Exposição "Ela não seguia tudo, uma parte do todo..." | RICARDO BASBAUM – MARCELO REZENDE
Exposição
- Nome: Exposição "Ela não seguia tudo, uma parte do todo..." | RICARDO BASBAUM – MARCELO REZENDE
- Abertura: 17 de novembro 2021
- Visitação: até
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- Evento Online: Sim
O projeto Ela não seguia tudo, uma parte do todo, prestava atenção com interesse, compreendia com surpresa, com cuidado repetia, com dificuldade maior recordava, esquecia com facilidade, com apreensão rerrecordava, rerrepetia equivocada: anfiquiral – sugestão indireta implicando interesse próprio é fruto de uma troca entre o artista Ricardo Basbaum e o pesquisador Marcelo Rezende, em uma proposição do aarea.co para a Galeria Jaqueline Martins. A partir de 20 de setembro, o projeto ocupa o website da galeria: as informações e o discurso institucional da JM darão lugar a diferentes perspectivas que tocam questões presentes na trajetória da galeria, que neste ano completa 10 anos de atividade.
O projeto foi elaborado em uma longa temporada de conversas, procurando entender de que forma as estratégias e escolhas estabelecidas pela galeria Jaqueline Martins perpassam pontos centrais para uma possível narrativa (até o momento não sistematizada) sobre o que poderia ser entendido como um “conceitualismo brasileiro”, e de que maneira seus expedientes formais, sociais e políticos se apresentam hoje na produção contemporânea. O projeto investiga, de modo aberto, a presença da arte conceitual e do conceitualismo no Brasil e o vê como uma experiência particular, regida e gerada dentro do contexto brasileiro, e não apenas uma extensão dos movimentos ocorridos nos Estados Unidos, Europa, Ásia ou outras nações da América Latina partir de meados da década de 1960.
Considera-se os processos culturais brasileiros, referentes aos projetos de modernização e ao projeto construtivo, bem como aspectos históricos dos processos de industrialização, como a educação, apontando para as lutas indígenas e anti-racistas e disputas de poder na sociedade brasileira, a presença e a recusa da “cultura popular”, as questões regionais, a expansão dos mecanismos tecnológicos de comunicação ou os constantes estados de exceção vividos durante o século XX e ainda na segunda década deste novo século. Se, nesse contexto, há um movimento que possa se afirmar como “conceitual” ou “conceitualista”, ele poderia ser classificado como acidental, projetual ou formal? Quais são as inclusões e exclusões nessa classificação? Quem a define? Como a define?
Embora sejam muitas as possibilidades de abordagem, o trabalho aqui apresentado não se organiza em uma série de respostas, mas ao contrário: ele propõe explorar pontos de observação para que outras perguntas possam ser feitas, diante da ideia de que esse objeto (um “conceitualismo brasileiro”) é um projeto inacabado e, certamente, em permanente processo. Essas questões alimentam a construção da obra do início ao fim, das escolhas mais simples às mais complexas, e não escapam ao título. O estudo da teoria dos nós, reservado a áreas da matemática contribuiu para o trabalho com um tom metafórico. Além de partir dos nós como elemento fundamental de representação, e de perscrutar seus pontos internos de contato, a obra explora a questão dos nós por sua complexidade relacionada à propriedade geométrica de simetria da imagem. O nó anfiquiral, por exemplo, presente no título, traz questões de equivalência e espelhamento de sua própria imagem. Parte do título é livre apropriação de um trecho de Ulisses, de James Joyce (1922),[1] responsável em grande partida pelas contribuições do projeto moderno na literatura universal e, no seu melhor sentido, um libelo contra estratificações conservadoras e regionalismos.
Ela não seguia tudo, uma parte do todo, prestava atenção com interesse, compreendia com surpresa, com cuidado repetia, com dificuldade maior recordava, esquecia com facilidade, com apreensão rerrecordava, rerrepetia equivocada: anfiquiral – sugestão indireta implicando interesse próprio toma proveito de ferramentas de programação para propor um website que abriga linhas paralelas, convidando o usuário a criar percursos por entre desenhos de nós acessados aleatoriamente em um diagrama invisível de códigos. Convidado a seguir em uma navegação por meio de linhas e escalas, será preciso avançar por um percurso não linear de referências e conteúdos. Dessa forma, o trabalho sugere outra perspectiva sobre o processo de organização de um fio narrativo sobre conceitualismos. Sinalizando o percurso dos conteúdos em sua integralidade, é reservado ao visitante a conquista de uma série de nós finais, configurando um efeito simbólico de desfecho, ou, melhor, de desenlace, de uma trama que, no entanto, não é em nada conclusiva e permanecerá aberta a outros rumos, movimentos e associações, reiniciando-se a cada nova sessão de navegação pelo projeto.
Exposição "Ela não seguia tudo, uma parte do todo..." | RICARDO BASBAUM – MARCELO REZENDE