Exposição "Encontros Insólitos", de Célia Cymbalista
Exposição

Exposição "Encontros Insólitos", de Célia Cymbalista

Exposição

  • Nome: Exposição "Encontros Insólitos", de Célia Cymbalista
  • Abertura: 26 de março 2026
  • Visitação: até 30 de junho 2026

Local

  • Local: Galeria Teo
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Rua João Moura, 1298 – São Paulo, SP

ENCONTROS INSÓLITOS 


CÉLIA CYMBALISTA NA GALERIA TEO 


26 DE MARÇO A 30 DE JUNHO  



A Galeria Teo apresenta Encontros Insólitos, exposição que coloca em diálogo o mobiliário moderno brasileiro e a arte escultórica em cerâmica e ferro de Célia Cymbalista. 


Em cartaz até 30 de junho de 2026, a mostra ocupa a sede da galeria com um  percurso amplo e imersivo, no qual diferentes temporalidades, materiais e  linguagens se encontram e se tensionam. 


Dedicada ao design moderno brasileiro, a Galeria Teo constrói, ao longo de  quase duas décadas, uma atuação pautada por pesquisa, curadoria e restauro  especializado. Em Encontros Insólitos, esse repertório histórico é ativado por  uma articulação curatorial que amplia sua leitura e desloca seus limites. 


A mostra se constrói a partir dessa fricção. Entre a cultura material modernista  e a pesquisa escultórica de Cymbalista, emerge uma investigação sobre  fronteiras entre obra e uso, singularidade e repetição, rigor e gesto. 


No modernismo, forma e função constroem um pacto de equilíbrio. Na  produção de Cymbalista, equilíbrio é sempre um estado instável. Ao  aproximá-los, a exposição desloca o olhar. O mobiliário deixa de ser apenas  objeto de uso e se afirma como gesto cultural, enquanto a escultura deixa de  ser apenas presença simbólica e se revela como construção material. Cada  linguagem ilumina a outra.


A curadoria e a expografia são assinadas por Teo Vilela Gomes e Claudio  Novaes. No núcleo artístico dedicado à artista, a historiadora da arte e gestora  cultural Lorette Coen atua como co-curadora, conferindo densidade crítica e  articulação conceitual à leitura das obras. 


ENSAIO CURATORIAL | LORETTE COEN 

Encontros insólitos 

Célia Cymbalista na Galeria Teo 


O encontro entre Célia Cymbalista e Teo Vilela foi fortuito. Uma surpresa para  ambos. 


Ela, figura da cerâmica como arte; ele, alma da Galeria Teo dedicada ao melhor  do design moderno brasileiro. Se conheceram e de imediato estabeleceu-se  um diálogo. O desejo de mostrar o trabalho de Célia no espaço da galeria e na  SP-Arte se revelou e amadureceu com o apoio e a cumplicidade de toda a  equipe que, de maneira proficiente, faz as exposições surgirem no mundo.  Assim criou-se outro fértil encontro: aquele do belo mobiliário nacional das  décadas de 1930 a 1970 com as obras pujantes de Célia. 


Percebendo a riqueza contida na proposta, a Galeria Teo suscita um diálogo — ou talvez um confronto. Ou ambos, no intuito de estimular perguntas e  reflexões e, mais diretamente, de refrescar o olhar. 


Escolhendo a cerâmica como modo de expressão, Célia Cymbalista sempre  situou seu trabalho na estreita divisa entre obra de arte e peça utilitária,  transpondo sistematicamente essa fronteira convencional. Não busca a  perfeição. Às vezes, suas peças apresentam textura rugosa, granulada. Captam  sombras e luzes, ressoam ecos e reminiscências, aludem discretamente a  culturas outras, alcançam equilíbrios além do formal. E não param por aí:  expressam, afirmam, sorriem, interrogam, lembram. Demonstram total  indiferença ao espírito decorativo. 


Que fazem suas peças únicas na companhia do mobiliário da galeria?  Divertem-se. Rompem a ordem do design polido, elegante, refinado e por  vezes austero. Contestam seu rigoroso acabamento, que faz sua força e  também seu limite. Ao estilo opõem o acidental. Iluminam o lado sombrio da madeira, acentuam o encanto do design brasileiro. Ao caráter potencialmente  replicável, opõem a obra única e sem limite. As peças explicam-se  mutuamente. Um sopro vital anima o espaço. 


Exaltando com sutileza a relação entre terra e madeira, a Galeria Teo revela a  fertilidade do encontro. A beleza instala-se como necessidade. 


CÉLIA CYMBALISTA | MATÉRIA COMO LIGUAGEM 

O trabalho de Célia Cymbalista desenvolve-se a partir de recorrências formais  que emergem de maneira intuitiva, por vezes com longos intervalos entre uma  aparição e outra. Há em sua produção uma espécie de memória interna da  forma, um repertório silencioso que reaparece ao longo dos anos.  Posteriormente, a artista reconhece nessas imagens afinidades estruturais com  artefatos ancestrais, não como citações literais, mas como ressonâncias entre  matéria, gesto e tempo. 


A matéria ocupa posição central em sua pesquisa. Mais do que suporte, ela é  linguagem. Tensões, marcas, acidentes e irregularidades não são corrigidos,  mas incorporados à estrutura da obra. Seu trabalho nasce desse estado de  escuta do comportamento do material, em que o processo se torna parte  constitutiva da forma. 


A investigação orienta-se frequentemente pelos limites físicos e estruturais da  cerâmica e do ferro. Peças de grande escala, extremamente finas, implicam  risco elevado durante a execução e a queima. Muitas delas existem no limiar  do equilíbrio, apoiando-se em poucos pontos de contato. Um deslocamento  mínimo pode levá-las à queda. Essa tensão permanente constitui elemento  essencial de sua poética. 


Há, nessas esculturas, um paradoxo recorrente, objetos de presença densa e  materialidade intensa que ocupam o espaço de forma leve, quase suspensa.  A física do equilíbrio e a química da transformação do barro em cerâmica  atravessam sua produção. Diferentemente de quem esculpe pedra e termina  com pedra, Cymbalista inicia com barro e finaliza com cerâmica, materiais  radicalmente distintos.


Sob a curadoria de Lorette Coen, as obras em cerâmica instauram no espaço  uma dimensão sensível e experimental, tensionam materiais e funções e  ampliam a leitura do acervo histórico da Galeria Teo. Nesse encontro, o design  se afirma como campo vivo, aberto a novas interpretações e ressonâncias  contemporâneas. 


Sem títulos, suas obras preservam a abertura de sentidos e privilegiam a  relação direta entre objeto, espaço e espectador. Indiferentes ao espírito  decorativo, não existem para completar o espaço, mas para ativá-lo. 


SOBRE A ARTISTA | CÉLIA CYMBALISTA 

Reconhecida por seu desempenho artístico, Célia Cymbalista atuou com vigor  para uma melhor apreensão da cerâmica como expressão no cenário  brasileiro, indiferentemente das categorias. Trabalhou também como  formadora. Ulteriormente, estendeu seu engajamento à ação socioambiental. 


Nascida em São Paulo em 1943, passou por várias fases de aprendizagem e  pesquisas, com residências em centros artísticos como Alfred University nos  Estados Unidos e o Centro international de artistas em residence e centro de  pesquisa para a ceramica (EKWC) em 's Hertogenbosch (NL), desenvolvendo  seu domínio das matérias e das técnicas, afirmando-se tanto no campo do  utilitário como no da obra plástica, sem solução de continuidade. 


Seu período de produção mais intenso se estendeu dos meados dos anos  oitentas até o início do seculo XXI, com exposições em museus e centros de  arte prestigiosos, entre outros: o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu  de arte moderna de São Paulo (MAM), a Pinacoteca de São Paulo, o Instituto  Moreira Salles Paulista e Stedelijk Museum Schiedam, na Holanda. Obras de  Célia estão conservadas em acervos institucionais importantes. 


SOBRE A CURADORA ARTÍSTICA | LORETTE COEN 

Lorette Coen, 1943, nasceu em Alexandria, Egito, vive entre Lausanne, na  Suíça, e São Paulo. 


Se formou em filosofia, história, história da arte e literatura nas Universidades  de Lausanne e Paris VIII. Trabalhou como jornalista, ensaísta, curadora de  exposições na Suíça, na França e na Espanha.  


Publicou vários estudos e livros sobre arte, design, arquitetura, urbanismo e  paisagem. Presidiu a Comissão Suíça de Design, participou de diversos júris  europeus, lançou e dirigiu projetos socioculturais de grande porte. Em 2020,  recebeu o Prix de l’Éveil da Fondation vaudoise pour la culture. Exerce uma  atividade de conselheira artística e escreve. 


SOBRE A GALERIA TEO 

A Galeria Teo é dedicada ao design moderno brasileiro, com foco na produção  das décadas de 1930 a 1970. Seu acervo reúne mobiliário histórico e peças  autorais que revelam a força construtiva, material e cultural do modernismo no  Brasil. 


Fundada pelos irmãos Lis e Teo Vilela Gomes, a galeria atua com pesquisa,  curadoria e restauro especializado, valorizando tanto a autoria quanto o  trabalho artesanal que sustenta essa tradição. Nesse contexto, o design é  compreendido como expressão de matéria, gesto e tempo. 


Com sede em São Paulo, a Galeria Teo promove exposições e encontros que  ampliam o diálogo entre design, arte e memória.  


Em 2026, como desdobramento da exposição Encontros Insólitos, o projeto  foi apresentado no Setor Design da SP-Arte, entre 08 e 12 de abril, em uma  leitura concentrada do diálogo entre mobiliário modernista e a produção  escultórica de Célia Cymbalista. 


Em breve, a galeria expande suas atividades para a Alameda Cleveland,  reunindo acervo e oficinas de restauro em um espaço aberto ao público. 


Serviço

ENCONTROS INSÓLITOS | GALERIA TEO 


26 de março a 30 de junho de 2026 


Galeria Teo 

Rua João Moura, 1298 

São Paulo, SP — 05412-003 — Brasil 


+55 11 3063-1939 

https://casateo.com.br/ | Instagram @galeriateo


Horário de funcionamento 

Segunda a sexta, das 9h às 18h 

Sábado, das 10h às 14h 

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