Exposição individual “O que sustenta”, de Marcelo Silveira
Exposição

Exposição individual “O que sustenta”, de Marcelo Silveira

Exposição

  • Nome: Exposição individual “O que sustenta”, de Marcelo Silveira
  • Abertura: 28 de março 2026
  • Visitação: até 07 de junho 2026

Local

  • Local: Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Praça Quinze de Novembro, 48, Centro – Rio de Janeiro, RJ

Marcelo Silveira – O que sustenta


O aclamado artista pernambucano propõe uma reflexão sobre nossa história e a memória em três trabalhos – uma instalação suspensa com varas feitas de madeiras nobres, recolhidas por ele em descartes; 300 novelos, feitos a partir de fragmentos de fibras de linho encontrados em uma extinta fábrica em Pernambuco; e o CD “Tudo Certo”, com as vozes do coral de Belo Jardim, cidade pernambucana, dizendo a frase repetida por anos a fio pelo pai do artista, acometido por Alzheimer. 



O Paço Imperial tem o prazer de convidar para a abertura da exposição “O que sustenta”, com obras inéditas do artista pernambucano Marcelo Silveira (1962), feitas especialmente para o local. A abertura será no dia 28 de março de 2026, das 14h às 18h, e as obras serão exibidas na Sala Armazém Del Rey, no Primeiro Andar do Paço Imperial. O texto crítico é de Felipe Scovino.


“O que sustenta” abrangerá os trabalhos “V.A.R.A.S.” (2021/2025), um conjunto com 50 madeiras recolhidas e trabalhadas pelo artista, que ficarão suspensas, flutuando ao sabor do vento que irá circular no espaço expositivo. No chão, estarão os “Novelos” (2023/2025), 300 peças formadas por fibras de linho encontradas por Marcelo Silveira em um depósito em ruína da extinta fábrica Braspérola, de produção de tecidos em linho, em Camaragibe, Pernambuco. Cada uma das fibras foi higienizada e manuseada de modo a formar um novelo. E “costurando ”esses trabalhos haverá o som da obra “Tudo Certo” (2017), fruto de uma residência feita pelo artista em Belo Jardim, no Planalto da Borborema, no agreste pernambucano. Evocando a expressão “tudo certo”, repetida durante anos por seu pai, acometido pelo Alzheimer, o artista produziu um CD com dezenas de vozes de integrantes do coral da cidade, em diferentes timbres e entonações com a frase. 


“As obras da exposição foram produzidas a partir de meu desejo de intervir no Paço Imperial, um espaço que foi sede do poder desde o século 18”, relata Marcelo Silveira.


Ele explica que este trabalho surgiu da tentativa de organizar suas ideias, como a do conceito de madeira de lei, “que surgiu no Brasil Colônia para designar madeira boa, e que já perdeu sua validade há bastante tempo, embora as pessoas ainda usem esta classificação”. “Produzi as Varas como tentativa de mimetizar, reestruturar, reconstruir uma estrutura vegetal que é usada normalmente na taipa, no preenchimento de alguns espaços, e é uma árvore juvenil, no início do seu desenvolvimento, em que o cerne da madeira praticamente ainda não surgiu, e que precisaria de mais tempo para ser mais grossa e poder existir como madeira a ser usada na novelaria, na arquitetura e tudo o mais”. Marcelo Silveira destaca que praticamente todas as madeiras que estão na obra “V.A.R.A.S.”, recolhidas de descartes, são “protegidas”.  “A mesma madeira de lei é descartada na cidade como sobra do mobiliário, sobra do uso e da irresponsabilidade das pessoas”, relata o artista. “Sobra madeira de todas as espécies, e recolho e reúno toda essa madeirama que encontro ao longo de muitos anos – mogno, ipê, jacarandá – e uso, de certa forma, com as curvaturas que vêm do mobiliário, do que foi um dia o mobiliário, de onde foi um dia alguma coisa”, conta.


As “V.A.R.A.S.” vão flutuar no espaço, fixadas no teto por uma fina linha de pesca, “e irão ocupar um espaço que, em algum dia, já foi sede de vários governos”. “Essa conversa com o quê e o quanto fomos explorados penso que se relaciona com esse trabalho”, comenta. “Vou somando uma madeira à outra e criando uma linha, que a tem essas curvaturas, e não é apenas uma questão estética, mas de resistência. As linhas de sustentação são os veios da madeira”. “A madeira que é considerada de lei, quando é descartada da rua, vira ‘sem lei’. É sobre meu olhar também, sobre os movimentos circulares no mundo”, diz. “O que vem e volta, o vem e volta, o vem e volta. Numa dessas voltas, elas aparecem, as madeiras, como coleção, mas também como vara, remetendo a uma estrutura de árvore em desenvolvimento”. Marcelo Silveira assinala ainda que este trabalho tem também “um pouco dessa conversa com a história”. “As Varas entram para conversar com o espaço onde habitou quem criou as leis para defender a madeira, mas não para defender da extinção, e sim em benefício próprio, para construir embarcações, mobiliário, igrejas, templos religiosos e por aí vai. Quando se chega em Lisboa, ou em outras cidades portuguesas, se vê de onde é que saiu tudo aquilo”.


300 NOVELOS – TENTATIVA DE LEMBRAR

Outro trabalho que estará na exposição é “Novelos”, composto por 300 novelos formados por fibras de descarte da extinta fábrica Braspérola, que foram limpas e manuseadas pelo artista. “Os novelos são um elemento em que, de certa forma, adormece uma matéria enquanto aguarda sua reconfiguração, ou ser transformado. Quando você olha para um novelo, ele leva a pensar no que foi e no que será. E esse novelo, hoje, não interessa mais o que será. O que será é o que é. O que é passa a ser um elemento provocador”, explica Marcelo Silveira. “Eles são um registro de uma experiência, de organização de uma história. Eu digo sempre que eu sempre tento me apropriar e me aproximar das coisas que tentam esquecer e eu tento lembrar”.


“A tentativa de um ‘não sei quem descartou’, ou o propósito que levou alguém a descartar. A tentativa existe, a vontade existe. A fibra de linho não é do Brasil. Era importada da Bélgica e da França. Em Portugal, retoma-se hoje a produção de fibra do linho. O linho é também a base da trama que recebe a pintura, uma tela de linho. Ela poderia ter se originado desse novelo. Esse novelo pode vestir alguém, pode ser base de pintura para alguém, pode ser milhares de coisas. Então, interessa-me a trama, pensar na trama que poderia ter existido ou que poderá existir a partir do nosso pensamento de construção de uma trama. Uma trama real ou uma trama imaginária.Essa circularidade volta novamente ao trabalho, a pensar o trabalho, a esse elemento de construção do trabalho”. 


“TUDO CERTO”

“O terceiro momento” da exposição, conta Marcelo Silveira, “é um compactozinho que resultou de uma experiência na Residência Belo Jardim, interior de Pernambuco, em 2017”. Ele observa que este é o segundo momento de “Tudo Certo”, pensado inicialmente entre 2008 e 2010 em uma outra configuração: uma estrutura de árvore caída dentro de uma mata, que o artista iria retirar e mostrar. E o segundo momento seria gravar seu pai, “que repetidamente dizia ‘Tudo Certo, Tudo Certo, Tudo Certo’, do riso ao choro; quando ria estava feliz, quando chorava era porque estava sentindo alguma dor, alguma coisa”. “Não cheguei a gravá-lo e fiquei aguardando, aguardando. Ele chegou a falecer e eu não fiz. Ele passou sete, oito anos da vida, pensando com essa fala ‘Tudo Certo, Tudo Certo, Tudo Certo’.


Na residência artística em Belo Jardim, Marcelo Silveira decide então “dividir a autoria com o coral da cidade, em que eu crio umas partituras, ou melhor dizendo umas bulas, um guia para cada um dos participantes, gravado individualmente. Um não escuta o que o outro gravou, e depois tudo é editado, mixado, como todo o processo de produção de um compacto. Então, a ideia de ser compacto também é muito editado, tem a ver com uma coisa que eu penso, para compactar você tem que estabelecer pactos”. “Foram esses pactos que eu estabeleci com esse coral para construir esse trabalho”. 


PRÊMIO CIFO E EXPOSIÇÃO EM SEVILHA

Um dos nove vencedores do programa de bolsas e comissionamento anual da Fundação de Arte Cisneros Fontanals (CIFO), Marcelo Silveira está desenvolvendo um trabalho comissionado que será exibido em outubro deste ano na Fábrica de Artilharia, em Sevilha, Espanha, em parceria com a Prefeitura da cidade. 


A obra de Marcelo Silveira será “Paisagem Inventada”, que dá continuidade à sua pesquisa de longa data sobre memória material, paisagem e o cotidiano. O projeto recupera álbuns descartados feitos de imbuia, originalmente usados para guardar registros fotográficos de formandos, e confere a eles o status de relíquias de paisagens apagadas ou negligenciadas. Por meio de restauração, lixamento e intervenções mínimas, Silveira recompõe esses fragmentos em uma instalação de parede que alterna os lados frontal e traseiro dos álbuns, transformando suas superfícies em topografias estratificadas. A obra reflete sobre visibilidade, ausência e os conflitos sociais presentes na noção de paisagem do Brasil — um país historicamente marcado por desigualdade e disputas por território e representação. Ao restaurar esses álbuns de madeira, o artista reativa sua carga temporal e propõe uma nova forma de paisagem: construída a partir da memória, do silêncio e do deslocamento.“Paisagem Inventada” ocupará uma área de cinco metros de comprimento, em duas prateleiras, em que na superior estarão os álbuns vistos de frente, e embaixo seus versos.


Fundação de Arte Cisneros Fontanals (CIFO) foi fundada em 2002 por Ella Fontanals-Cisneros e sua família para promover o intercâmbio cultural e valorizar as artes.


SOBRE MARCELO SILVEIRA

A prática de Marcelo Silveira (1962, Gravatá) parece questionar categorias pré-estabelecidas, ao desafiar e tensionar definições aparentemente consolidadas de escultura, instalação e colecionismo. Sua produção move-se a partir do interesse pela materialidade. Tudo pode ser objeto de trabalho: madeira, couro, papel, metal, plástico e vidro são apenas alguns dos elementos explorados. Contudo, também é fundamental a configuração por eles assumida, que pode ser criada a partir do repertório formal comum àqueles objetos – garrafas e copos de vidro, por exemplo – ou pela recriação de formas familiares e comuns em matérias inesperadas – como Silveira faz com a madeira, por exemplo.

 

O colecionismo, de fato, constitui estratégia privilegiada do artista, ao lado do constante jogo entre apropriação e produção. Essas operações aparecem em seu trabalho de diversos modos, seja pelo acúmulo de artefatos encontrados no mundo – como cartões postais, réguas de desenho, vidros de perfume etc.–,em objetos que remetem a utensílios domésticos, mas desprovidos de qualquer utilidade, ou até pela apresentação dos trabalhos sob a forma de conjuntos, em que cada fragmento se integra àquela totalidade, ressignificando-a. Nesse sentido, a organização é fundamental na prática de Silveira, não só como estratégia expositiva, mas também para conferir novo sentido a esses objetos, que possuem a potência de despertar memórias afetivas.

 

Marcelo Silveira vive e trabalha em Recife e sua cidade natal, Gravatá. Exposições individuais recentes incluem: “Entre o mar, o rio e a pedra”, na Nara Roesler Rio de Janeiro (2025); “Hotel solidão”, na Nara Roesler Nova York(2022);“Compacto com pacto”, no Sesc Triunfo (2019), em Triunfo, Brasil; “Compacto mundo das coisas”, na Galeria Nara Roesler São Paulo(2019); “Com texto, obras por Marcelo Silveira”, no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS),em Sorocaba(2018; “Censor”, no Museu da Imagem e do Som (MIS),em São Paulo, (2016); e “1 Dedo de Prosa”, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), em Recife(2016). Participou da 5ª e 10ª Bienal do Mercosul, Brasil (2005 e 2015); da 4ª Biennale de Valência, Espanha (2007);  29ª Bienal de São Paulo (2010); 35º Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo (2017); além das mostras coletivas: “Língua solta”, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo (2021); “Triangular: Arte deste século”, na Casa Niemeyer (2019), em Brasília; “Apropriações, variações e neopalimpsestos”, na Fundação Vera Chaves Barcellos (FVCB), em Viamão, Rio Grande do Sul (2018); “Contraponto – Coleção Sérgio Carvalho”, no Museu Nacional da República (2017), em Brasília; “Modos de ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos”, na Oca (2017), em São Paulo.Suas obras integram importantes coleções institucionais, tais como:  Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio); Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), São Paulo; Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (MAMAM), Recife; e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.


SOBRE NARA ROESLER 

Nara Roesler organizou sua primeira exposição de arte contemporânea em 1976 em Recife, em sua galeria, que se chamava Gatsby. Em 1986, mudou-se para São Paulo, onde integrou a Montesanti Galleria até 1989, quando o espaço passou a se chamar Montesanti Roesler. Em 1993, ganha o nome Nara Roesler. Atualmente, Nara Roesler é uma das maiores galerias do Brasil, reconhecida por desempenhar um papel fundamental na promoção e internacionalização de seus mais de 50 artistas. Com sede em São Paulo, Nara Roesler expandiu sua atuação para o Rio de Janeiro em 2014, e em 2015, tornou-se a primeira galeria brasileira a ter um espaço no exterior, ao inaugurar uma unidade em Nova York, reforçando seu compromisso com a difusão da arte nacional no cenário global.


Com o objetivo de fomentar consistentemente a prática curatorial e a pesquisa crítica, criou, em 2002, o Roesler Hotel, um programa que promoveu o intercâmbio entre curadores e artistas estrangeiros e brasileiros. Em 2011, foi a primeira galeria de arte contemporânea a criar uma editora, a Nara Roesler Books, que já publicou mais de 30 títulos.


Ao longo de sua trajetória, a Nara Roesler tem contribuído significativamente para o desenvolvimento das carreiras de seus artistas, oferecendo suporte contínuo e plataformas de destaque para a apresentação de seus trabalhos, incluindo-os em importantes instituições, bem como em relevantes coleções privadas, tanto no Brasil quanto no exterior. Seu programa inclui nomes consagrados, como Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Antonio Dias, Artur Lescher, Daniel Buren, Heinz Mack, Julio Le Parc, Lucia Koch, Tomie Ohtake, Vik Muniz, e uma nova geração de artistas reconhecidos, como André Griffo, Bruno Dunley, Jaime Lauriano, Jonathas de Andrade e JR. 


Serviço

Exposição “Marcelo Silveira – “O que sustenta”

Texto crítico: Felipe Scovino


Abertura: 28 de março de 2026, das 14h às 18h

Com a presença do artista

Até: 7 de junho de 2026


Entrada gratuita


Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial

Praça Quinze de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro, CEP 20010-010


Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h


Telefones: (21) 2215.5231 e (21) 2215.2093

E-mail: educativo@pacoimperial.com.br 

@pacoimperial_rj



Mais informações: CWeA Comunicação

                               Claudia Noronha – +5521.99360.2330

                               Lilian Diniz –+5521.99372.6395

                               cwearte1@gmail.com




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