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Exposição "Jazzmatazz – todos meus manos ouvem jazz” do artista Pegge
Exposição

Exposição "Jazzmatazz – todos meus manos ouvem jazz” do artista Pegge

Exposição

  • Nome: Exposição "Jazzmatazz – todos meus manos ouvem jazz” do artista Pegge
  • Abertura: 27 de junho 2024
  • Visitação: até 10 de agosto 2024

Local

  • Local: MITS Galeria
  • Evento Online: Não
  • Endereço: R. Padre João Manoel, 740 - Jardins, São Paulo

MITS Galeria abre no Jardins com individual de Pegge

 

Mostra pontua abertura do novo espaço e marca o primeiro ano da galeria 


Em celebração a um ano de atividades, a MITS Galeria abre as portas em 27 de junho, no bairro do Jardins, em São Paulo, com a individual “Jazzmatazz – todos meus manos ouvem jazz” do artista Pegge. Para a abertura, o artista vai apresentar 15 obras inéditas, cujo foco é uma temática que ele considera um dos pontos mais importantes em suas abordagens: a recuperação do jazz enquanto um movimento voltado pessoas periféricas e o de poder inserir, nesse cenário, a questão do pertencimento de ambas as partes. Sob a curadoria de Carollina Lauriano, a mostra segue em cartaz na galeria até 10 de agosto.  

Pegge, cria da Zona Leste paulistana, encontrou seu caminho na música, principalmente no jazz e, também, na arte. Um caminho sem volta para um perfil que já nasce estereotipado e julgado apenas pelo local onde viveu e que, contrariando todas as más expectativas, encontrou no jazz, segundo Carollina, a rota para a erudição. Para sua nova exposição individual, o artista Pegge se debruça em criar um universo pictórico que apresenta como o gênero musical do jazz foi um precursor revolucionário para a comunidade negra, e como suas bases seguem inspirando as novas gerações do rap, trap e funk. Para além de só uma imersão no estilo musical, a exposição coloca a biografia do próprio artista em relação aos grandes nomes da música, como Sun Ra e Miles Davis, mostrando como a cultura marginal alicerçou grandes movimentos culturais”, diz Lauriano.  

Entre os trabalhos que serão apresentados na mostra, destaque para “Inspirações de Sun Ra” que, segundo conta Pegge, “era um músico de jazz que acreditava ser um ser de outro planeta, espaço e tempo, e falava em suas músicas e composições sobre filosofias cósmicas e um pioneiro do movimento Afrofuturista.” Nessa obra, o artista sintetiza elementos que Sun Ra falava ser suas inspirações. Em uma entrevista ele cita: “os planetas, o criador, deuses místicos, deuses reais, pessoas, flores, tudo na natureza e todos os músicos são inspirações pra mim.”  

Mesmo se apresentando como uma entidade de outro planeta, ainda assim, ele se inspirava em coisas mundanas, coisas que estavam a seu redor. Na obra, sintetizo Sun Ra como uma criança, mostrando a beleza e importância de se olhar em volta para se inspirar. Coisas simples viram grandiosas quando estamos aptos a absorvê-las como tal. Assim nasce a obra Inspirações de Sun Ra’”, explica Pegge 

Para Roger Supino e Guilherme Giaffone, sócios à frente da MITS, é um dos momentos profissionais mais importantes para ambos, é a realização de um sonho, como conta Roger. “Estamos em um momento bastante especial, de transição e, ao mesmo tempo de ampliação da MITS. Temos certeza de que estamos no caminho certo, pois com apenas um ano de trabalho, já conseguimos abrir nosso segundo endereço.” A MITS que ainda segue no outro endereço em um prédio comercial, na região da Barra Funda, continua em funcionamento, mas agora apenas como escritório, com foco na geração de novos negócios.  

A arte jovem, resiliente, de resistência e de luta de artistas como Pegge é parte desse momento da MITS que vem aprofundando o lado artístico desses novos talentos, provocando temas relevantes e atuais. Nas palavras de Roger, faz muito sentido Pegge ser o primeiro a ter uma individual, principalmente, na abertura da galeria. “Trazer um artista como ele para a primeira exposição é mais uma convicção de que estamos acertando nas escolhas, pois só reafirma o que temos buscado ao longo desse primeiro ano de trabalho: que a MITS seja uma voz dessa nova geração que começa a entrar no universo das artes e, vai além: o artista tem obras no acervo do MASP, ou seja, é uma potência”, conta Supino 

Pegge faz coro à fala de Roger. “Estou muito feliz com esse novo passo da MITS e de fazer parte disso como a primeira individual. Sinto que os dois lados estão se movimentando muito para fazer tudo acontecer como deve, desde a montagem da exposição a detalhes da abertura. Vai ser uma exposição que vai falar muito sobre um referencial para uma comunidade e a MITS abrir esse espaço pode ser uma referência futura muito forte.” E completa: “Venho estudando muito as possibilidades de obras e as referências são, em grande parte, da minha história com o estilo musical. Então, fica fácil buscar o que preciso em mim mesmo para mostrar essa visão. Espero que a MITS e eu possamos alçar longos voos com essa exposição, tanto artística quanto profissionalmente”, finaliza Pegge 

Descrição obra 

  • Obra “Inspirações de Sun Ra”_Óleo sobre tela_Medidas: 220x160cm 

 

SERVIÇO  

Exposição Jazzmatazz – todos meus manos ouvem jazz  

Curadoria de Carollina Lauriano  

Local: MITS Galeria  

Endereço: R. Padre João Manoel, 740 - Jardins, São Paulo  

Abertura: 27 de junho – das 18h às 23h 

Período expositivo: 28 de junho a 10 de agosto  

Horário de funcionamento: de segunda à sábado das 10h às 20h | Domingos das 12h às 18h 

 

PEGGE - @pegge_ 

Pegge, criado na Zona Leste de São Paulo, se define orgulhosamente como ‘menino prodígio criado sem pai’. Tem uma trajetória repleta de superação. Encontrou refúgio e aprendizado na música, principalmente no jazz, e, claro, na arte. A busca pela reinvenção é uma constante, já que grande parte de suas pinturas foram criadas em cima de outras obras pré-existentes que já não faziam mais sentido ou melhor, que tiveram o sentido renovado com novas camadas de pincel e criatividade.  

Carollina Lauriano - @carollinalauriano  

Formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo, Carollina Lauriano vive e trabalha em São Paulo, cidade onde nasceu em 1983. Tem extensão em Pesquisa em arte, design e moda pela Central Saint Martins/ual, atuando como curadora independente desde 2017. Em suas pesquisas, interessa discutir formas poéticas de habitar o mundo, a partir de uma perspectiva de gênero, étnico-racial e identitária, interseccionando esses temas com uma agenda decolonial ecológica, a fim de impulsionar ações para a construção de um futuro sustentável, recriando novas formas de sociabilidade e reconfigurando as relações de poder. Entre 2018 e 2020 atuou como gestora do Ateliê397, um dos principais espaços independentes de arte de São Paulo. Em 2021, coordenou o programa da residência artística da Usina Luis Maluf. Atuou como curadora adjunta da 13ª. edição da Bienal do Mercosul, mostra que aconteceu em Porto Alegre em 2022 

MITS - @mits.galeria 

Criada há cerca de um ano, em 2023, pelos jovens empreendedores Roger Supino e Guilherme Giaffone, é uma galeria de arte na qual exposições, individuais e coletivas, visam reaproximar a arte ao criar maior interação entre artista e público, conectando quem produz com uma nova geração de potenciais colecionadores e apreciadores. Trazer uma visão jovem, ser uma referência para a nova geração e potencializar esse mercado em âmbito nacional, democratizando cada vez a arte, está entre os objetivos da galeria que possui em seu acervo mais de 400 obras de centenas importantes nomes do cenário das artes nacional. Assim, a MITS atua na comercialização no mercado secundário de obras, na criação de projetos para empresas ou de pessoas físicas que almejam ter algum tipo de arte personalizada, na qual atua tanto na intermediação quanto na curadoria e, também, na execução de eventos próprios e parceria com ONGs que promovem projetos sociais. 




Jazzmatazz - Todos meus manos ouvem jazz 

 

Carollina Lauriano 

 

Os americanos utilizam a expressão game changer para nomear pessoas, circunstâncias e eventos que provocaram uma virada em como as coisas até então funcionavam, provocando uma ruptura no nosso entendimento macro sobre determinado assunto. Nesse caso, o álbum Jazzmatazz pode ser considerado um desses eventos que inicia um marco na música, produzindo um efeito de antes e depois.  

 

Trinta e um anos atrás, o rapper Guru apresentou para o mundo, em sua estreia em carreira solo, um álbum que oferecia uma experiência musical que vinha da fusão entre o hip hop e o jazz. Uma atitude que para nós hoje parece muito acertada, mas que, até então, não havia sido experimentada.  

 

Não era suposto, pelo menos desde os dias das big bands, que o jazz tivesse sido pensado para ser escutado no mainstream, ou mesmo se tocado nas pistas de dança; não era suposto que o hip-hop fosse suave e sedutor; não era suposto que o funk travasse amizade com o jazz; e não era suposto que a conjugação destas peças fizesse sentido. Mas Guru ousou experimentar criar uma fusion entre os gêneros musicais, criando uma obra-prima da música, que segue inspirando novas gerações do rap, trap e funk a criar experimentações como se o passado se envolvesse com o presente, criando o futuro. 

 

Trago toda essa introdução, pois ela é um ponto de partida fundamental desta exposição individual do Pegge. Nela, o artista se debruça em criar um universo pictórico que apresenta como o jazz foi um precursor revolucionário para a comunidade negra. Para além de só uma imersão no estilo musical, a exposição coloca a biografia do próprio artista em relação aos grandes nomes da música, como Sun Ra e Miles Davis, mostrando como a cultura marginal alicerçou grandes movimentos culturais. 

 

Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, contrariando o que se espera de um corpo periférico, Pegge encontrou no Jazz um caminho para a erudição, aprendendo que a arte produzida por essa população vai além dos grafites nos muros. Longe de apontar que o grafite seja uma arte inferior, o ponto central dos questionamento de Pegge reside no movimento de olhar além do que se espera de certos grupos sociais. Inclusive, uma das indagações do artista é perguntar onde está o jazz nas periferias já que o movimento nasceu exatamente à margem? Ou porque seus "manos" não têm acessado esse tipo de conteúdo?  

 

Perguntas extremamente pertinentes, começando por toda uma cooptação do jazz pela branquitude, o que pode tê-lo afastado de um certo público, o que me retoma a pensar a importância de Jazzmatazz para não somente resgatar o gênero, mas também torná-lo novamente popular; trazê-lo de volta para suas raízes. Movimento que eu penso ser parecido com o que Pegge propõe para essa exposição.  

 

Ao longo do conjunto de pinturas inéditas que o artista criou para a exposição, podemos ver uma profusão de imagens que revelam uma série de personagens que intercalam uma ideia de passado, presente e futuro. Sim, as pinturas de Pegge possuem uma mítica surrealista que abre diversos campos de interpretação. Combinando figuração com elementos simbólicos que se repetem nas telas, as pinturas de Pegge evocam desde grandes nomes do jazz, como um nova geração em formação, à despeito do próprio jovem artista. Nesse sentido, é importante observar como ele se insere nas obras. Para além do autorretrato, Pegge está ali tanto como reconhecimento de pertencer a esses mundos, no plural, pois além de artista, Pegge também é músico autodidata.  

 

Combinando uma série de referências que vem de uma imersão profunda das raízes do jazz, do egito antigo, do budismo essa exposição é também uma reflexão de, nas palavras de Pegge: como um artista pode se manter relevante com o avanço do tempo e aprender como o tempo e a música correm lado a lado, me senti engajado a voar e compreender meu papel enquanto artista que pra mim é registar o tempo em que vivo e produzo". 

 

Dessa miscelânea de informações que o jazz trouxe para sua vida, Pegge criou para Jazzmatazz - Todos meus manos ouvem jazz uma linguagem lenta, sedutora, baseada em samples escolhidos a dedo e beats imaginativos. Seu amor pelo jazz é tamanho, que ele produziu uma exposição em que o jazz não fosse apenas um poço ao qual se ia buscar uma pequena amostra para, a partir desta, se criar uma nova pintura. Assim como Guru sonhou em criar uma uma linguagem única que unisse diversos gêneros formando uma nova batida, Pegge pintou como se o jazz, a soul, o funk, o hip-hop tivessem acabado de nascer agora e não fossem sequer gêmeos, mas uma coisa só. 

 

Uma exposição para ver com os ouvidos abertos.



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