Exposição individual "Território de Permanência", de Soberana Ziza
Exposição

Exposição individual "Território de Permanência", de Soberana Ziza

Exposição

  • Nome: Exposição individual "Território de Permanência", de Soberana Ziza
  • Abertura: 08 de março 2026
  • Visitação: até 03 de maio 2026

Local

  • Local: Centro Cultural São Paulo
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Rua Vergueiro, 1000, Paraíso – São Paulo, SP

Exposição de Soberana Ziza apresenta obras inéditas no Centro Cultural São Paulo sobre as matrizes do samba paulista


Intitulada Território de Permanência, a mostra articula memória, migração e samba paulista nas relações históricas entre interior e capital



Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a artista visual Soberana Ziza inaugura, em 7 de março, a exposição Território de Permanência no Centro Cultural São Paulo, marcando sua segunda mostra individual e a primeira em uma instituição pública. Com curadoria de Renata Felinto, reúne pinturas, desenhos, trabalhos em tecido, pintura mural e registros audiovisuais que emergem de uma extensa pesquisa de campo sobre as matrizes do samba paulista.


Mais do que uma coincidência de calendário, a proximidade com o 8 de março amplia as camadas de leitura de um projeto atravessado por narrativas negras e femininas, ancestralidade e heranças matriarcais. A exposição resulta de uma investigação sobre as conexões entre capital e interior, construída a partir da escuta de mestras e mestres em cidades como Piracicaba, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, Tietê e São Paulo, evidenciando como tradições culturais negras se deslocam, se reinventam e permanecem. Ao longo desse processo, a pesquisa também atravessa uma dimensão pessoal, ao migrar simbolicamente para um reencontro com a ancestralidade da própria artista, em diálogo com sua família, originária de Piracicaba.


"Essa exposição destaca as atuações do interior paulista nas manifestações culturais que acontecem em São Paulo. Ao longo da pesquisa, percebi que muitos dos grupos coletivos culturais negros que se estruturam na capital têm suas origens no interior. Ela também fala sobre os processos de migração e sobre a potência do interior paulista", afirma a artista.


A produção apresentada amplia procedimentos que Ziza vem desenvolvendo nos últimos anos, especialmente a investigação da imagem figurativa e das narrativas ausentes. Um dos núcleos da mostra retoma o uso do tecido voal com sublimação, suporte que opera visualmente a tensão entre presença e apagamento.


"O uso do voal parte da compreensão de que essa história nunca será contada de forma completa. A transparência cria camadas que revelam e ocultam ao mesmo tempo", explica. "O primeiro plano é sempre o futuro. Essas figuras aparecem como eternas, em protagonismo."


Além dos trabalhos em tecido, a exposição apresenta obras em madeira, material que, na poética da artista, evoca ancestralidade, enraizamento e continuidade. "A madeira traz a ideia da árvore. Essa personagem que trabalho é uma árvore: uma mulher que gera frutos. E o fruto que ela produz é a ancestralidade, o conhecimento, a memória."


Para a curadora Renata Felinto, a mostra propõe uma revisão crítica da memória cultural paulista. Ao articular diferentes linguagens, a exposição constrói uma leitura sensível dos territórios negros historicamente invisibilizados. Nesse gesto, o trabalho de Soberana Ziza atua como reinscrição histórica, entrelaçando estética, memória e experiência vivida. Ao ocupar o Centro Cultural São Paulo, a mostra tensiona narrativas oficiais e reafirma a presença negra como dimensão estruturante da cidade. "Soberana Ziza opera como uma arqueóloga de presenças, buscando indícios de uma continuidade mais que centenária que se manifesta não apenas no plano rítmico, mas nas formas de organização, nos vínculos comunitários e na patrimonialização da cultura. Em Territórios de Permanência, essa investigação se desdobra como uma pesquisa de fôlego, construída por entrevistas, anotações, deslocamentos e convivência, evidenciando a excelência de indivíduos e coletivos, sobretudo de mulheres, mestras e mantenedoras de saberes corpóreos, musicais e orais. A exposição se estrutura, assim, como uma monografia traduzida em visualidade, na qual a ampliação de procedimentos, técnicas e materialidades revela um corpo de pesquisa que se deixa ler por camadas e que ativa o encontro como dimensão central da experiência."


Ziza reforça o caráter político do projeto ao refletir sobre o papel da arte. "A arte, no Brasil, tem um papel fundamental de disputa de narrativa. Ela é uma ferramenta de memória, de denúncia, mas também de afeto e reconstrução."


A abertura contará ainda com o pocket show Tambú, da cantora Luana Bayô, cuja pesquisa musical dialoga diretamente com as matrizes do samba e do jongo, ampliando no espaço expositivo a experiência de escuta e partilha que atravessa o projeto.


Serviço

Exposição: Território de Permanência

Artista: Soberana Ziza


Local: Centro Cultural São Paulo – Piso Flávio de Carvalho

Endereço: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso – São Paulo


Abertura: 07/03/2026, às 18h

Visitação: 08/03/2026 a 03/05/2026


Terça a sexta, 10h às 20h

Sábados, domingos e feriados, 10h às 18h


Entrada: Grátis – Sem retirada de ingresso


A programação e horários podem sofrer alterações


Programação de abertura:

18h – Diálogo de apresentação com a artista Soberana Ziza e a curadora Renata Felinto

19h – Pocket show Tambú, com Luana Bayô


Acessibilidade:

O local conta com elevadores, rampas e banheiros adaptados.

As rodas de conversa terão interpretação em Libras.

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