Exposição "Manhaba’u: onde toca o invisível"
Exposição

Exposição "Manhaba’u: onde toca o invisível"

Exposição

  • Nome: Exposição "Manhaba’u: onde toca o invisível"
  • Abertura: 22 de junho 2024
  • Visitação: até 20 de julho 2024

Local

  • Local: Millan Art
  • Evento Online: Não
  • Endereço: R. Fradique Coutinho, 1430 - Pinheiros, São Paulo - SP

EXposição "Manhaba’u: onde toca o invisível"

GUSTAVO CABOCO

Gustavo Caboco (1989, Curitiba/Roraima, Brasil) apresenta sua nova exposição na Millan: Manhaba’u: onde toca o invisível, na qual manifesta seu pensamento sobre a memória e a luta indígena histórica e contemporânea. Ao reunir pinturas, bordados, objetos e instalações, na maioria inéditos, o artista propõe reflexões sobre o tempo e a memória da Terra, as relações de consumo e a crise climática, as histórias dos fios e da costura como forma de resistência do povo Wapichana. Seu trabalho destaca o que ele denominou “coma colonial”: violências e legados colonialistas escancarados que, no entanto, por serem naturalizados, costumam passar despercebidos.

Um dos cocuradores do Pavilhão Hãhãwpuá — que representa o Brasil na Bienal de Veneza, atualmente em cartaz na Itália —, Gustavo Caboco é um artista do povo Wapichana cuja produção se desdobra nas áreas das artes visuais, do cinema e a da literatura. Manhaba’u é exemplo de como essas diferentes linguagens se entrecruzam em sua prática.

Entre os pontos de partida dessa nova exposição está o livro Literatura do invisível. Publicado em 2023 pela Picada Livros — selo independente fundado pelo artista —, trata-se de um ensaio-manifesto que propõe um diálogo com os diversos seres literatos da Terra, lidando com questões dos direitos indígenas e ambientais. De autoria de Caboco, a publicação foi produzida após o convite da Fundação Bienal de São Paulo para que ele realizasse uma pesquisa sobre a presença — ou a ausência — indígena no arquivo da instituição. “Nesse contexto expositivo, a publicação torna-se objeto-curatorial e embasa o pensamento expográfico e a seleção de obras apresentadas”, explica Caboco.

O enfoque na perspectiva wapichana para combater apagamentos, além de debates sobre a memória e a transformação das culturas indígenas, é perceptível em obras concebidas especialmente para a mostra. A série AMAZAD, bordada por Lucilene Wapichana, mãe do artista, trata das relações com o tempo e a memória da Terra. “Numa das obras da série, Gravidez-gravidade e as doenças do mundo (2024), há uma figura feminina prenha do planeta Terra”, comenta Caboco. “Se a Terra é mãe, existe também uma Mãe da Terra (2024), e essas doenças do consumo, das medicinas e vazios, estão representadas na obra”.

A fricção entre o modo de vida capitalista e as comunidades wapichana também é um tema explorado na exposição, perpassando a instalação Roraimarte II (2024) e a série de pinturas que retratam elementos considerados sagrados pela cultura indígena (como milho, café e erva-mate) que foram convertidos em produtos industrializados.

Em Costura é resistência indígena (2024), seis objetos do ateliê de costura de Lucilene Wapichana são preservados em resina com suas respectivas fichas catalográficas e dispostos sobre bases feitas de pedaços de castanheira amazônica, madeira recuperada da apreensão de desmatamento ilegal. Se a introdução da máquina de costura nas comunidades wapichana foi uma imposição colonialista, a criação de fios, os fusos e a costura sempre foram parte da cultura desse povo. E a apropriação dessa ferramenta tornou-se um método de resistência e autonomia para mulheres indígenas — nesse sentido, a obra também aponta para o lado pessoal, uma vez que, crescendo no Paraná, o artista aprendeu as histórias do seu povo no ateliê de costura de sua mãe.

Manhaba’u: onde toca o invisível trata de “pensar o invisível a partir de meu lugar de origem, mas também nos conectar com essas linhas invisíveis que nos tocam, buscando, assim, propor ações de formação e fortalecimento de nossa presença e relação com a Terra”, resume Gustavo Caboco.

A exposição abrange os desdobramentos de diversos projetos desenvolvidos pelo artista ao longo dos últimos meses. Em uma parceria com o SDCELAR, do British Museum, na Inglaterra, o artista investigou a presença de objetos wapichana em instituições museológicas e promoveu o Ateliê lavrado, em 2023, fortalecendo o saber da costura e o diálogo da comunidade em aldeias no Brasil. Gustavo Caboco assina a curadoria do Pavilhão Hãhãwpuá, o pavilhão do Brasil na 60ª Bienal de Veneza, na Itália, ao lado de Arissana Pataxó e Denilson Baniwa.


Serviço

Abertura

Sabado 22 de junho 11h - 15h

Rua Fradique Coutinho, 1360 São Paulo, Brasil

Exposição até 20 de julho.

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