Exposição individual “O Tempo e o Pedro”, de Pedro Martinelli
Exposição
- Nome: Exposição individual “O Tempo e o Pedro”, de Pedro Martinelli
- Abertura: 30 de maio 2026
- Visitação: até 24 de julho 2026
- Galeria: Galeria Mario Cohen
Local
- Local: Galeria Mario Cohen
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua Capitão Francisco Padilha, 69, Jardim Europa – São Paulo, SP
Galeria Mario Cohen apresenta a exposição "O Tempo e o Pedro"
A Galeria Mario Cohen tem o prazer de anunciar “O Tempo e o Pedro”, a exposição individual de Pedro Martinelli, um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro. A mostra, com texto de apresentação de Leão Serva, é composta de 22 fotografias e acontece de 30 de maio até 24 de Julho.
Martinelli construiu ao longo de mais de seis décadas uma obra marcada pela experimentação técnica, pela observação atenta e pela experiência direta com os territórios e pessoas que fotografa. Nesta mostra, o tempo aparece como matéria da própria fotografia. Segundo Serva, estas imagens são definidas como “críticas” pelo fotógrafo e foram “feitas ao escurecer ou à noite, com filmes menos sensíveis do que o necessário, com longa exposição, “puxados” na revelação, expostos à química mais tempo do que prescrevem os manuais. Por isso, elas contêm sempre uma granulação mais evidente”. Desta prática resulta uma fotografia densa, granulada e atmosférica, em que a imagem parece emergir lentamente da escuridão.
A exposição aproxima dois momentos fundamentais da produção de Martinelli. De um lado, o ensaio realizado em 1991 nos hangares da Varig, dedicado à aposentadoria dos aviões Lockheed L-188 Electra da ponte aérea Rio-SP. De outro, fotografias produzidas ao longo de sua extensa vivência na Amazônia, região que documentou desde os anos 1970 e onde viveu intensamente após deixar o Estúdio Abril, em meados da década de 1990.
Originalmente concebido para ocupar um hangar da própria Varig, o projeto sobre os Electra acabou interrompido e permaneceu por décadas guardado no arquivo do fotógrafo. O reencontro com essas imagens acontece agora, quando Mario Cohen convida Martinelli a revisitar esse conjunto e percebe afinidades inesperadas entre as fotografias dos aviões e aquelas produzidas na Amazônia. Hélices, rebites e estruturas metálicas passam a dialogar visualmente com fornos de beiju, partículas suspensas e formas circulares presentes na paisagem amazônica. Em comum, estão também a baixa luminosidade, o longo tempo de exposição e os grãos intensos que atravessam toda a mostra.
Apesar de ser amplamente reconhecido no meio fotográfico e de ter suas imagens publicadas em jornais, revistas e livros ao longo de décadas, esta é a primeira exposição individual de Pedro Martinelli em uma galeria de arte. Sua produção, historicamente vinculada às páginas impressas e ao circuito editorial encontra agora um novo espaço de apresentação e permanência.
Como aponta Leão Serva “Fotografia é um retrato do tempo, reflexo de uma partícula de luz capturada. O fotógrafo é um pescador do instante: manhã, tarde, fim de dia, noite, velocidade do obturador, exposição da imagem, revelação do filme, ampliação da foto. As fotografias de Pedro Martinelli exploram os limites desses tempos”. A mostra revela um fotógrafo que há sessenta anos percorre o mundo atento às pequenas transformações da luz, da matéria e da memória.
Sobre Pedro Martinelli
Pedro Martinelli (Santo André, 1950) é reconhecido por sua trajetória no fotojornalismo brasileiro. Desde os anos 1960, realizou trabalhos de grande impacto, entre eles o primeiro registro do contato com os indígenas Kranhacãrore, hoje conhecidos como Panará, durante os anos 1970. Orientado por uma prática artesanal, Martinelli utiliza exclusivamente câmeras mecânicas, sem grandes aparatos técnicos. Em sua fotografia, prioriza a aproximação humana e o protagonismo das pessoas e comunidades que retrata.
Iniciou sua carreira na "A Gazeta Esportiva" em 1967, passando também pelo "Diário do Grande ABC" entre 1968 e 1970 e por "O Globo" entre 1970 e 1975. Nesse período, participou da expedição liderada por Cláudio Villas-Boas e Orlando Villas-Boas, durante a abertura da rodovia CuiabáSantarém, ocasião em que realizou os históricos registros dos Kranhacãrore. Posteriormente, atuou na revista Veja até os anos 1980 e foi chefe do Estúdio Abril na década seguinte.
Seu trabalho com os Kranhacãrore ganhou um novo capítulo 25 anos depois, quando reencontrou os Panará e documentou seu retorno ao território original, marcado pela exploração agropecuária, madeireira e por garimpos ilegais, que resultou no livro “Panará, a Volta dos Índios Gigantes” (1998).
Ao optar por uma trajetória independente, Martinelli afastou-se da dinâmica acelerada das redações e passou a dedicar-se à documentação das populações amazônicas. Dessa pesquisa nasceu o livro "Amazônia - O Povo das Águas", publicado em 2000. Entre outras publicações de destaque estão “Casas Paulistanas” (1998); e “Mulheres da Amazônia” (2003). Entre suas exposições mais relevantes estão a mostra individual realizada no Memorial da América Latina, em 2004; e a 4ª e 13ª Exposição "Coleção Pirelli / MASP de Fotografia" , realizadas em 1994 e 2004, no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).
Sobre a Galeria Mario Cohen
Aberta em 2000 no edifício Chopin em Copacabana, Rio de Janeiro, foi a primeira Galeria de Arte da América Latina a se dedicar exclusivamente à fotografia, criando assim um espaço para a valorização da fotografia como expressão artística.
Em agosto de 2015 instalou-se em São Paulo. Mario Cohen, responsável pelas exposições e acervo, fez parte por 19 anos, da criação e desenvolvimento da coleção Pirelli/Masp de fotografias, hoje entre as mais respeitadas do país. Neste longo período teve a oportunidade de testemunhar a importância da fotografia Brasileira. Localizada no bairro Jardim Europa, a Galeria Mario Cohen está em uma charmosa casa projetada pelo renomado arquiteto Isay Weinfeld
Além das exposições realizadas ao longo do ano, conta com um importante acervo, com fotógrafos como Andreas Heiniger, Araquém Alcântara, Bob Wolfenson, Cristiano Mascaro, Edo Costantini, Eduardo Salvatore, Elaine Pessoa, Ellen von Unwerth, Gui Paganini, Lucas Lenci, Marcel Gautherot, Mario Cravo Neto, Michael Brennan, Michael O’Neill, Mirella Ricciardi, Norman Parkinson, Norm Clasen, Paulo Vainer, Pedro de Moraes, Pedro Martinelli, Pierre Verger, Otto Stupakoff, Robério Braga, Rodney Smith, Sebastião Salgado, Slim Aarons, Teodelina Detry entre outros.
Serviço
Exposição “O Tempo e o Pedro”
Abertura: 30 de maio, das 11h às 17h
Período: 30 de maio a 24 de Julho de 2026
Local: Galeria Mario Cohen - a
Funcionamento: terça a sexta, das 11h às 18h; aos sábados das 11h às 16h.
Entrada gratuita