Exposição individual “A casa do decorador”, de Marco A. Castillo
Exposição

Exposição individual “A casa do decorador”, de Marco A. Castillo

Exposição

  • Nome: Exposição individual “A casa do decorador”, de Marco A. Castillo
  • Abertura: 08 de abril 2026
  • Visitação: até 24 de abril 2026

Local

  • Local: Casa Domschke
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Rua Comendador Elias Zarzur, 2.030, Santo Amaro – São Paulo, SP

Nara Roesler apresenta a exposição


Marco A. Castillo – A casa do decorador: o futuro já não é


Artista cubano radicado em Mérida, no México, Marco A. Castillo (1971, Camaguey) é um dos fundadores do coletivo Los Carpinteros (1992-2017) – celebrado internacionalmente e presente nas mais importantes coleções institucionais do mundo –  trabalha principalmente na interseção entre sua vida na infância e adolescência em Cuba, a política, suas raízes familiares e a estética na qual cresceu. “Parto da ideia de que, nos objetos que usamos, nos objetos que criamos – na engenharia, no design, na arquitetura, no paisagismo – sempre há vestígios e resíduos de temas políticos. Sempre se reflete uma ideologia”, afirma. Na Casa Domschke, residência projetada por Vilanova Artigas (1915-1985), em 1974, Castillo discute a utopia socialista sonhada pelos modernistas brasileiros e a realidade vivida em Cuba. Com curadoria de Livia Debbane, as esculturas de Castillo em mogno e vime aludem a grandes nomes do design cubano pouco conhecidos por aqui, como Clara Porset [1895-1981], radicada no México.



A Nara Roesler apresenta a exposição “A casa do decorador”, com obras do artista cubano Marco A. Castillo (1971, Camaguey) – um dos fundadores do internacionalmente celebrado coletivo Los Carpinteros (1992-2017) – na Casa Domschke, projetada por Vilanova Artigas, em 1974. Com curadoria de Livia Debbane a exposição reúne 30 trabalhos recentes e inéditos de Castillo, que abrangem esculturas – em mogno e vime; em papel cartão revestido de papel de encadernação ou couro sintético; e em argila epóxi – a instalação “Dictadura I”(2024)”; um conjunto de dez desenhos em nanquim sobre papel, e dois vídeos: “Generación” (2019), 6’45”, e “Casa Negra” (2022), 12’24’’. Desses trabalhos, 17 foram criados especialmente para a Casa Domschke.


Marco A. Castillo relata em um vídeo que estará nos canais digitais de Nara Roesler que a “Casa do Decorador” “é um projeto que vem de Cuba”. “Quando Los Carpinteros pararam de trabalhar, eu me vi diante da missão de criar a minha própria linguagem, meu universo criativo. Naquele momento, eu estava vivendo em Cuba, depois de ter vivido dez anos na Espanha e, antes disso, em outros países – viajei muito. Por volta de 2017 eu tomei a decisão de deixar Madri e ir para Havana para criar a Fundação de Los Carpinteiros, e foi neste momento que Los Carpinteros pararam de trabalhar. Eu quis aprofundar algo que já havia começado. Sempre me interessaram os movimentos de design moderno latino-americano, porque todos eles estão carregados de um forte substrato político: Brasil, México, Venezuela, Chile, Argentina. Então quis investigar o que havia acontecido em Cuba. Nessa pesquisa, descobri, porque eu não conhecia tão bem o que havia acontecido em Cuba – e quase ninguém sabe – que houve em Cuba um movimento de design muito importante, uma indústria que funcionou a serviço da Revolução. Foram designers que transformaram os espaços para esse projeto revolucionário, seja para propaganda, seja para questões práticas. Essa complexidade estética de um projeto utópico que se pretendia realizar, mas que ao mesmo tempo se transformou em uma ditadura”, conta. “Esse movimento de designers durou algum tempo, mas depois foi cancelado, porque, uma vez que Fidel Castro se consolidou no poder, essas questões deixaram de interessá-lo tanto”.


CLARA PORSET [1895-1981] – CUBA/MÉXICO

Marco A. Castillo ressalta que “a designer mais importante de Cuba é Clara Porset [1895-1981]”. Radicada no México desde 1935, “ela foi uma pensadora, uma ativista social e também uma grande designer”. Clara Porset “foi protagonista junto àquela geração de artistas e designers anteriores aos anos 1960, especialmente entre os anos 1940 e 1950, em meio a muita gente importante naquela época, que se reuniu no México, relacionada aos problemas da guerra na Europa”. De volta a Cuba em 1959, a designer participou ativamente do ideal revolucionário daqueles primeiros anos, retornando ao México em 1963, onde “foi a designer fetiche de Barragán [1902-1988], o grande arquiteto mexicano”, salienta Castillo.


Depois de mostrar “La casa del decorador” na 13ª Bienal de Havana, em 2019, e no UTA Artist Space, em Los Angeles, Castillo levou, em 2023, o projeto para a Cidade do México, em uma casa modernista construída em 1959, com projeto de Francisco Artigas – coincidência de nome com o arquiteto brasileiro – e Jaime Muller. Em2024, “The Hands of the Collector”, foi apresentada no Cranbook Art Museum, em Detroit, nos EUA. 


BRASIL: MOVIMENTO DE DESIGN MAIS FORTE DA AMÉRICA LATINA 

Marco A. Castillo diz que a “casa de Artigas me fascinou profundamente”. “Entre tantas coisas, pelo caráter de Artigas, por sua história e por sua trajetória revolucionária. Foi uma grande coincidência, uma sorte encontrá-la”. Para o artista, “o Brasil tem o movimento de design mais forte da América Latina”.


Castillo conta que “O futuro já não é”, subtítulo sugerido pela curadora Lívia Debbane, “é uma mistura de otimismo e pessimismo”. “É muito interessante, porque é ela quem estabelece o paralelo entre a missão de Artigas – o arquiteto que sempre sonhou com um futuro utópico para o Brasil, que queria transformar a sociedade brasileira, torná-la mais justa – e eu”, observa Castillo. “No texto dela, Lívia estabelece esse contraste entre Artigas e eu – com toda a modéstia do mundo, porque não quero me comparar a esse grande arquiteto, mas fazer esse contraste funcionar é muito interessante, porque eu sou o resultado da utopia. Sou alguém que nasceu e cresceu em uma comuna, em uma utopia. Artigas nunca soube o que era viver e crescer em uma utopia – eu sim. Talvez por isso eu tenha uma posição diferente e uma visão mais realista sobre o que é essa transformação social”, ressalta Castillo. “Há também um aspecto crítico no meu trabalho. Estou dentro da casa de Artigas, mas ao mesmo tempo articulo uma crítica à ideologia que ele sonhou em determinado momento”. “Me parece interessante trazer agora esse diálogo e mostrar que há também uma camada estética na Revolução Cubana.E essa é uma forma de falar também da complexidade da vida que vivemos em Cuba, para o bem e para o mal”.


Livia Debbane, no texto que acompanha a exposição, explica que “A Casa do Decorador” “reúne um conjunto de obras produzidas ao longo dos últimos sete anos, provocadas pelo reencontro de Marco Castillo com a estética que marcou sua infância”. Ela aponta que “em seu revisionismo histórico-estético, Castillo se apropria de símbolos e modos de produção da época”. A curadora salienta que “este período fecundo – em que nasceram indústrias e a primeira escola superior de design no país – foi precocemente interrompido, quando coincidem o estreitamento das relações entre Cuba e a União Soviética na Guerra Fria (de onde se importaram, por exemplo, elementos de arquitetura pré-fabricada), o falecimento de [Celia] Sanchez e, finalmente, a dissolução da URSS”. 


Nomes relevantes do design cubano, como Gonzalo Córdoba e María Victoria Caignet são referências a trabalhos de “A Casa do Decorador”. 


ALGUNS DESTAQUES DA EXPOSIÇÃO

“Abrindo o percurso da exposição, a escultura de parede concêntrica faz referência a uma luminária que Córdoba projetou para jovens domicílios, de produção em massa. Mas ela remete, também, a equipamentos instalados no país caribenho para interceptar dados de satélites estadunidenses, como o da base de inteligência ‘Lourdes’, que dá nome à escultura”, escreve Livia Debbane. 


“Na sala de jantar, pendem do pé-direito duplo três obras da série ‘María Victoria’. Este conjunto de trabalhos reverencia a intenção dos designers cubanos de criar, dentro de uma linguagem moderna e universal, um lastro local; móveis adaptados ao clima, que usavam madeiras nativas, técnicas e referências vernaculares afro-caribenhas e indígenas, como o vime e a palhinha trançados. A disposição espacial dos componentes das ‘María Victoria’, por sua vez, remete a uma ‘vista explodida’, tipo de desenho técnico que detalha as partes de um conjunto. Em alguma medida, essa composição pode ser lida como um projeto que implodiu”. 


Dispostas sobre uma bancada, estão as dez obras em papel, tecido e compensado de bétula multilaminado que formam a instalação “Dictadura I”(Instalación), 2024. Ao caminhar ao longo dos trabalhos, o público vê uma série de formas geométricas recortadas em volumes que parecem livros enormes. Vistas no sentido inverso do percurso, é possível ler a palavra “Dictadura” formada pelos espaços vazados. 


“Dispersa e oculta de tal modo entre os volumes, a mensagem faz pensar em tudo que se vive por dentro sem se dar conta – seja uma narrativa de ficção ou um regime autoritário –, e que apenas a distância agencia algum tipo de reflexão crítica”, observa a curador.


SOBRE MARCO A. CASTILLO

Marco A. Castillo (1971, Camaguey, Cuba)é um dos membros fundadores do coletivo Los Carpinteros, criado em Havana, em 1992, formado também por Dagoberto Rodriguez Sanchez e Alexandre Arrechea (que deixou o grupo em 2003). Castillo vive e trabalha em Mérida, México.


Em consonância com o movimento global de revisionismo histórico, Castillo reflete sobre o processo de modernização de Cuba durante as décadas de1960 e 1970, fazendo referência a influentes artistas, arquitetos e designers cubanos. As esculturas e os trabalhos em papel de seu mais recente projeto combinam elementos do design moderno e do realismo socialista do período soviético a técnicas e materiais cubanos tradicionais – incluindo a madeira de mogno e a treliça de palha, além do desenho gráfico daquelas épocas.


Recentemente, o artista tem concentrado seu trabalho em reinterpretar obras de figuras-chave daquilo que chama de “geração esquecida”, como Gonzalo Córdoba, María Victoria Caignet, Rodolfo Fernández Suárez (Fofi), Joaquín Galván e Walter Betancourt. Assumindo um ponto de vista político, Castillo busca seguir a trilha deixada por esses artistas históricos, ao mesmo tempo em que se afirma como defensor e propagador da herança artística cubana.


Entre suas exposições individuais recentes estão: La Casadel Decorador: la revolución de la vida diaria, na Casa Modernista da Colonia Roma Sur, Cidade do México(2024); The Hands of Collector, no Cranbrook Art Museum(2024), em Detroit, nos EUA; del estado, na Nara Roesler(2021), em São Paulo; The Decorator’s Home, no UTA Artist Space (2019), em Los Angeles, Estados Unidos;El susurro del palmar, na Galerie Peter Kilchmann (2018),em Zurique, Suíça; El otro, el mismo, no KOW (2018), em Berlim, Alemanha; La cosa está candela, no Museo de Arte Miguel Urrutia (2017), em Bogotá. Participou de inúmeras edições da Bienal de La Habana, Havana(2018, 2015, 2012); e da 13th Sharjah Biennial, Beirut(2017). 


Seus trabalhos integraram diversas exposições coletivas, tais como: Latin American Work on Paper, na Mayor Gallery (2018), em Londres; Everyday Poetics, no Seattle Art Museum (2017), em Seattle, EUA; No Place Like Home, no Israel Museum (2017), em Jerusalém; Contingent Beauty: Contemporary Artfrom Latin America, no Museum of Fine Arts (2015), em Houston, EUA.


Suas obras figuram em importantes coleções institucionais,tais como: Centre Georges Pompidou, Paris; Centrode Arte Contemporáneo Reina Sofia, Madri; Museode Arte Latino-Americano de Buenos Aires (MALBA), Buenos Aires; Solomon R. Guggenheim Museum, NovaYork, EUA; Tate Modern, Londres;e Whitney Museum of American Art, Nova York, EUA, entre outros.


SOBRE NARA ROESLER

Nara Roesler organizou sua primeira exposição de arte contemporânea em 1976 em Recife; mudou-se para São Paulo em 1986, onde consolidou a galeria com seu nome em 1989, sendo hoje uma das principais galeristas do Brasil, reconhecida por desempenhar um papel fundamental na promoção e internacionalização de seus mais de 50 artistas. Com sede em São Paulo, Nara Roesler expandiu seu programa para o Rio de Janeiro em 2014 e tornou-se a primeira galeria brasileira a estabelecer uma presença internacional ao inaugurar, em 2016, um espaço em Nova York, reforçando seu compromisso com a difusão da arte nacional no cenário global.


Com o objetivo de fomentar consistentemente a prática curatorial e a pesquisa crítica, criou, em 2002, o Roesler Hotel, um programa que promoveu o intercâmbio entre curadores e artistas estrangeiros e brasileiros. Em 2011, foi a primeira galeria de arte contemporânea a criar uma editora, a Nara Roesler Books, que já publicou mais de 30 títulos.


Ao longo de sua trajetória, a Nara Roesler tem contribuído significativamente para o desenvolvimento das carreiras de seus artistas, oferecendo suporte contínuo e plataformas de destaque para a apresentação de seus trabalhos, incluindo-o sem importantes instituições, bem como em relevantes coleções privadas, tanto no Brasil quanto no exterior. Seu programa inclui nomes consagrados, como Abraham Palatnik, Amelia Toledo, Antonio Dias, Artur Lescher, Daniel Buren, Heinz Mack,Julio Le Parc, Lucia Koch, Tomie Ohtake, Vik Muniz, e uma nova geração de artistas consolidados, como André Griffo, Bruno Dunley, Jaime Lauriano, Jonathas de Andrade, JR.


Serviço

Marco A. Castillo – “A casa do decorador”


Casa Domschke

Rua Comendador Elias Zarzur, 2.030, Santo Amaro, São Paulo.


Terça a sexta, das 11h às 17h, sábados, das 11h às 15h. 


Entrada gratuita. 


Canais digitais da Nara Roesler:

Comunicação: Thais Schio thais.schio@nararoesler.art 

https://nararoesler.art/

Instagram – @nararoesler

Facebook – @NaraRoesler

YouTube – https://www.youtube.com/user/nararoesler 

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