Exposição individual "Fio d'água", de Laura Villarosa
Exposição
- Nome: Exposição individual "Fio d'água", de Laura Villarosa
- Abertura: 16 de maio 2026
- Visitação: até 13 de junho 2026
- Galeria: Zipper Galeria
Local
- Local: Zipper Galeria
- Evento Online: Não
- Endereço: R. Estados Unidos 1494 – São Paulo, SP
FIO D'ÁGUA
Laura Villarosa
Em Fio d'água, Laura Villarosa reúne um conjunto de paisagens imaginadas em que pintura e bordado se constituem mutuamente.
As composições evocam territórios anteriores ao mapa, superficies percorridas por linhas e relevos que parecem preceder qualquer tentativa de localização geográfica. A artista trabalha em uma zona em que a imagem se forma pela acumulação paciente do gesto, fora do registro figurativo direto.
O bordado funciona, no trabalho de Villarosa, como linguagem plástica autônoma e como método de pensamento. Cada camada de fio assentada sobre o tecido adensa a imagem, constrói volume, cobre uma região da superfície para que outra se revele. As paisagens resultam de sobreposições e decisões acumuladas ao longo de um tempo dilatado, e essa duração permanece inscrita no corpo da obra. Há, em cada peça, uma temporalidade lenta que se oferece ao olhar como parte do que está sendo visto.
A prática inscreve-se em uma genealogia de gestos transmitidos e reinventados, historicamente associados à produção feminina e ao âmbito doméstico. Villarosa assume essa filiação como matéria viva de seu trabalho, fazendo do bordado uma linguagem capaz de sustentar problemas pictóricos contemporâneos sem perder a memória de onde veio.
A pesquisa de materiais estrutura o processo de ponta a ponta. A artista trabalha com fios de procedências diversas: alguns chegam por meio de fornecedores especializados, outros por doação de pessoas próximas que passaram a reconhecer em sua prática uma atenção particular ao material. Fios naturais convivem com sintéticos no mesmo trabalho, peças artesanais ao lado de industriais. A escolha de cada um aproxima-se da escolha de um pigmento. Villarosa observa a cor que o fio carrega e o modo como ele absorve ou devolve a luz. Avalia também a textura que cada material imprime à superfície quando assentado em camada.
Desses critérios surge a paleta de cada paisagem, definida pelo material antes mesmo de qualquer ideia de imagem.
Os trabalhos reunidos na mostra propõem uma forma de pensamento que se faz por meio da textura. O tecido bordado adquire ali a densidade de um campo pictórico e a sensibilidade de uma pele, submetido à mesma economia de gestos que organiza a pintura. Fio d'água nomeia essa condição: a de uma imagem que se transforma a cada gesto e mantém, ao mesmo tempo, o curso silencioso que a conduz.
Sobre Laura Villarosa
Laura Villarosa (Palermo, Itália, 1961) vive e trabalha em Niterói, Rio de Janeiro, desde os anos 1980. Sua pesquisa estabelece a paisagem como campo expandido, no qua pintura e as técnicas têxteis operam em regime de equivalência. Fios, linhas, algodão, nylon, cerâmica fria, aquarela, acrílica e resina são alguns dos materiais recorrentes em uma produção que recusa a representação literal do natural para propor, em seu lugar, uma construção material da experiência sensível diante da terra.
A formação de Villarosa articula um longo percurso em pintura e cor com o aprendizado de práticas têxteis incorporadas ao trabalho autoral a partir de 2017, quando passou pelo programa Imersoes Poeticas da Escola Sem Sitio, no Paço Imperial do Rio de Janeiro sob acompanhamento do artista Efrain Almeida. Desde então, a artista trata o processo como matéria constitutiva da obra, acumulando camadas de fios, tecidos e pigmentos sobre superfícies que adquirem espessura e volume. As composições flertam com a abstração e evocam atmosferas que oscilam entre serenidade e inquietação.
Em séries recentes, como Paisagem e Sensibilidade, Villarosa amplia o repertório de materiais, trabalhando sobre sedas oriundas de San Leucio, antiga colônia fundada no sul da Itália no século XVIII, reconhecida pela produção de tecidos para palácios e por seu projeto de sociedade igualitária. A artista também passou a usar cerâmica fria para modelar nuvens e diferentes texturas para compor suas paisagens imaginarias, ao mesmo tempo utopicas e distopicas. A artista costura a ceramica ainda umida, antes que o tempo e o calor a endureçam, e não se vê como ceramista: toma o material como extensão da tinta. Há, nos trabalhos, um interesse pela imaterialidade do ar, pelo volume das nuvens, pela densidade das montanhas e pelo reflexo instável das águas.
Villarosa participou do 12° Salão dos Artistas sem Galeria, na Zipper Galeria (São Paulo, 2021) e, entre as individuais que realizou, destacam-se Lugar de passagem, na Zipper Galeria (2024); A ambígua linha sinuosa, na Zipper Galeria (2021); Na Voluta do horizonte, na Casa Brasil (Rio de Janeiro, 2025); e Impermanência, projeto solo para a Zona Maco (Cidade do México, 2023).
Serviço
FIO D'ÁGUA
Laura Villarosa
Abertura: sábado, 16/5, 11h às 17h
Em cartaz até 13 de junho de 2026
seg. a sex: 10h - 19h
sáb: 11h - 17h
R. Estados Unidos 1494
01427001
São Paulo SP Brasil
ZIPPERGALERIA
www.zippergaleria.com.br
zipper@ zippergaleria.com.br