, os vestígios materiais do chamado comunismo “real”, presentes em monumentos e edifícios construídos na antiga Iugoslávia entre as décadas de 1960 e 1980; de outro, sua permanência como horizonte utópico no imaginário brasileiro. Tomando como ponto de partida o contexto que deu origem ao Movimento dos Países Não Alinhados (NAM), formado por países que buscavam alternativas aos blocos da Guerra Fria, a artista estabelece relações entre arquitetura, memória e projetos de transformação social que marcaram o Brasil e a antiga Iugoslávia ao longo do século XX.
A exposição apresenta um conjunto de obras que articula monumentos iugoslavos, arquitetura brutalista, arquivos de imprensa e referências históricas para refletir sobre a persistência, a obsolescência e as contradições dos imaginários políticos modernos. Ao aproximar imagens produzidas em contextos distintos, Comunismo concreto propõe uma reflexão sobre os modos pelos quais utopias coletivas permanecem inscritas na paisagem, na memória e na cultura visual contemporânea.
A exposição é acompanhada por um texto da própria artista, no qual são desenvolvidas as reflexões que orientam o projeto, articulando os referenciais históricos, políticos e arquitetônicos presentes na pesquisa.
Depois do Fim da Arte: No mundo verdadeiramente invertido, o verdadeiro é um momento do falso
A fachada original da galeria é ocupada por No mundo verdadeiramente invertido, o verdadeiro é um momento do falso, projeto do grupo de pesquisa Depois do Fim da Arte (DFA), coordenado por Dora Longo Bahia. Entre 18 de junho e 25 de julho, uma série de pinturas em verde e amarelo cobre a fachada em uma alusão ao imaginário da Copa do Mundo. Na abertura, a banda CUASO apresenta um repertório que reúne clássicos de sua longa trajetória de cinco shows, além de composições inéditas.
Realizado às sextas-feiras, o tradicional Cineclube do DFA propõe uma preparação irônica para Dark Horse, filme descrito pelo grupo como uma superprodução sobre a história recente do Brasil e que, antes mesmo de seu lançamento, já teria superado Plano 9 do Espaço Sideral (1959), de Ed Wood, como o pior filme do mundo. As sessões são acompanhadas por vídeos produzidos por integrantes do DFA.
O projeto inclui ainda um zine-pôster em formato de álbum de figurinhas que reproduz a intervenção instalada na fachada da galeria. Cada figurinha corresponde a uma das pinturas que compõem o trabalho, permitindo ao público recompor sua imagem completa. A programação é complementada pela venda e troca das figurinhas, além de competições de bafo.
Depois do fim da arte: Ana Paula Albé, Anna Talebi, AriFrost, Camila Falcão, Caroliny Lima Barreto, Clara Luz, Daniel Guerra, Dora Longo Bahia, Elis Iizuka, Felipe Lima, Helena Carpenter, João da Costa, Jô Mapê, Karol Pinto, Keila Alaver, Lara Ogawa, Lara Ovídio, Manuela Leite, Marcelo Aparecido, Marina Pelegrini, Maya Guizzo, Nike Krepischi, Nina Lins, Pedro Andrada, Pedro Ferrareto, Rafael Trindade, Raquel Rodrigues, Talita Rauber, Thais Suguiyama e Thiago Olival
NOVA FACHADA | Nina Lins: Escada de incêndio
O primeiro projeto a ocupar a nova fachada da galeria é Escada de incêndio, de Nina Lins. A instalação é um grande cartaz lambe-lambe, feito em serigrafia sobre papel jornal, que se apropria de Escada de incêndio (1925), fotografia de Alexander Rodchenko. A imagem mostra um trabalhador em uma escada de incêndio de um edifício, em uma composição geométrica marcada por uma perspectiva acentuada.
Aleksandr Rodchenko foi figura central do construtivismo russo, movimento que buscou aproximar arte e transformação social após a Revolução Russa. Nesse contexto, a fotografia, o design gráfico, o jornal e os cartazes tornaram-se ferramentas centrais de comunicação pública.
Ao retomar a imagem de Rodchenko e mobilizar procedimentos associados às vanguardas soviéticas, Nina Lins transforma a fachada voltada para a rua em um espaço de reflexão sobre as relações entre propaganda, arquitetura e espaço público. Ao inaugurar sua nova fachada com a instalação, a Vermelho reforça sua vocação para projetos que articulam arte e espaço urbano.
SERVIÇO
CARLITO CONTINI: O Paciente Circular 0.6
DORA LONGO BAHIA: Comunismo concreto
DEPOIS DO FIM DA ARTE: No mundo verdadeiramente invertido, o verdadeiro é um momento do falso
NINA LINS: Escada de incêndio
Abertura: 18 de junho de 2026, das 19h às 22h
Período: 18 de junho a 25 de julho de 2026
De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados, das 11h às 17h
Local: Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis
01244-010 – São Paulo, SP
Tel.: +55 11 3138-1520
galeriavermelho.com.br
Mais informações: gabriel@galeriavermelho.com.br