Exposição “Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia”
Exposição

Exposição “Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia”

Exposição

  • Nome: Exposição “Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia”
  • Abertura: 14 de setembro 2023
  • Visitação: até 04 de novembro 2023

Local

  • Local: Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Rua Major Rubens Vaz, 414, Gávea, Rio de Janeiro

Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia


Artista referência da chamada Geração 80, Jorge Guinle (1947-1987) criou pontes e sínteses não apenas em sua pintura, em que relacionava o expressionismo abstrato e a arte pop produzidos nos EUA, vertentes aparentemente conflitantes da arte, mas também na cena artística do início dos anos 1980, convivendo, escrevendo textos e análises sobre o trabalho dos jovens artistas. A exposição, que reúne aproximadamente 85 obras suas, entre pinturas e desenhos – ainda pouco conhecidos – inaugura um pavilhão expositivo construído no terreno da Danielian Galeria, que acrescenta 600 metros quadrados aos 900 metros quadrados da casa principal da instituição.


Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro

Abertura: 14 de setembro de 2023, das 18h às 21h 

Até: 04 de novembro de 2023

Curadoria: Marcus Lontra Costa e Rafael Peixoto

Entrada gratuita



A Danielian Galeria apresenta a exposição “Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia”, com mais de 85 obras, entre pinturas em óleo sobre tela e desenhos, do pintor Jorge Guinle (1947–1987), considerado um dos principais artistas brasileiros do século 20, com relevância internacional no âmbito da abstração, e uma referência para a chamada Geração 80. As obras são oriundas de diversas coleções particulares.  A exposição tem curadoria de Marcus Lontra Costa e Rafael Peixoto.


Marcus Lontra destaca que Jorge Guinle“ é um dos artistas fundamentais para a Geração 80”.“Ele foi uma referência. Para aqueles artistas, ele era o grande pintor internacional culto. É o pintor da tensão entre o expressionismo abstrato e a arte pop produzidos nos EUA,vertentes que parecem conflitantes mas que na verdade servem de provocação para a ação contemporânea. É por isso que Jorge Guinle, hoje, é um artista extremamente contemporâneo, porque busca sínteses e pontes entre essas questões. Era uma pessoa brilhante”. Rafael Peixoto complementa, assinalando que “a obra de Guinle não tem apenas importância local, mas também relevância internacional no que se refere tanto à gestualidade da pintura como na relação com um processo de abstração, herdeiro da actionpainting [pintura abstrata e gestual] e também do expressionismo”. 


A mostra inaugura a expansão da Danielian Galeria, que construiu um novo pavilhão expositivo em seu terreno, em que o salão térreo reforça a ideia do cubo branco e mede 200 metros quadrados, com pé direito de 4,5 metros. O segundo andar, ainda fechado à visitação, tem mais 200 metros quadrados de área expositiva, com pé direito de três metros de altura.Com esta nova edificação, a Danielian Galeria ampliou seu espaço expositivo em 600 metros quadrados, que se somam à área da casa principal, de 900 metros quadrados. “A nossa proposta é ampliar não só o espaço, para receber exposições. É também fornecer meios de apresentar ao público e aos colecionadores a diversidade artística brasileira”, afirma Ludwig Danielian, sócio da Galeria. “Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia” vai ocupar todo o espaço expositivo da casa principal e o salão térreo na nova construção. 


PINTURAS DOS ANOS 1980 E DESENHOS DOS ANOS 1960 E 1970

Marcus Lontra Costa – que, junto com Paulo Roberto Leal (1946-1991) e Sandra Magger (1956-2018), foi um dos curadores da histórica mostra “Como Vai Você, Geração 80?”, em 1984, na EAV Parque Lage – e Rafael Peixoto selecionaram aproximadamente 45 pinturas, em óleo sobre tela, produzidas na década de 1980, como as em grande formato, com dois metros ou mais de comprimento: “Diurno” (1983), “O coringa” (1984), “Cavalo de tróia” (1986),“O corpo” (1987),“Yasmin” (1987) e “Macunaíma” (1987). Há ainda pinturas dos anos 1960, como “Sem Título” (1966), óleo sobre tela. 


Representante da obra do artista, a Danielian Galeria é responsável, há cerca de três anos, por cuidar do acervo pessoal de Guinle, composto por mais de sete mil desenhos, ainda pouco conhecidos, além de outros objetos do artista, que pertenciam ao fotógrafo Marco Rodrigues, seu companheiro. Para a exposição foram selecionados cerca de 40 desenhos, em diferentes técnicas, criados entre os anos 1960 e 1980.


A união entre Marco Rodrigues e Jorge Guinle é símbolo da conquista dos direitos LGBTQIA+ no Brasil, por ter sido a primeira união homoafetiva reconhecida pela justiça brasileira, abrindo jurisprudência para o assunto.


SÍNTESE ENTRE GERAÇÕES E MOVIMENTOS DA ARTE

Marcus Lontra observa que “a questão fascinante sobre Jorge Guinle é que ele no início dos anos 1980 agiu também como um intermediador entre a tradição experimental brasileira muito forte na década anterior, e uma liberdade pictórica de caráter quase hedonista da nova geração”. “Ele compreendeu e buscou esta síntese, em uma estreita convivência com os novos artistas, escrevendo textos e análises sobre esta geração”. “Elenão é um artista dos anos 1980, mas um dos fomentadores desse pensamento que embasa a produção artística daquele período”, complementa o curador. “Jorge Guinle consegue circular nesta fresta dos anos 1980, entre uma produção muito intensa e muito importante da geração anterior, que apanhou por seu trabalho conceitual, e a galera jovem, entendendo este processo”, explica.“Como ele tinha uma bagagem muito sólida de arte, a contaminação com os artistas da Geração 80 foi bem-vinda, alimentava seu trabalho, e isso se reflete em sua produção entre 1983 e 1986. Ele vive este ambiente, mas nunca iria deixar ser um homem bem-informado, com grande embasamento na arte”. 


LIBERDADE COMO FONTE DE EXPRESSÃO

Rafael Peixoto salienta que “Jorge Guinle teve uma formação visual primorosa”. “Adolescente, em Paris, vivia dentro de museus. Tinha dentro dele, totalmente consolidada, a tradição da pintura europeia e entendia a arte de uma maneira bem ampla. Já em Nova York, o contato com a pop talvez tenha sido fundamental para se libertar dessa tradição. Apesar de todo esse arcabouço e essa consciência de um passado artístico, ele conseguiu fazer uma obra que negava qualquer formalismo – era gestual, vivencial. Algumas fotos dos anos 1980 mostram Jorginho em seu ateliê em Copacabana pintando só de cueca. Eu acho isso muito simbólico; é como se ele se despisse de toda máscara e bagagem cultural e se jogasse à pintura como num voo sem paraquedas. A arte como uma aventura em que a liberdade é a fonte da expressão”. 


Lontra complementa que Jorge Guinle “pintava com o movimento do corpo, de uma maneira muito consistente, como uma ação de pintura. Era um pintor da energia, como um ato performático. Ele vivia o senso da urgência, pintava muito, vivia tudo muito intensamente.” “Essa força criativa e a qualidade de suas obras insere sua curta produção de pintura, realizada principalmente entre anos 1980 e 1987, entre os importantes movimentos da abstração gestual internacional que acontecem na segunda metade do século 20”. 


UMA PINCELADA CERTA VALE MAIS DO QUE UMA BOA IDEIA

O título para a exposição foi retirado pelos curadores de um dos textos presentes nesse acervo, escrito por Guinle em 1985 para a exposição “3 Foragidos”, em que participou junto com Milton Machado e Nelson Félix, na Galeria de Arte e Pesquisa da UFES, em Vitória. A frase, além de funcionar quase que como um manifesto,mostra a ação de Guinle não só como artista, “mas também como escritor de textos críticos de grande relevância na época, e revela a tônica que marca a importância central da pintura para toda uma geração de artistas”, diz Rafael Peixoto.


Jorge Guinle nasceu em 1947, em uma tradicional família da elite carioca e teve uma formação cultural e intelectual cosmopolita, intercalando períodos entre Paris, Londres, Nova York e Rio de Janeiro. Desenvolvendo-se na arte como autodidata desde a pré-adolescência, Guinle assimilou de forma sensível e profunda diversas referências da cultura ocidental, mesclando a tradição da pintura francesa, a vitalidade das vanguardas norte-americanas e a espontaneidade brasileira.


No Brasil, Guinle passou a fazer parte mais ativa do cenário cultural na década de 1980. Foi uma das figuras de maior destaque na histórica exposição “Como vai você geração 80?”, influenciando diversos artistas desse período. 


Sua pintura é marcada pela gestualidade em uma relação sensual com o ato de pintar.  Seu desenho, ainda pouco conhecido, reflete um espírito inquieto e atento ao mundo à sua volta. Seus textosdemonstram a profundidade intelectual desse pintor, que, apesar da morte prematura com apenas 40 anos de idade, está entre os principais artistas brasileiros do século 20.


SERVIÇO:

Exposição “Jorge Guinle – Uma pincelada certa vale mais do que uma boa ideia”

Abertura: 14 de setembro de 2023, das 18h às 21h 

Até: 04 de novembro de 2023

Danielian Galeria, Gávea, Rio de Janeiro

Rua Major Rubens Vaz, 414, Gávea, Rio de Janeiro, CEP 22470-070 

Segunda a sexta-feira, de 11h às 19h

Sábados, de 11h às 17h

Telefones: +5521.2522.4796 e +55 (21) 98802-8627 

contato@danielian.com.br

https://www.danielian.com.br/ 

https://www.instagram.com/danielian_galeria/ 






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