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Exposição "Entre raízes e ruínas" individual de Marina Hachem
Exposição

Exposição "Entre raízes e ruínas" individual de Marina Hachem

Exposição

  • Nome: Exposição "Entre raízes e ruínas" individual de Marina Hachem
  • Abertura: 27 de junho 2024
  • Visitação: até 03 de agosto 2024

Local

  • Local: Casa Triangulo
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Rua Estados Unidos 1324 . Jardins . São Paulo

Casa Triângulo tem o prazer de apresentar a primeira individual de Marina Hachem na galeria, com texto crítico de Victor Gorgulho. 
 

Tudo aquilo que nasce é também tudo aquilo que morrerá. É, a princípio, o que parece nos sussurrar o conjunto de obras inéditas apresentadas pela artista Marina Hachem (São Paulo, 1993), em sua primeira exposição individual na Casa Triângulo. Através de uma prática artística que transcende o plano bidimensional em obras que apresentam uma verdadeira vocação–e desejo–escultórico, a artista paulistana nos apresenta uma série de novas obras bidimensionais e três esculturas de sua autoria 
 

À primeira vista, talvez seja a curiosidade pela dimensão formal o primeiro aspecto a nos atrair pelos trabalhos de Marina Hachem. Através de um peculiar processo que parte do plano pictórico–liso, ainda nu e virgem designificado–Hachem conjuga o uso de materiais a princípio díspares, ou pouco familiares entre si, de modo a torna-lós quase que alquimicamente pares, matérias perfeitamente casadas 
 

O engenhoso processo da artista parte da utilização deum maquinário próprio da marcenaria para reforçar o que acima, chamamos de uma inequívoca e evidente dimensão escultórica destes trabalhos. Através do corte e da manipulação de superfícies de madeira–de modo similar a um método de desenho sobre este material–a artista esculpe formas que remetem a uma miríade sem fim de imagens próprias de seu imaginário ou advindas de referências fotográficas e de outras fontes. 
 

Em um segundo estágio, há o papel incontornável do fogo. É através da queima destes relevos espaciais esculpidos em madeira que a artista atinge os robustos tons de preto que, em seguida, são banhados por materiais pouco convencionais como graxa e cera, responsáveis pela polidez do acabamento com que os tons escuros de suas obras fazem saltar os olhos daqueles que as observam 
 

Por fim, por entre a superfície entrecortada das formas destes trabalhos, é aplicada uma camada de graute, um tipo especifico de concreto comumente utilizado na construção civil. Como em todo o transcorrer de seu fazer artístico aqui a artista empreende a complexa tarefa de destituir o material de seu aspecto primariamente bruto, fazendo um frutifero uso dos distintos tons de cinza revelados pelo concreto para que estes ganhem aspectos visualmente um tanto mais poéticos–estamos diante da superfície da Lua?, por exemplo, perguntamo-nos, encantados e perplexos. 
 

É neste momento que, nós, visitantes desta espécie de sítio arqueológico do futuro criado no espaço expositivo em que nos encontramos situados, deixamos de nos ater aos aspectos formais de seus trabalhos. Se em um primeiro instante, nosso fascínio é capturado pela virtuosa capacidade de Hachem de mesclar materiais de origens distintase chegar em um resultado tão plasticamente refinado, passamos a nos entregar, então, apenas ao deleite da apreciação metafísica/metafórica de tudo aquilo que está a nos cercar, na presente exposição 
 

É a dimensão poética do olhar de cada um que será capaz de ver, em formas radicalmente distintas entre si, raízes ou ruínas, formas orgânicas ou arquitetônicas, leitos de rio e também caminhos abstratos nas obras que preenchem as paredes do espaço expositivo 
 

O que antes apresentava-se como um sussurro parece, em um momento avançado, ganhar considerável volume similar àquele presente no desejo das formas bidimensionais de ganharem o espaço real em que estamos a pousar nosos pés e o peso de nossos corpos 
 

É o que revelam, por exemplo, as três esculturas situadas para além das paredes, criaturas fugitivas das superficies lisas e brancas do território que nos circunda. Feito rochas, repousam sobre o espaço com uma brutal leveza evidenciando a complexidade formal tamanha alcançada pela especificidade do processo engendrado pela artista 
 

Já não sabemos–e tampouco nos importamos–se estamos situados em um jardim de plantas férteis e águas forte sou, quem sabe, em um longínquo terreno de fósseis e vestígios de tudo aquilo que restará num futuro não tão distante, quando a presença humana já não mais existir no planeta que hoje chamamos de Terra. Ainda além–sim é possível, não temos mais dúvidas!, estamos a vivenciar um outro insuspeito local, tão distante e talvez aqui tão perto, um território possível, enfim: o habitat natural da artista. 
 

Marina Hachem (1993, São Paulo. Vive e trabalha em São Paulo). Formada em Artes Visuais pela Fundação Armando Alvares Penteado, em São Paulo, estudou também na Central Saint Martins, em Londres. Participou de exposições coletivas como Artista de Artista, Galeria Luisa Strina, São Paulo (2023) et tu Art Brut?,Andrew Edlin Gallery, New York (2018) e Novíssimos, IBEU Galeria de Arte, Rio de Janeiro, Brasil (2018). Realizou as exposições individuais Ensaio sobre o fim do mundo, curadoria de Agnaldo Farias, Galeria Lume, São Paulo (2022)Entrelinhas, curadoria de Maguy Etilin, Galeria Arte Hall, São Paulo (2016). Participou do programa de residência artistica da SVA, New York (2019). 
 

Marina Hachem: Entre raízes e ruínas

Abertura: 27 de junho das 18h às 21h

Período da exposição: de 28 de junho a 03 de agosto de 2024

Local:Casa Triangulo

Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins, São Paulo

Horário de funcionamento: Terça a Sexta das 10h às 19h. Sábado das 10h às 17hTelefone (11) 3167-5621 

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