Exposição individual "Nuas e Vestidas", de Cristina Salgado
Exposição
- Nome: Exposição individual "Nuas e Vestidas", de Cristina Salgado
- Abertura: 26 de agosto 2026
- Visitação: até 10 de outubro 2026
Local
- Local: Anita Schwartz Galeria de Arte
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea – Rio de Janeiro, RJ
Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta
Nuas e Vestidas, de Cristina Salgado
Exposição reúne um conjunto de obras produzidas em 2026 e desenhos realizados entre 2015 e 2021, tendo o corpo como fio condutor
Novas séries de pinturas, trabalhos tridimensionais e recortes em MDF retomam questões presentes na trajetória da artista desde os anos 1980 e remetem à instalação “A Mãe Contempla o Mar”, apresentada este ano na Pinacoteca de SP
A Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea, inaugura no dia 26 de agosto de 2026, às 19h, a exposição individual Nuas e Vestidas, de Cristina Salgado, com curadoria de Ulisses Carrilho. A mostra reúne pinturas inéditas, trabalhos tridimensionais e recortes em MDF produzidos neste ano, e 11 desenhos realizados entre 2015 e 2021. O corpo, presença constante na produção da artista desde os anos 1980, atravessa todo o conjunto, surgindo fragmentado, revestido, suspenso ou associado a objetos e elementos do universo doméstico.
A exposição sucede A Mãe Contempla o Mar, instalação apresentada no Octógono da Pinacoteca de São Paulo até o último dia 2 de agosto e considerada por Cristina Salgado o trabalho mais importante que realizou até hoje. Ao retornar ao Rio, ainda profundamente mobilizada pela experiência, a artista começou praticamente do zero a produção para a individual na Anita Schwartz. Alguns elementos daquela instalação reaparecem transformados em Nuas e Vestidas, como as cadeiras, os volumes corporais e a presença de materiais que revestem, atravessam e prolongam as formas.
Um dos conjuntos centrais da exposição é a nova série “Cadeiras gente”. A artista desenhou cadeiras de madeira de linhas simples, próximas do mobiliário cotidiano, e as revestiu com tapete vermelho. Delas brotam formas que evocam corpos e elementos reconhecíveis: uma figura com sapato de salto, outra de cintura marcada e uma pequena casa coberta por veludo molhado que remete a um tricô.
O contraste interessa à artista: de um objeto doméstico deliberadamente simples emergem formas estranhas, sensuais ou inesperadas. “As cadeiras têm um desenho muito proletário. Parecem um pouco cadeiras de cozinha”, diz Cristina. A aproximação entre corpo, mobiliário e espaço doméstico recupera uma operação presente há décadas em sua produção, na qual poltronas, cadeiras, mesas e outros objetos deixam de funcionar apenas como cenário e passam a participar da própria constituição das figuras.
A materialidade também ajuda a explicar o título da exposição. “Nuas” remete diretamente à individual homônima que Cristina realizou em 1999, no Paço Imperial. Naquele momento, a artista apresentou trabalhos em papel machê em um tom rosado próximo à pele. Mais de duas décadas depois, acrescenta ao título o termo “vestidas”, em uma referência literal aos novos corpos revestidos de tecidos e às próprias cadeiras cobertas por tapete. “São corpinhos, pequenos volumes, que são forrados com tecidos estampados”, explica.
O revestimento não é um recurso novo em seu vocabulário: Cristina começou a utilizar tapetes em seus trabalhos nos anos 2000 e o material tornou-se uma espécie de pele que recobre corpos e objetos.
Essa relação entre superfície e interioridade percorre Nuas e Vestidas. “São corpos constituídos de espaço negativo, de oco e de vazio”, observa Ulisses Carrilho. Para o curador, a abertura desses corpos é uma característica decisiva da produção da artista. “O corpo é sempre esse fio condutor do trabalho dela”, afirma.
Outra novidade da exposição é “Mulheres azuis” (2026), série de cinco trabalhos construídos a partir de recortes de MDF com pintura automotiva. As formas corporais são recortadas em chapas que se encaixam e avançam da bidimensionalidade para o espaço. O procedimento estabelece ainda uma conexão com trabalhos do início da trajetória de Cristina, quando a artista já utilizava recortes de madeira para construir imagens que se projetavam no espaço.
A verticalidade aparece de maneira mais radical em “Mulher alta” (2026), corpo de 2,80 metros construído com tapete, tubos de borracha e parafusos de aço, que ficará suspenso, ligeiramente afastado do chão, como se levitasse no espaço expositivo. Ao longo da mostra, a variação de escalas — do diminuto a dimensões superiores às humanas — desestabiliza a relação do visitante com esses corpos.
Cristina também retorna à pintura com a série inédita “Transcendentais” (2026), formada por cinco óleos sobre tela. A decisão surgiu de um desejo muito direto da artista depois da experiência da Pinacoteca: “Eu queria pintar”. Nas novas pinturas, formas orgânicas continuam sugerindo corpos, órgãos, fragmentos e entranhas, mas tornam-se menos identificáveis. Para Carrilho, há nesses trabalhos uma inflexão na produção de Cristina, em que a figura permanece presente sem necessariamente se estabilizar em uma representação. A artista, no entanto, resiste a separar essa experiência do restante de sua trajetória. “É sempre um corpo. Mesmo quando não é”, resume.
Completam a exposição 11 desenhos, realizados em diferentes momentos: sete pastéis de 2021, dois desenhos de 2019 e um trabalho em guache e nanquim de 2015. A presença dessas obras anteriores amplia as conexões entre a produção recente e procedimentos que Cristina vem desenvolvendo ao longo do tempo: corpos atravessados por vazios e aberturas, formas orgânicas, fragmentação e uma oscilação constante entre interior e exterior. “Ela vai com facilidade do último trabalho ao primeiro. Há um tempo mais espiralado e menos linear”, observa Carrilho.
Integrante da histórica exposição Como Vai Você, Geração 80?, realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Cristina Salgado (Rio de Janeiro, 1957) construiu uma trajetória singular dentro de sua geração. Sua produção avançou por desenho, pintura, objetos e trabalhos tridimensionais, tendo o corpo, especialmente o feminino, como território recorrente de investigação.
Sobre a Anita Schwartz Galeria de Arte
Há quase 30 anos, a Anita Schwartz Galeria de Arte atua de forma contínua no campo da arte contemporânea brasileira, com contribuição consistente para a circulação, a institucionalização e a consolidação da produção artística nacional. Ao longo de sua trajetória, a galeria participou de relevantes feiras nacionais e internacionais, estabelecendo interlocuções duradouras com diferentes agentes e contextos do circuito da arte.
Fundada em 1998, no Rio de Janeiro, a galeria passou a ocupar, em 2008, sua sede atual no bairro da Gávea, um dos principais polos culturais da cidade. O edifício, com aproximadamente 700 metros quadrados distribuídos em três pavimentos e projeto arquitetônico assinado pelo escritório Cadas Arquitetura, consolidou-se como a primeira galeria carioca concebida segundo o conceito de cubo branco, projetada especificamente para a realização de exposições de arte contemporânea.
A Anita Schwartz Galeria de Arte representa artistas consagrados, nomes historicamente relevantes da arte contemporânea brasileira e expoentes da nova geração. Seu espaço expositivo viabiliza a realização de exposições, instalações e projetos especiais, reafirmando sua atuação no circuito institucional e no mercado de arte, em diálogo contínuo com museus, curadores e colecionadores.
Serviço
Nuas e Vestidas, de Cristina Salgado
Curadoria: Ulisses Carrilho
Abertura: 26 de agosto de 2026, às 19h
Encerramento: 10 de outubro de 2026
Anita Schwartz Galeria de Arte
R. José Roberto Macedo Soares, 30 - Gávea
Rio de Janeiro | RJ
Tel: (21) 2540-6446 | (21) 99603-0435
Website: www.anitaschwartz.com.br
Instagram: @galeria_anitaschwartz
Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 18h