Exposição individual “Jornada pela percepção da pintura”, de Aliki Paliou
Exposição
- Nome: Exposição individual “Jornada pela percepção da pintura”, de Aliki Paliou
- Abertura: 07 de abril 2026
- Visitação: até 18 de maio 2026
Local
- Local: Galeria Karla Osorio
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua França Pinto 1100, loja 1 térreo, Vila Mariana – São Paulo, SP
“Jornada pela percepção da pintura”
Individual de Aliki Paliou, Curadoria Marina Fokidis
Abertura: coquetel, terça-feira, 07 abril 2026, 17 - 21h
Ativação com Intervenção paisagística de Khattar y Moreno
& lançamento criações de Marina Khattar
A exposição individual da artista grega Aliki Paliou chega a São Paulo, depois de ter sido iniciada no Brasil pela Galeria Karla Osorio com apoio da Embaixada da Grécia em Brasília. A artista apresenta um conjunto de obras recentes, com curadoria da também grega Marina Fokidis, ex-curadora da Documenta 14 Kassel (2017).
Segundo Fokidis a pintura de Aliki explora a percepção “como um campo multissensorial onde visão, som, ritmo e emoção coexistem (...) As pinturas de Paliou unem gestos, lugares, condições, mares e céus que se conectam para formar um mapa compartilhado da presença humana. As cenas que ela cria parecem familiares, mas estão sempre um pouco além do alcance — como lembranças de outra vida.” Segue abaixo a integra do texto curatorial.
Sobre a exposição - por Marina Fokidis
“Nós somos, como Odisseu, viajantes — não através dos mares, mas pelas paisagens mutáveis da percepção. Cada imagem que encontramos nos convida a nos reorientar, a confiar no território incerto entre a memória e a sensação. Em sua primeira exposição individual no Brasil, Aliki Paliou nos convida a embarcar nessa jornada: uma viagem que se desenrola não apenas em milhas, mas também em momentos de olhar, escutar e sentir. Suas pinturas são mapas dessa geografia interior, onde experiência e imaginação se fundem em algo fluido e intangível.
Aqui, a percepção é explorada como um campo multissensorial, onde visão, ritmo, realidade e emoção coexistem. As obras apresentadas transformam momentos de diferentes lugares e realidades em composições sobrepostas que vibram com cor e movimento, revelando como a experiência humana transcende um único sentido. A viagem, tanto física quanto interna, torna-se um motivo central — um ato de descoberta que é também um de transformação. Através dessas obras, a artista reimagina o viajante, não como um observador distante, mas como parte da própria paisagem, simultaneamente moldando-a e sendo moldado por ela.
As pinturas de Paliou unem gestos, lugares, condições, mares e céus que se conectam para formar um mapa compartilhado da presença humana. As cenas que cria parecem familiares, mas estão sempre um pouco além do alcance — como lembranças de outra vida. Uma criança estende a mão, participando de uma troca silenciosa. Uma mulher corre em direção a algo invisível — talvez um chamado urgente, talvez uma lembrança. Outra figura permanece imóvel, dissolvendo-se na luz e na textura da terra ao seu redor. Perto dali, turistas permanecem presos em seu próprio senso de tempo. Em outra cena, uma menina está sob uma folha de palmeira, seus tênis a ancorando no mundo moderno, evocando silenciosamente as economias urbanas cotidianas que moldam nossa experiência de lugar. Entre essas figuras, cor e movimento pulsam com uma intensidade serena — um relâmpago amarelo, um guarda-chuva azul que se funde ao céu, mãos manchadas de vermelho, drones que sobrevoam sem convite, um semáforo suspenso no ar. Cada fragmento parece comum, mas juntos formam uma composição que vibra de ressonância emocional. As pinturas se desdobram como momentos entre momentos — nem encenados, nem documentais, mas algo intermediário: o tempo vivido traduzido em imagem.
A visão de Paliou é profundamente humana. Suas obras não tratam de espetáculo ou resolução narrativa, mas da frágil continuidade da presença — de como as pessoas habitam o espaço, de como a luz as toca, de como coexistem sem realmente se encontrar. A artista capta aqueles intervalos sutis em que a percepção se torna porosa, quando quem observa e quem é observado começam a se fundir. Sua imagética nos lembra que perceber é também participar, ser atraído para um campo compartilhado de sensações. Embora o mito de Odisseu paire ao fundo — como um símbolo de resistência e retorno —, a jornada de Paliou é mais silenciosa, mais interior. Ela fala da experiência de atravessar as paisagens da vida, carregando dentro de nós fragmentos de outros lugares. Sua Ítaca não é um destino único, mas um estado de consciência: o reconhecimento de que cada encontro, cada olhar, cada ato de ver já faz parte de uma viagem maior. O espectador não é colocado fora dessas obras, mas atraído para dentro de seu pulso, movendo-se entre as figuras, a luz, a escuridão e o silêncio que definem seu espaço.
Em última instância, as pinturas de Paliou nos lembram que a própria percepção é uma jornada: um movimento contínuo entre distância e intimidade, entre o mundo que vemos e o que sentimos. Sua obra sustenta essa tensão com delicadeza — convidando-nos, como viajantes que retornam ao lar, a redescobrir o encanto de ver com novos olhos”.
Sobre a artista
Aliki Paliou nasceu, reside e trabalha em Atenas. Estudou Drama e Teatro na Universidade de Kent (Bacharelado) e Design de Teatro na Central Saint Martins (Mestrado), em Londres. Em 2005, formou-se na Academia de Belas Artes de Atenas e, desde então, dedicase à pintura. Sua exposição mais recente foi individual realizada em março de 2025, em Viena, Áustria com a galeria Wilhelmina. Também participou, em junho, de exposição coletiva na ilha de Hydra, e em setembro da feira da Art Athena, em Atenas.
Serviço
“Jornada pela percepção da pintura”, exposição individual de Aliki Paliou
Abertura terça-feira, dia 07 de abril, 17h às 21h,
Dias 07 a 09 de abril, ativações com intervenção paisagística de Khattar y Moreno e criações de Marina Khattar
Em cartaz até 18 de maio de 2026, quinta-feira
Galeria Karla Osorio – filial SP (Rua França Pinto 1100, loja 1 térreo, Vila Mariana)
Visitação: segunda,14h-19h, terça a sexta, 10h-19h, sábados, 10h-17h A entrada é gratuita.