Exposição individual "Ojú-Inú", de Ayrson Heráclito
Exposição
- Nome: Exposição individual "Ojú-Inú", de Ayrson Heráclito
- Abertura: 08 de agosto 2026
- Visitação: até 12 de setembro 2026
Local
- Local: Simões de Assis
- Evento Online: Não
- Endereço: Al. Lorena, 2050 A, Jardins – São Paulo, SP
Ojú-Inú
Ayrson Heráclito
A Simões de Assis apresenta a individual de Ayrson Heráclito, Ojú-Inú, em seu espaço em São Paulo. A partir da noção iorubá de Ojú-Inú — "olho interno" — Ayrson Heráclito apresenta um conjunto de obras atravessadas pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais que orientam sua prática artística.
Com texto crítico de Hélio Menezes, a exposição reúne cerca de 30 obras entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos. Compartilhando da ideia de percepção estética e espiritual formulada pelo historiador da arte Rowland Abiodun, Heráclito propõe um percurso em que matéria, memória, corpo e ancestralidade se articulam como formas de conhecimento e criação.
Realizada enquanto o artista integra a 61ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza, In Minor Keys, a mostra apresenta trabalhos inéditos que aprofundam questões centrais de sua pesquisa, estabelecendo diálogos entre ritual, história e imaginação.
Sobre Ayrson Heráclito
Ayrson Heráclito (Macaúbas, 1968). É artista, professor e curador. Possui doutorado em Comunicação e Semiótica pela PUC São Paulo, e mestrado em Artes Visuais pela UFBA. Com um olhar particular, a obra de Heráclito evidencia as raízes afro-brasileiras e seus elementos sagrados, projetando ações e práticas que compõem a história e a cultura da população negra.
Seus trabalhos transitam entre instalações, performances, fotografias e produções audiovisuais que lidam com as conexões entre o continente africano e as diásporas negras nas Américas. O corpo é um elemento central de sua pesquisa, empregando referências rituais, principalmente do candomblé, como dendê, carne, açúcar e sangue, buscando relacioná-los ao patrimônio histórico e arquitetônico ligado ao comércio escravista. Entre 2008 e 2011, produziu a série intitulada Bori, que significa oferenda à cabeça. A performance apresenta uma espécie de rito em que Heráclito oferece a comida sacrificial ligada a cada um dos 12 principais orixás. São utilizados alimentos como milho, pipoca, quiabo, arroz e fava, colocados em torno da cabeça de cada performer, que estão deitados em esteiras de palha e vestidos com roupas brancas.
Outro importante marco na carreira do artista foi Transmutação da Carne, iniciado em 1994. A obra surgiu a partir de um documento que descreve as torturas cometidas pelos senhores de engenho contra os escravizados. Em 2015, Heráclito reapresentou Transmutação da Carne durante a exposição Terra Comunal, da artista sérvia Marina Abramović (1946), no Sesc Pompéia, em São Paulo. Uma de suas principais pesquisas é Sacudimentos, sobre o tráfico negreiro entre a Bahia e o Senegal, realizada em 2015 e apresentada na 57ª Bienal de Veneza (2017). Composta por vídeos e fotografias, a obra é construída a partir de rituais de limpeza da Casa dos Escravos na Ilha de Goré e de um grande engenho de açúcar no Brasil, exorcizando os fantasmas da colonização.
Integrou a 61st International Art Exhibition of La Biennale di Venezia (2026), com curadoria de Koyo Kouoh, intitulada "Minor Keys"; 16ª Bienal de Sharjah (2025), Emirados Árabes; After the End of the World: Pictures from Panafrica (2024), The Art Institute of Chicago; 35ª Bienal de São Paulo (2023); 18ª Bienal de Arquitetura de Veneza (2023) tendo conquistado o Leão de Ouro de melhor participação nacional; 57ª Bienal de Veneza (2017); Bienal de fotografia de Bamako, Mali (2015); e da Trienal de Luanda (2010), Angola. Em 2021 e 2022, teve uma grande exposição individual, "Ayrson Heráclito: Yorùbáiano" no MAR, Rio de Janeiro e na Pina Estação, São Paulo. Foi um dos curadores-chefes da 3ª Bienal da Bahia, curador convidado do núcleo "Rotas e Transes: Áfricas, Jamaica e Bahia" no projeto Histórias Afro-Atlânticas no MASP, que esteve em cartaz no MASP e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, em 2018. Recebeu o prêmio de Residência Artística em Dakar do Sesc_Videobrasil e a Raw Material Company, Senegal. Possui obras em acervos do Museu Solomon R. Guggenheim, Nova York; Musem der Weltkulturen, Frankfurt; MAR - Museu de Arte do Rio; Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador; MON, Curitiba; Videobrasil e Coleção Itaú.
Serviço
Ayrson Heráclito
Ojú-Inú
texto: Hélio Menezes
abertura: 08 de agosto, sábado, 11h às 15h
08.08 - 12.09.2026
Al. Lorena, 2050 A
Jardins, São Paulo