Exposição "Ficção" de Rodrigo Bivar
Exposição

Exposição "Ficção" de Rodrigo Bivar

Exposição

  • Nome: Exposição "Ficção" de Rodrigo Bivar
  • Abertura: 17 de outubro 2026
  • Visitação: até 28 de novembro 2026

Local

  • Local: Zielinsky
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Travessa Dona Paula, 33, Higienópolis - São Paulo, SP

Rodrigo Bivar aproxima figuração e abstração em obras inéditas na exposição "Ficção"

Em individual na Zielinsky, artista apresenta pinturas produzidas em 2026 e coloca diferentes momentos de sua produção em obra site-specific



Durante cerca de dez anos, Rodrigo Bivar construiu uma produção figurativa a partir de fotografias de cenas cotidianas. Por volta de 2015, passou também a investigar a abstração, primeiro por meio de construções geométricas e, posteriormente, de formas mais orgânicas. Esses dois caminhos nunca deixaram de coexistir em seu trabalho. Agora, pela primeira vez, eles se encontram fisicamente.


Esse encontro é um dos pontos centrais de Ficção, primeira exposição individual de Bivar na Zielinsky, em São Paulo. Com texto crítico de Ana Roman, a mostra abre em 17 de outubro e reúne trabalhos inéditos produzidos ao longo de 2026, revelando diferentes desdobramentos da pesquisa do artista em torno da pintura, da cor, da forma e dos limites entre figuração e abstração.

O percurso culmina na última sala da galeria, onde Bivar apresenta uma obra site-specific concebida especialmente para a parede que ocupa. Sobre uma grande mata desenhada em escala arquitetônica, o artista dispõe pequenas telas com formas e seres presentes em outros momentos de sua produção. Figura e fundo, personagem e cenário, desenho e pintura passam a compartilhar um mesmo espaço, sem que Bivar procure esconder as diferenças de escala, técnica e suporte entre eles. "Hoje, um trabalho alimenta o outro. Mesmo que a figuração e a abstração não tenham uma relação visual imediata e possam parecer coisas completamente diferentes, para mim elas se atravessam dentro do ateliê", afirma o artista Rodrigo Bivar. A obra funciona também como síntese de uma questão que acompanha Bivar há anos. Embora visualmente distintas, figuração e abstração não representam etapas que se sucederam ou uma linguagem que substituiu a outra. 

Da geometria às formas orgânicas
A abstração entrou na produção de Bivar por volta de 2015, inicialmente por meio de planos e faixas de cor de caráter mais geométrico. Aos poucos, esse rigor começou a dar espaço a formas orgânicas, que hoje ocupam parte importante de sua pesquisa.

Nas pequenas pinturas reunidas em Ficção, o processo envolve desenhar, cobrir, apagar e escavar sucessivamente a superfície. Camadas de tinta se acumulam até que determinadas formas e contornos se estabeleçam. Algumas parecem sugerir personagens, gestos ou movimentos, mas escapam de uma identificação definitiva.

Os próprios títulos ajudam a alimentar esse jogo. Trabalhos como Divino, Zanga, Bigode Rosa e Susto atribuem estados de ânimo, características ou traços às formas abstratas, aproximando-as novamente de algo reconhecível sem transformá-las propriamente em figuras.

A cor ocupa lugar fundamental nesse processo. Se nas pinturas figurativas ela esteve, durante muito tempo, ligada à representação de objetos e cenas reconhecíveis, a abstração permitiu a Bivar tratá-la de maneira autônoma, a partir das relações criadas dentro de cada trabalho.

"Quando começo uma pintura, tenho algumas ideias, mas não tenho clareza absoluta de tudo o que vou fazer. É à medida que pinto que entendo para onde o trabalho está me levando. Por isso aparecem tantas camadas: começo buscando uma cor, ela não funciona, tento outra, cubro novamente. É quase uma escavação", explica Bivar. 

O que normalmente funcionaria apenas como acabamento ou proteção passa, assim, a fazer parte da composição. Moldura, vazio, papel e pintura recebem atenção semelhante, aproximando esses trabalhos da ideia de pinturas-objetos. Duas ficções

O título da exposição amplia essas questões para além da oposição entre figuração e abstração. Em Ficção, a ideia de inventar imagens também se relaciona à possibilidade de construir novas maneiras de organizar e perceber a realidade.

Nas pinturas de Bivar, cada composição estabelece suas próprias relações entre cores, formas e gestos. Algumas parecem formar pequenos universos autônomos; outras provocam o olhar justamente pela dificuldade de determinar onde termina uma forma e começa outra.

Na obra que encerra a mostra, essa ambiguidade ganha escala arquitetônica. A mata e as pequenas pinturas coexistem sem que uma seja subordinada à outra. As diferenças permanecem visíveis e a fronteira entre os dois universos passa a ser parte do próprio trabalho. "A ficção e a elaboração poética também ajudam a criar aquilo que entendemos como realidade. Nossa educação sentimental passa pelos livros, pelos filmes, pela música, e acredito que as artes visuais também tenham esse papel. O mundo da fantasia também ajuda a moldar o mundo da realidade", finaliza o artista. 

As referências cromáticas podem surgir de elementos cotidianos. O laranja de uma bola de basquete, o vermelho de uma moto Honda, exemplos citados pelo próprio artista, ajudam a explicar a busca por cores abertas, próximas de uma visualidade industrial e popular. Para Bivar, ele não é a pintura e nem ela se volta apenas para o interior da tela, mas estabelece uma relação com o ambiente e pode transformar a percepção do espaço que está inserida. O artista recorta folhas de papel Paraná, pinta as formas e, depois, incorpora molduras desenvolvidas especialmente para cada trabalho. Fundo e moldura recebem cores industriais escolhidas em catálogos, criando um contraste com as tonalidades preparadas manualmente no ateliê.

Serviço
Ficção — Rodrigo Bivar
Galeria Zielinsky

Abertura: 17 de outubro de 2026
Horário: das 14h às 18h
Em cartaz até: 28 de novembro de 2026

Travessa Dona Paula, 33 — Higienópolis, São Paulo
Entrada franca 

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