Exposição "Urubu" de Luiz Roque
Exposição
- Nome: Exposição "Urubu" de Luiz Roque
- Abertura: 05 de setembro 2026
- Visitação: até 31 de janeiro 2027
Local
- Local: Pinacoteca
- Evento Online: Não
- Endereço: Praça da Luz, 2 - São Paulo, SP
Pinacoteca de São Paulo exibe Urubu, de Luiz Roque, na Sala de Vídeo da Pina Luz
Com curadoria de Ana Paula Lopes, o trabalho do artista gaúcho filmado durante o isolamento da pandemia de Covid-19 aborda as tensões entre reclusão e liberdade, a iminência da finitude e o olhar para a paisagem do centro de São Paulo
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta, a partir de 5 de setembro, na Sala de Vídeo do edifício Pina Luz, a obra Urubu (2021), de Luiz Roque (Cachoeira do Sul, RS, 1979). Integrante do acervo do museu e exibido na 59ª Bienal de Veneza (2022), o trabalho filmado em Super 8 tem curadoria de Ana Paula Lopes.
Capturado da janela do apartamento onde o artista reside, no centro de São Paulo, durante o período de isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, o vídeo exibe em loop o voo solitário de um urubu entre as torres do centro de São Paulo. Silenciosa, a projeção contrasta a imponência arquitetônica com a presença da ave de rapina, criando uma atmosfera carregada de estranhamento, tensão e proximidade com a morte.
Roque usa o filme Super 8 para o trabalho, formato de filme cinematográfico analógico de 8mm de largura, lançado pela Kodak em 1965. De cartuchos leves e práticos, tornou-se muito popular para registros domésticos e filmes amadores entre as décadas de 1960 e 1980, antes de perder espaço para as fitas de vídeo, como o VHS. Em paralelo, o Super 8 se tornou um suporte vastamente explorado pela videoarte entre as décadas de 1960 e 1970.
A apresentação de Urubu na Pina Luz propõe um ajuste expográfico no espaço da Sala de Vídeo: para favorecer a imersão na temporalidade e no ritmo da imagem em movimento, parte considerável das cadeiras foi removida, mantendo-se apenas duas fileiras ao fundo da sala, destinadas prioritariamente à acessibilidade do público. A escolha espacial convida os visitantes a fruir de pé o fluxo incessante do filme, cuja estrutura em loop oculta os pontos de início e término do vídeo.
“A imagem em movimento se integra a uma elaboração espacial em que os conflitos do presente encontram novas formas de aparecer, tornando-se um campo de experimentação contínua, capaz de investigar não apenas seus próprios limites, mas também as estruturas que a atravessam e a constituem”, analisa Ana Paula Lopes.
O trabalho de Luiz Roque habita as fronteiras entre o cinema, as artes visuais e a teoria crítica, valendo-se frequentemente do gênero da ficção científica, da biopolítica do corpo queer, do legado modernista e da cultura pop para investigar relações de poder. O artista também atravessa, nas últimas décadas, diferentes territórios por meio de uma prática visual que transita entre a imagem em movimento, a escultura e a instalação.
Ao registrar a ave planando sobre a paisagem deserta da metrópole em um momento de crise sanitária, a obra estabelece um paralelo poético e atmosférico com o clássico Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, tensionando as noções de confinamento, vigilância e liberdade. Entretanto, se os pássaros no filme de 1963 produziam uma gritaria ensurdecedora para anunciar o apocalipse, o Urubu de Roque é totalmente mudo e confronta o espectador com o vazio.
A exibição de Urubu insere-se ainda na estratégia curatorial da Pinacoteca de conectar a programação da Sala de Vídeo às demais mostras temporárias do edifício Pina Luz, tecendo diálogos temáticos em torno da morte, do místico e da finitude humana com as exposições dedicadas aos artistas Ismael Nery (1900-1934) e Luana Vitra (1995), que também inauguram na primeira semana de setembro.
Sobre o Artista
Luiz Roque (Cachoeira do Sul, RS, 1979) vive e trabalha em São Paulo. Com formação em Teoria e Crítica de Arte pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), transita por filme, vídeo, fotografia e videoinstalação. Sua pesquisa investiga, entre outras vertentes, o cruzamento entre a ficção científica, a biopolítica do corpo queer, a cultura pop e o legado do modernismo, propondo narrativas imageticamente sensuais que tensionam o controle estatal, a tecnologia e as micro e macro relações de poder. Sua obra participou da 59ª Bienal de Veneza (2022), da 32ª Bienal de São Paulo (2016) e da 1ª Bienal de Riga (2018), além de exposições coletivas em instituições como o MASP, MoMA PS1 (Nova York), Tate Modern (Londres) e Kunsthalle Viena. Realizou mostras individuais no KW Institute for Contemporary Art (Berlim, 2024), PROA21 (Buenos Aires, 2022), Pivô (São Paulo, 2020), New Museum (Nova York, 2019) e MAC Niterói (2018).
Sobre a Sala de Vídeo
A Sala de Vídeo, localizada no 1º andar edifício Pina Luz, é um importante espaço dedicado à difusão e exibição de obras audiovisuais que discutem questões da arte contemporânea e da sociedade por meio da imagem em movimento, promovendo interlocuções diretas entre o acervo de videoarte da Pinacoteca de São Paulo e novas pesquisas artísticas. O espaço integra a programação anual do museu, recebendo por ano dois trabalhos audiovisuais do acervo e ampliando a visibilidade de seus vídeos e filmes.
Sobre a Pinacoteca de São Paulo
A Pinacoteca de São Paulo é um museu de artes visuais com ênfase na produção brasileira do século XIX até a contemporaneidade e em diálogo com as culturas do mundo. Museu de arte mais antigo da cidade, fundado em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, vem realizando mostras de sua renomada coleção de arte brasileira e exposições temporárias de artistas nacionais e internacionais em seus três edifícios: a Pina Luz, a Pina Estação e a Pina Contemporânea. A Pinacoteca também elabora e apresenta projetos públicos multidisciplinares, além de abrigar um programa educativo abrangente e inclusivo. A B3, a bolsa do Brasil, é Mantenedora da Pinacoteca de São Paulo.
Serviço
Urubu de Luiz Roque
Período: 05.09.2026 - 31.01.2027
Pinacoteca de São Paulo
Edifício Pina Luz | Sala de Vídeo - 1º andar
Praça da Luz, 2, São Paulo — SP
De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h)
Ingressos: Gratuito aos sábados | R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada) — ingresso único com acesso aos três edifícios, válido somente para o dia marcado no ingresso.
2º domingo do mês: Gratuidade oferecida pela Mantenedora B3.