Exposição individual "das–vindas—i", de Pedro Torres
Exposição
- Nome: Exposição individual "das–vindas—i", de Pedro Torres
- Abertura: 13 de junho 2026
- Visitação: até 01 de agosto 2026
Local
- Local: Zielinksy
- Evento Online: Não
- Endereço: Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis – São Paulo, SP
Pedro Torres retorna ao Brasil com exposição inédita na Zielinsky
Após mais de duas décadas vivendo na Espanha, brasileiro em voga na Europa realiza primeira individual em seu país de origem
Após mais de duas décadas vivendo na Espanha, Pedro Torres apresenta na Zielinsky, em São Paulo, a exposição das–vindas—i, sua primeira individual no Brasil. Com abertura em 13 de junho, sábado, a mostra reúne trabalhos inéditos produzidos especialmente para a ocasião. A mostra marca um momento importante da trajetória do artista, que vem realizando exposições em instituições europeias e prepara uma individual na Fundació Miró Mallorca.
Torres desenvolve uma pesquisa que articula instalação, vídeo, escultura, texto e luz em torno da noção de tempo. A partir de investigações que atravessam percepção, linguagem, física e experiência espacial, o artista constrói obras que tensionam relações entre matéria, memória, deslocamento e realidade.
Em das–vindas—i, essa pesquisa aparece diretamente atravessada pela condição de viver entre Brasil e Espanha. O título da mostra sintetiza essa operação. Ao deslocar a expressão "idas e vindas", o artista cria uma construção circular que incorpora também o "i" catalão — equivalente ao "e" em português — transformando a própria linguagem em espaço de trânsito e repetição.
"Foi importante pensar esse retorno, essa relação com o Brasil a partir das idas e das vindas", afirma. "É uma exposição bastante autobiográfica dentro dos meus parâmetros mais conceituais."
A mostra também dialoga diretamente com o pensamento do filósofo e escritor martinicano Édouard Glissant, especialmente suas formulações sobre errância, nomadismo circular e "poéticas da relação". As ideias do autor atravessam a construção conceitual da mostra e aparecem incorporadas às reflexões do artista sobre deslocamento e identidade.
"Trata-se aqui da imagem do rizoma, que nos permite saber que a identidade já não se encontra apenas na raiz, mas também na Relação", assinala o texto da exposição, citando Glissant. Esta premissa materializa-se na galeria através de um percurso que liga o material ao simbólico, o brasileiro ao europeu, e o natural ao industrial.
Ao ocupar o espaço da galeria como um percurso contínuo, a exposição aproxima obras aparentemente simples — galhos, motores, areia, luz, acrílico, palavras — de questões filosóficas e perceptivas mais amplas. Em um dos trabalhos, duas madeiras giram continuamente até se encontrarem e se desencontrarem, sugerindo diferentes formas de medir e experimentar o tempo. Em outro, discos de acrílico dicróico alteram radicalmente sua aparência conforme o ponto de vista do espectador, propondo reflexões sobre subjetividade e percepção da realidade.
A linguagem também ocupa um papel central na mostra. Uma instalação textual em português e espanhol percorre uma das paredes da galeria em um fluxo contínuo de palavras e deslocamentos: "daqui, de lá, nem daqui, nem de lá". A obra ecoa interesses do artista pela poesia concreta e pelas relações entre linguagem, espaço e movimento.
Outro núcleo importante da exposição é o vídeo Sandans, que utiliza a areia — o material mais antigo para medir o tempo — como protagonista. As mãos do artista manipulam areia repetidamente diante da câmera, criando uma espécie de relógio de areia expandido, atravessado por ruídos digitais e imagens fantasmagóricas. "Penso a areia como uma das primeiras matérias de contar o tempo", comenta. "O vídeo acaba criando um fluxo matérico do tempo, entre passado, presente e futuro."
Radicado em Barcelona desde o início dos anos 2000, Pedro Torres desenvolveu uma trajetória marcada pela pesquisa interdisciplinar e pela construção de instalações que articulam matéria, imagem, tempo e experiência espacial. Além da sua formação em comunicação na ECA-USP e ter trabalhado Escola do MASP, o artista construiu sua trajetória artística entre bibliotecas, cursos livres e experiências ligadas à curadoria, ao vídeo e aos livros de artista. Nos últimos anos, realizou exposições e projetos em cidades como Roma, Tenerife, Palma de Mallorca e Madri, além de participar de programas de residência e bolsas de investigação na Espanha. Além disso, tem obras em coleções como MACBA (Barcelona), Fundación Botín (Santander) e Colección INELCOM (Madri).
A exposição em São Paulo marca o movimento recente da Zielinsky — fundada em Barcelona, em 2015, pelos brasileiros Carla Zerbes Zielinsky e Ricardo Zielinsky — de ampliação da interlocução da galeria com a cena local e internacional.
SOBRE PEDRO TORRES
Pedro Torres (Glória de Dourados, MS, 1982) é um artista visual cuja prática artística gira em torno da noção de tempo, levando-o a explorar questões fundamentais da nossa realidade através de diferentes perspectivas, como a física e a filosofia. Em seus projetos, parte intuitivamente da teoria para chegar a uma dimensão poética da experiência. Realizou exposições individuais e participou de exposições coletivas e bienais internacionalmente. Recebeu inúmeras bolsas de pesquisa e produção e participou de residências artísticas em diversos países.
SOBRE A ZIELINSKY
A Zielinsky é uma galeria de arte contemporânea fundada em 2015, em Barcelona, pelos brasileiros Carla Zerbes Zielinsky e Ricardo Zielinsky. Em 2024, inaugurou sua nova sede em São Paulo, na Travessa Dona Paula. Comprometida com a promoção de artistas ibero-americanos, a galeria busca fortalecer a circulação internacional da arte contemporânea e consolidar-se como uma plataforma de difusão, reflexão e desenvolvimento artístico.
Serviço
Pedro Torres: das–vindas—i
Abertura: 13 de junho, sábado, 11h às 17h
Visitação: 13 jun. a 1º ago.
Entrada gratuita
Agradecimentos ao Ateliê Fidalga
Zielinksy
Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis, São Paulo
Ter. a sex., das 11h às 19h. Sáb., das 11h às 17h