Exposição "Comigo ninguém pode", de Adriana Varejão e Rosana Paulino
Exposição
- Nome: Exposição "Comigo ninguém pode", de Adriana Varejão e Rosana Paulino
- Abertura: 09 de maio 2026
- Visitação: até 22 de novembro 2026
Local
- Local: Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
- Evento Online: Não
- Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo, Itaú e Petrobras apresentam
Fundação Bienal de São Paulo apresenta o projeto curatorial para o Pavilhão do Brasil na Biennale Arte 2026
Idealizada por Diane Lima, proposta reúne obras históricas e produções inéditas de Adriana Varejão e Rosana Paulino
São Paulo, 14 de abril de 2026 — A Fundação Bienal de São Paulo anuncia o projeto curatorial do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia, realizado em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores. Essa exposição é oferecida pela Petrobras.
Intitulada Comigo ninguém pode, a exposição tem curadoria de Diane Lima e reúne, em um diálogo inédito, as artistas Rosana Paulino (São Paulo, 1967) e Adriana Varejão (Rio de Janeiro, 1964), que ocuparão integralmente o Pavilhão do Brasil a partir de maio de 2026. A exposição adota uma abordagem instalativa que desafia a arquitetura moderna do Pavilhão do Brasil, com expografia desenvolvida por Daniela Thomas em diálogo com as artistas e a curadoria.
Tomando como ponto de partida e estado de espírito as características sincréticas e ambíguas da planta popularmente conhecida como comigo-ninguém-pode, espécie que, por conta da sua toxicidade, se transformou num símbolo de proteção e resiliência, o projeto convida o público a uma experiência sensível que propõe novas formas de perceber as relações entre natureza, história e espiritualidade. Rompendo a linearidade do tempo, a exposição coloca em diálogo obras históricas da produção de mais de três décadas das duas artistas, em que ambas se dedicam às feridas e traumas coloniais, ao mesmo tempo que destaca como esta reescrita da história também se manifesta por processos de metamorfose e pelo diálogo com a performance das materialidades no espaço.
O título também faz referência a um desenho da série Senhora das plantas, de Paulino. Além disso, Varejão, por meio da pintura, simula diferentes materialidades, como concreto, carne, talha barroca e cerâmica, culminando no elemento botânico. “O projeto faz um convite para que nos conectemos a uma frequência que abre a possibilidade de ver o transcendente no visível. Ao evocar essa energia, Comigo ninguém pode reflete sobre as manifestações da fé e da espiritualidade na cultura brasileira, destacando sua estreita relação com a natureza, com as dimensões mais-que-humanas e, sobretudo, na construção de uma complexa imaginação pública. Esses elementos constituem práticas cotidianas que nos permitem vislumbrar uma realidade que, por vezes, é mais ampla ou mais profunda do que aquela que percebemos no mundo visível. Ao reescrever a história, Comigo ninguém pode reconstrói as paredes da memória e atribui novos significados às ruínas e feridas coloniais por meio de seres fantásticos, celestiais e mágicos”, comenta Diane Lima.
O partido curatorial foi concebido para enfatizar os diálogos que percorrem as trajetórias prolíficas de ambas as artistas. A exposição reúne pinturas, esculturas e desenhos, bem como novas obras de grande escala desenvolvidas especialmente a partir desse encontro. As obras foram escolhidas por meio de sobreposições, tensionamentos e aproximações simbólicas, cromáticas, matéricas e iconográficas que constituem este repertório histórico e cultural nacional. “Desde o momento em que surgiu a ideia de convidar Rosana e Adriana, que o meu maior desafio foi apresentá-las como uma composição, uma única voz, repleta de harmonias e dissonâncias, de modo que este gesto e as nossas próprias presenças tivessem, como num jazz, uma dimensão muito mais performativa e sensorial do que didática sobre a nossa história. Acredito que o Brasil verá a si mesmo como um reflexo e uma sombra no espelho, um autorretrato pintado com conversas sobre a carne, a natureza e a fé”, completa Diane Lima.
“Em trabalhos como Aracnes e Ninfa tecendo o casulo, retomo a imagem da mulher negra como tecelã de vida e memória, aquela que extrai do próprio corpo a matéria para sustentar a continuidade. São obras que afirmam a força da reconstrução, da sutura e da permanência diante da violência histórica”, comenta Paulino.
“Estou trabalhando intensamente em muitas obras novas para o Pavilhão que foram pensadas em diálogo direto com a arquitetura do edifício. As pinturas se distribuem de maneira imprevisível no espaço, assumindo um caráter instalativo e fazendo do prédio parte ativa do trabalho”, afirma Varejão.
“A curadoria de Diane Lima e o encontro entre Adriana Varejão e Rosana Paulino consolidam um célebre projeto para a presença brasileira em Veneza. É uma proposta que fundamenta nosso compromisso institucional com uma participação consistente, contemporânea e conectada ao debate global”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo.
Recuperação do Pavilhão do Brasil
O Pavilhão do Brasil, projetado por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral em 1964, foi recuperado pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores. O processo foi realizado em três fases: a primeira concentrou-se em reparos estruturais essenciais; a segunda recuperou elementos-chave do projeto arquitetônico original, mais notadamente as paredes laterais de vidro e a fachada do Pavilhão; e a fase final foi concluída no início de 2026.
A Fundação Bienal de São Paulo agradece seu parceiro estratégico Itaú e seus patrocinadores máster Petrobras, Bloomberg, Bradesco, Citi, Vale e Vivo.
Sobre Diane Lima
Diane Lima (Mundo Novo-BA, Brasil, 1986) é curadora, pesquisadora e uma das principais vozes do feminismo negro na arte da América Latina. Foi parte do coletivo curatorial de coreografias do impossível, a 35ª Bienal de São Paulo (2023), e assina a curadoria de exposições como Paulo Nazareth: Luzia, no Museo Tamayo (Cidade do México, 2024) e O rio é uma serpente, a 3ª Trienal de Artes Frestas (2020/2021). Também organizou o programa Diálogos Ausentes no Itaú Cultural (2016–2017), que desempenhou um papel histórico na virada anticolonial da arte contemporânea brasileira. Entre os reconhecimentos recentes estão sua nomeação como vice-presidente do Conselho Consultivo Científico da documenta e do Museum Fridericianum gGmbH (2025, Alemanha) e a premiação pela Ford Foundation Global Fellowship (2021). Diane é autora e editora da antologia Negros na Piscina: Arte Contemporânea, Curadoria e Educação (2024), que documenta os últimos dez anos de debates sobre racialidade e arte no Brasil. Também foi nomeada como curadora-chefe do 39ª Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Sobre Adriana Varejão
Adriana Varejão (Rio de Janeiro, Brasil, 1964) desenvolve, desde os anos 1980, uma obra marcada por reflexões críticas sobre o colonialismo e a formação plural da cultura brasileira. Realizou exposições panorâmicas em instituições como Centro de Arte Moderna Gulbenkian, em Lisboa; Pinacoteca de São Paulo; Haus der Kunst (Munique); Museo Tamayo (Cidade do México); ICA (Boston); Malba (Buenos Aires); Hara Museum (Tóquio); e Fondation Cartier (Paris). Também participou das bienais de São Paulo, Sydney, Havana, Liverpool e Istambul. Ao longo de sua trajetória, recebeu importantes reconhecimentos como a Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura do Brasil, e a condecoração Chevalier des Arts et des Lettres, do governo francês. Suas obras integram coleções de museus como Tate Modern (Londres), Metropolitan Museum of Art e Guggenheim (Nova York), Dallas Museum of Art, Stedelijk Museum (Amsterdã), Fundação Serralves (Porto), Museo Reina Sofía (Madri) e MASP (São Paulo). No Instituto Inhotim, em Brumadinho-MG, possui um pavilhão permanente dedicado à sua obra.
Sobre Rosana Paulino
Rosana Paulino (São Paulo, Brasil, 1967) vive e trabalha em São Paulo. Doutora em artes visuais e bacharel em gravura pela Escola de Comunicações e Artes da USP, é também especialista em gravura pelo London Print Studio. Reconhecida como uma das artistas mais relevantes de sua geração, recebeu prêmios de grande prestígio, como o Konex Mercosur: Artes Visuais (Argentina, 2022), MUNCH Award (Noruega, 2024), Jane Lombard Prize (Estados Unidos, 2025) e Black Mountain College (Estados Unidos, 2025). Sua obra integra os acervos de importantes instituições, entre elas: MAM SP, Pinacoteca de São Paulo, MASP, Malba (Buenos Aires), Pérez Art Museum (Miami) e The Studio Museum in Harlem (Nova York), MoMA, (Nova York), University of New Mexico Art Museum (Albuquerque), Harvard Art Museums (Cambridge), Tate Modern (Londres) e Centre Pompidou (Paris).
Sobre a Fundação Bienal de São Paulo
Estabelecida em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas, cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul, criada em 1951, e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.
Serviço
Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
Exposição: Comigo ninguém pode
Comissária: Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo
Curadoria: Diane Lima
Participantes: Adriana Varejão e Rosana Paulino
Assistente de curadoria: Giovanna Querido
Local: Pavilhão do Brasil
Endereço: Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália
Pré-abertura: 5 a 8 de maio de 2026, 10h – 19h
Data: 9 de maio a 22 de novembro de 2026
De 9 de maio a 27 de setembro, 11h – 19h
De 29 de setembro a 22 de novembro, 10h – 18h
Fechado às segundas-feiras (exceto nos dias 11 de maio, 1º de junho, 7 de julho e 16 de novembro)