Exposição "Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira"
Exposição

Exposição "Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira"

Exposição

  • Nome: Exposição "Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira"
  • Abertura: 07 de abril 2026
  • Visitação: até 05 de julho 2026

Local

  • Local: Itaú Cultural
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Av. Paulista, 149, Bela Vista – São Paulo, SP

Itaú Cultural revisita legado artístico de Mestre Didi em exposição estética, espiritual e intelectual


Exposição no Itaú Cultural revisita legado de Mestre Didi e destaca sua atuação como artista, pesquisador e religioso



A mostra Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira percorre cinco décadas da produção do artista-sacerdote. Dividida em núcleos temáticos, ela apresenta novas interpretações de sua atuação artística, política e religiosa. Em três andares reúne, esculturas, arquivos, registros documentais, objetos e obras de outros artistas do modernismo afro-brasileiro e de gerações seguintes em diálogo com o mestre


Deoscóredes Maximiliano dos Santos nasceu em Salvador em 1917. Morreu na mesma cidade em 2013, passados 96 anos, conhecido nacional e internacionalmente como artista-sacerdote Mestre Didi. No dia 8 de abril deste ano, o Itaú Cultural (IC) abre a exposição Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira, primeira grande mostra individual do artista no Brasil em mais de 15 anos. No total, os pisos 1, -1 e -2 do IC reúnem cerca de 200[CD1.1] peças. A mostra encerra em 5 de julho.


Mestre não está só: às suas 50 esculturas expostas, somam-se livros, fotos, produções carnavalescas, esboços, anotações e cartas do acervo documental da Sociedade de Estudos da Cultura Negra no Brasil (SECNEB), fundada por ele e que está aos cuidados do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo. Há, também, materiais audiovisuais produzidos pela equipe do IC. Ainda, a mostra joga foco no diálogo traçado em sua obra com outros modernistas afro-brasileiros e artistas das gerações seguintes que beberam de sua fonte. São 16 – cinco deles comissionados, como Nádia Taquari, Goya Lopes e artistas do Ilê Asipá, terreiro fundado por Mestre Didi, onde exerceu sacerdócio como Alapinie (veja mais abaixo a lista de todos os artistas).


Esta exposição é uma evolução de mostra realizada no Museo del Barrio, em Nova York, em 2025, que exibiu 30 esculturas de Mestre Didi. A curadoria foi do artista visual, curador e pesquisador Thiago Sant’Ana, que agora assina a assistência curatorial da mostra brasileira. Em São Paulo o projeto tem concepção e realização do Itaú Cultural, curadoria de Ayrson Heráclito e Rodrigo Moura e expografia assinada por Francine Moura. 


Ao reunir esculturas, arquivos e produções modernas e contemporâneas, a exposição atualiza o debate sobre a inserção de Mestre Didi no circuito da arte, destacando sua atuação como artista, pesquisador e sacerdote, e suas relações entre forma, rito e linguagem no contexto da arte brasileira.


O ambiente expográfico organiza o percurso em ilhas assentadas sobre bases de terra, elemento associado ao universo simbólico religioso de Didi. Assim, aproxima instrumentos rituais das estratégias formais da escultura, propondo pontos de observação que cruzam dimensões materiais, históricas e linguísticas. 


Espaço expositivo

Entrando na exposição pelo primeiro andar, o visitante é recebido por uma obra monumental da artista baiana Nádia Taquary, criada especialmente para esta mostra. Ela se assemelha a Ìrókò: A árvore cósmica, de sua autoria, exposta na mais recente Bienal de São Paulo. 


É neste piso que se encontra o eixo das Formas Sagradas. Aqui, as obras de Mestre Didi, derivadas dos objetos litúrgicos, dialogam com outras de artistas consagrados como Abdias Nascimento e Rubem Valentim. O visitante encontra obras baseadas nos formatos do xaxará, ligado a Obaluaê, e do ibiri, que remete a Nanã Buruquê. As esculturas combinam simbologias, articulando temas como cura, fertilidade, morte e ancestralidade, em peças reinventadas pelo Mestre.  


Outros três eixos compõem este piso: Orixás, Cetros e Modernismos afro-brasileiros. O primeiro apresenta esculturas que incorporam e reinventam símbolos dos orixás, com novas configurações visuais baseadas em suas mitologias. O segundo reúne cetros criados por Mestre Didi a partir das nervuras das folhas de dendezeiro, alguns em grande escala. Neste núcleo, as peças dialogam com o uso ritual, mas se expandem em formas escultóricas complexas, evocam árvores, ancestrais e símbolos afro-brasileiros. 


Por fim, o visitante encontra obras de artistas afro-brasileiros cujas trajetórias dialogam com a de Didi, especialmente na Salvador das décadas de 1960 e 1970.  Este eixo revela como eles usaram estéticas da diáspora africana para criar linguagens modernas, desafiando a centralidade europeia no Modernismo e explorando identidade, negritude e inovação formal.


Piso -1

Aqui, os eixos são Novas Direções, Bichos, Rituais e novamente Modernismos afro-brasileiros. O foco está em cinco artistas do Ilê Asipá, terreiro fundado por Didi em Salvador, reunidos em LEGADO E OLÓRIN TÍ A BÍ NÍ ILÉ ÀSÍPÀ. Todos apresentam obras comissionadas para a exposição. Antonio Oloxedê, neto de Mestre Didi, atua com o restauro das obras do avô e seguiu seu legado produzindo esculturas; Kleyson Otun Elebogi, apresenta a obra Awô Software, impressão de fotografia a laser em placa de metal mista; Jurandy Sobrinho e André Otun Laran expõem trabalho de arte têxtil e Edivaldo Bolagi, assina uma instalação sonora. 


Novas direções apresenta a experimentação material de Didi com dendezeiro, ráfia, couro, búzios, cabaças e peles, transformados em figuras, objetos e joias.  Bichos reúne esculturas que incorporam pássaros, serpentes e outras formas zoomórficas, associadas aos diferentes panteões dos orixás. Rituais traz fotografias de Arlete Soares, que documentam o candomblé a partir de sua vivência e pesquisa. Trata-se de imagens de rituais, sacerdotisas, egunguns e celebrações, além de registros que conectam o candomblé à diáspora iorubá, incluindo fotos feitas no Benin durante intercâmbios culturais.


Piso -2

O segundo subsolo é dedicado ao acervo biográfico e documental, com pesquisa do assistente curatorial Thiago Sant’Ana. Além das obras físicas, a exposição conta com um documentário produzido em Salvador no final de 2025 pela equipe Itaú Cultural. O filme reúne entrevistas com familiares, como Inaicyra Falcão, educadora e filha de Didi, curadores e membros do Ilê Asipá. Instalações sonoras remetem à vivência do terreiro, como o som de máquinas de escrever e de instrumentos rituais. Há também glossário de termos em Iorubá e textos de parede que contextualizam a polifonia de Mestre Didi como artista, pesquisador e líder espiritual.


Artistas

Núcleo Modernismos afro-brasileiro, no primeiro andar da exposição:


Abdias do Nascimento

Homenageado pela 33ª edição do programa Ocupação, realizada em 2016 no IC. 

Agnaldo dos Santos

Arlete Soares

Aurelino dos Santos

Teve obras expostas na mostra Bispo do Rosário: eu vim - aparição, impregnação e impacto, no IC, em 2022

Ayrson Heráclito

Também tem uma obra, Bori Cabeça de Ogum (2009), exposta em  Brasil das Múltiplas Faces no Espaço Milú Villela no sétimo andar do IC

Emanoel Araújo

Goya Lopes

Participa da exposição com obra comissionada. Também fez parte de Artistas do vestir: uma costura dos afetos realizada em 2024/2025 no Itaú Cultural

Jorge dos Anjos

José Adário

Nadia Taquary

Participa da exposição com obra comissionada. Também fez parte de Artistas do vestir: uma costura dos afetos realizada em 2024/2025 no Itaú Cultural

Rubem Valentim

Também tem uma obra, Emblema (1968), exposta em  Brasil das Múltiplas Faces no Espaço Milú Villela no sétimo andar do IC


Todos estes artistas têm verbete na Enciclopédia Itaú Cultural.


Núcleo Legado, do terreiro Ilê Asipá, com obras comissionadas e produzidas para a exposição:


Antonio Oloxedê (Escultura)

Kleyson Otun Elebogi (Fotografia)

Maxodi Jurandi (Tecidos)

André Otun Laran (Quadro com tecidos)

Edivaldo Bolagi (Vídeo-instalação)


Serviço

Mestre Didi – invenção e ancestralidade na arte afro-brasileira


abertura

terça 7 de abril de 2026 | 19h

apresentação da cerimônia tradicional Oro Ojés pelo terreiro Ilê Asipá


visitação

de 8 de abril a 5 de julho de 2026

terça a sábado | 11h às 20h

domingos e feriados | 11h às 19h

pisos 1, -1 e -2


Entrada gratuita


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