Exposição individual "trágico subúrbio", de Paulo Pedro Leal
Exposição
- Nome: Exposição individual "trágico subúrbio", de Paulo Pedro Leal
- Abertura: 11 de abril 2026
- Visitação: até 08 de novembro 2026
Local
- Local: Pinacoteca de São Paulo
- Evento Online: Não
- Endereço: Praça da Luz, 2, Bom Retiro – São Paulo, SP.
Paulo Pedro Leal: trágico subúrbio
A primeira exposição institucional de Paulo Pedro Leal (1894 – 1968), pintor brasileiro autodidata, apresenta a obra deste artista que se dedicou à representação de cenas de guerras e conflitos sociais, de ritos da umbanda e paisagens rurais, e cuja vida reflete diversos aspectos da modernidade no país.
A mostra reúne mais de 50 pinturas realizadas entre as décadas de 1950 e 1960, em conjunto de trabalhos que demonstram o interesse de Leal pelas contradições que estruturaram o processo de modernização do Rio de Janeiro.
Paulo Pedro Leal passou anos vendendo suas obras no Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro. O artista se identificava como “pintor espiritual” e viveu às margens do circuito institucional da arte brasileira do século 20, até que em 1953 o marchand e galerista Jean Boghici passou a comercializar seus trabalhos. Sua produção artística inclui pintura histórica, paisagem, natureza-morta, cenas de macumba e a vida urbana no Rio de Janeiro, realizada a partir da observação do mundo ao redor e do contato com reproduções em livros e periódicos.
OBRAS E NÚCLEOS
A exposição começa com obras que evidenciam o interesse de PPL pelos gêneros da pintura ocidental, Afogamento de mendigos (1965) Naufrágio (1953) ainda que o artista os tenha aprendido fora dos circuitos institucionais. Na galeria, há trabalhos sobre naufrágios – grande interesse do artista, que foi estivador – e batalhas navais inspiradas em eventos da Primeira Grande Guerra.
Podem ser vistas ainda naturezas-mortas e uma série de paisagens, fruto da observação do avanço do subúrbio sobre o campo. Podem ser vistas obras como Batalha Naval/Bombardeio de um porto (1966), A casa do Capitão (1950) e Casal com frutas (sem data).
Em seguida, cenários de conflitos no Rio de Janeiro estão representados nas cenas de brigas de bar e assassinatos, que exploram o contraste de classe e questões raciais. Em destaque estão as obras Cirurgia moderna (1953), Crime no hotel (1965) – obra doada ao acervo do museu – e Afogamento dos mendigos (1965), que faz de Leal o único artista a retratar o maior escândalo público de violência de Estado pré-ditadura militar. Em 1963, sob o truculento governo de Carlos Lacerda, Jornais cariocas expuseram fotografias do Serviço de Repressão à Mendicância atirando pessoas em situação de rua no rio Guandu, em um episódio que ficou conhecido como “Operação Mata-Mendigos”.
Na terceira e última sala, estão presentes obras de cunho erótico, produto da observação de PPL da atividade dos bordéis da cidade. Além disso, podem ser vistas representações de festas profanas e religiosas, imagens sincréticas e macumbas, onde aparece seu notável esforço descritivo no intuito de explicar todos os componentes desse rito do qual foi sacerdote, como nas obras Candomblé (sem data) e Alegorias religiosas (sem data).
SOBRE PAULO PEDRO LEAL
Paulo Pedro Leal (1900 – 1968) foi um leitor assíduo de jornais, ex-estivador, empregado doméstico, iniciado desde cedo nos cultos jeje-nagô, vendedor ambulante de quadros e brinquedos de madeira e papelão no Passeio Público. PPL – abreviação criada pelo próprio artista e que depois passou a ser utilizada de forma corrente e afetuosa – construiu uma obra baseada sobretudo no fluxo da vida nas ruas, à margem dos circuitos institucionais da arte brasileira do século 20.
SERVIÇO
Local: edifício Pina Luz
Data: de 11 de abril até 8 de novembro de 2026
Endereço: Praça da Luz, 2, Bom Retiro, São Paulo — SP.
Horário de funcionamento: de quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados e segundos domingos do mês gratuitos.