Exposição coletiva "Telúricos"
Exposição
- Nome: Exposição coletiva "Telúricos"
- Abertura: 05 de fevereiro 2026
- Visitação: até 12 de março 2026
Local
- Local: Nara Roesler São Paulo
- Evento Online: Não
- Endereço: Avenida Europa, 655 – São Paulo, SP
Nara Roesler apresenta a exposição Telúricos
A curadora Ana Carolina Ralston selecionou trabalhos, muitos deles inéditos, de dezesseis artistas – entre nomes consagrados internacionalmente – como Richard Long (um dos pioneiros da landart), Not Vital e Isaac Julien –, ou no circuito nacional, como Brígida Baltar (1959-2022) e Amelia Toledo (1926-2017), e artistas convidados, oriundos de várias partes do país, que têm despontado em bienais como a das Amazônias ou do Mercosul, e chamado a atenção por seu trabalho. O elemento terra, em suas múltiplas camadas e manifestações, percorre as obras expostas, desde a matéria em si como suas representações, em pinturas, desenhos, esculturas, fotografia e videoinstalação. Ana Carolina Ralston destaca que “Telúricos” propõe a ativação de outros sentidos, além do olhar, e estão na mostra esculturas olfativas e também sonoras.Os artistas, de distintos gêneros, lugares, gerações e suportes são, além dos mencionados acima: Alessandro Fracta, amorí, Ana Sant’anna, C. L. Salvaro, Denise Alves-Rodrigues, Felipe Góes, Felippe Moraes, Flávia Ventura, Karola Braga,Kuenan Mayu e Lia Chaia.
Nara Roesler São Paulo tem o prazer de convidar para abertura, no dia 05 de fevereiro de 2026, às 18h, da exposição “Telúricos”, com curadoria de Ana Carolina Ralston, com mais de 40 trabalhos, muitos deles inéditos, que, em vários suportes, “buscam repensar a política a partir do chão em que pisamos, que nos sustenta e, ao mesmo tempo, expande e limita nossas possibilidades de existência”. A exposição investiga a força profunda da matéria terrestre e as relações viscerais entre o corpo humano e o corpo da Terra, e as obras presentes abordam, de maneiras distintas, esses aspectos. “Telúricos” se insere na pesquisa de Ana Carolina Ralston sobre natureza e tecnologia, e a curadora menciona o pensador Bruno Latour (1947-2022), para quem “a matéria terrestre não é um simples suporte, mas um agente de vontade, um núcleo de energia ativa que convoca metamorfoses e insurgências; uma força subterrânea que não é apenas cenário, mas protagonista”.
Logo na primeira sala, estará a escultura “Moon”(2017), em mármore branco com 160 cm de diâmetro, do suíço Not Vital (1948, Sent), perto das três obras de Richard Long (1945, Bristol, Inglaterra), seu amigo e um dos pioneiros da land art, criadas em 2024 a partir de pedaços de madeiras recolhidas pelo artista, a que acrescentou tinta acrílica e argila. Nas paredes, estarão duas pinturas inéditas de Ana Sant’anna (1992, Salvador) – “O instante que paira” e “Nut”, ambas de 2025, em tinta óleo sobre tela, “paisagens que misturam nosso imaginário e espaços telúricos”, ressalta a curadora. A importante videoinstalação “Enterrar é plantar” (1994), de Brígida Baltar (1959-2022), com quatro telas, registra sua ação de “enterrar suas memórias”, e acompanha dois desenhos “Sem título” da artista, um de 2000, e outro de 2002. A instalação “Canto das ametistas” (2001), de Amelia Toledo (1926-2017), com seus blocos de ametistas no chão – refletidos e amplificados por dois painéis de aço inox apoiados na parede, em um ângulo de 90 graus –,foi escolhida por sua ressonância mineral e espiritual, característica do trabalho da artista.Na parede frontal do grande espaço com pé direito duplo, ficará a fotografia “Under Opaline Blue (Stones Against Diamonds)”, de 2015, de Isaac Julien (1960, Londres), com 180 cm de altura por 240 de largura.
OUTROS SENTIDOS, ALÉM DO OLHAR
A artista Karola Braga (1988, São Caetano do Sul, São Paulo; vive na capital) tem seu trabalho baseado na pesquisa do olfato. Sua escultura “Perfumare” (2025) em metal com difusão contínua de névoa, estará na vitrine da galeria Nara Roesler. Duas outras esculturas, inéditas, dispostas na parede, são em cera de abelha aromática: “Mirra: Passagem” e “Olíbano: Ascensão”, ambas de 2025.
Próximo a este núcleo ficará a escultura sonora de Denise Alves-Rodrigues (1981, Itaporã, Mato Grosso do Sul;vive e trabalha em Brasília) – “O método do cristal”(2020), com um prato de metal, usado por bateristas, cristal de quartzo, circuito eletrônico, madeira e som.
A artista amorí (1995, zona da mata do sul de Pernambuco; vive e trabalha em Recife) está na exposição com dois trabalhos inéditos: a grande escultura “As duas” (2025), com três metros de comprimento, em ferro, látex, estopa de algodão e couro, e a pintura “O cio da terra” (2024), em tinta óleo sobre painel. “Enfermeira, o trabalho de amorí fala muito sobre o humano, os curativos atados com gazes e látex, e também sobre a transformação do próprio corpo”, comenta Ana Carolina Ralston.
Kuenan Mayu (2003, Manaus) é uma jovem “artivista” indígena trans, pertencente às etnias Tikuna e Tariana, a que está profundamente conectada. Suas três obras inéditas, da série “Eware” (2025), foram criadas com pigmentos naturais – açafrão-da-terra, argila branca, cumate, crajirú, jenipapo, pacová e pau-brasil – sobre fibra da entrecasca de árvore da Amazônia.Algumas palavras do idioma Tikuna não têm tradução para o português, mas a artista faz aproximações para os títulos das obras expostas: “Ãun`ãtchi” – o encantamento do corpo físico e espiritual ou quando nós fundimos com a natureza, no qual o ser se transforma em um espírito imortal em Eware, o sagrado Magü’ta; “Cu’natchana’ã arü” – o ato da transmutação de uma matéria encantada, em que a matéria deixa de ser apenas física e passa a veículo de força espiritual e cura; e “Guu’ma y naanegü” – significa “Toda Terra”, conceito baseado na cosmovisão do povo Magü’ta de coexistência entre todos os seres, conectados por forças e espíritos das águas, da terra e do céu, onde a natureza é o todo sagrado.
Dois artistas mostrarão trabalhos inéditos feitos sobre juta. Flávia Ventura (1991, Belo Horizonte), com a pintura em grande formato “Noite” (2025), da série “Paisagens internas”, em tinta óleo sobre juta, com 2,5 metros de altura por 2 metros de largura. 0 x 200 cm. “Sua pintura traz bastante materialidade, com uma relação forte com o ambiente natural. O ser biomórfica no centro parece enraizando, que nos faz lembrar que fazemos parte da natureza”, diz a curadora..
Alessandro Fracta (1997, Manaus; vive e trabalha entre Manaus e Rio de Janeiro) traz dois trabalhos, um tríptico e outro em grande formato, todos em fibra de juta bordada sobre tela de juta,de 2025, da “Série Amuletos de um tempo sinuoso”. “Alessandro Fracta é um artista nortista e ribeirinho, que pensa sua identidade a partir do território”. “Ele vem trabalhando a fibra de juta e bordado”, informa Ana Carolina Ralston.
Um conjunto com três obras vermelhas de Lia Chaia (1978, São Paulo), da série “Organóide” (2024), em base acrílica e tinta esmalte acetinada, suspensas do teto por linhas de aço, representam “as entranhas do corpo humano, a força interior do corpo da mulher”, aponta a curadora.
INSTALAÇÃO SUSPENSA
Na passagem entre as salas, atravessando o percurso do público, estará a instalação “Antes de afundar, flutua” (2026), feita por C. L. Salvaro (1980, Curitiba) especialmente para o espaço da exposição, com planta, terra, entulho e tela de arame. Uma parte da obra ficará próxima ao chão, e outra suspensa, de modo a permitir a passagem dos visitantes por baixo dela. “A obra interfere arquitetonicamente no ambiente,como se estivéssemos passando por baixo da terra, e provoca uma reflexão sobre nossa rota, nossos caminhos, também subterrâneos na vida”, afirma a curadora. Do artista estarão ainda duas obras na parede: “PP” (2022), em resina, fibra de vidro e terra, e “Deposições” (2021), formada por quatro esculturas em resina, resíduos, madeira policromada, parafina e metal, com 22 cm de altura, e largura total de 55 centímetros. Ana Carolina Ralston ressalta que Salvaro “é um artista experimental que trabalha com aideia de arqueologia, como se fosse escavando e tirando essas memórias que habitam esse lugar do interior da terra”.
VULCÕES E CONSTELAÇÕES
Vulcões, em cores vibrantes, estão em “Pintura 332” (2018), com140 x 140 cm, e “Pintura 458” (2025), com 100 x 90 cm, ambas em tinta acrílica sobre tela e inéditas, de Felipe Góes (1983, São Paulo). “Felipe trabalha bem em grandes e pequenos formatos, tratando a paisagem com delicadeza e as questões cromáticas de forma interessante e profunda”, conta a curadora. Na exposição, o trabalho do artista ocupa esta manifestação da Terra, “com esta força interna imensa que funciona como uma válvula de escape”, observa Ana Carolina Ralston.
Felippe Moraes (1988, Rio de Janeiro) entra em “Telúricos” com três obras em neon, que representam as constelações dos três signos de elemento terra na astrologia: “Taurus”, “Virgo” e “Capricornius”, todas de 2023, da série “Solaris Discotecum”. Dele estarão ainda duas pinturas em tinta acrílica, de 2025, inéditas, da série “Evento Celestial”: “Aganjú”, “Sirius A & B” e “Tempestade Solar”.
Ana Carolina Ralston assinala que a exposição se fundamenta em um conceito do filósofo Gaston Bachelard (1884-1962), em seu livro “A Terra e os Devaneios da Vontade” (1948): “A imaginação telúrica cava sempre em profundidade; ela não se contenta em superfícies, precisa descer, pesar, resistir”.
“No contexto desta exposição, a força telúrica aparece como essa pulsação compartilhada: o calor subterrâneo que, mesmo invisível, repercute em nossos corpos. Os artistas tornam-se escutadores dessa carne profunda — como se cada obra fosse uma tentativa de registrar a respiração lenta e inaudível do planeta”, escreve no texto que acompanha a mostra.
SOBRE ANA CAROLINA RALSTON
Ana Carolina Ralston é mestra pela Columbia New York University / Universidade de Barcelona em jornalismo cultural, e pós-graduada em arte, crítica e curadoria pela PUC de São Paulo. Pesquisadora e curadora de artes visuais, organiza e faz textos e projetos para instituições, entre elas Pavilhão da Bienal, MIS-SP, Museu de Belas Artes de São Paulo (MuBA), Centro Cultural Correios – em São Paulo e no Rio de Janeiro –, Praça das Artes e Biblioteca Mário de Andrade, e galerias, como Nara Roesler, Raquel Arnaud, A Gentil Carioca, Marilia Razuk e Leme. Foi curadora adjunta do museu FAMA, em Itu/SP,entre 2018 e 2020, onde assinou exposições de Louise Bourgeois,Tracey Emin, Arthur Bispo do Rosário entre outras; e diretora artística da galeria Kogan Amaro, com unidades em São Paulo e Zurique, durante o mesmo período. Como jornalista, foi redatora-chefe da revista mensal do jornal “O Estado de S. Paulo”, sobre moda e cultura, entre 2020 e 2023. Também foi editora sênior de cultura e lifestyle da “Vogue Brasil”, entre 2013 e 2018, e diretora da“Harper’s Bazaar Art”, em 2019. Sua pesquisa trata sobre o universo ambiental e a tecnologia.
SOBRE NARA ROESLER
Nara Roesler é uma das principais galerias de arte contemporânea do Brasil, representa artistas brasileiros e latino-americanos influentes da década de 1950, além de importantes artistas estabelecidos e em início de carreira que dialogam com as tendências inauguradas por essas figuras históricas. Fundada em 1989 por Nara Roesler, a galeria fomenta a inovação curatorial consistentemente, sempre mantendo os mais altos padrões de qualidade em suas produções artísticas. Para tanto, desenvolveu um programa de exposições seleto e rigoroso, em estreita colaboração com seus artistas; implantou e manteve o programa Roesler Hotel, uma plataforma de projetos curatoriais; e apoiou seus artistas continuamente, para além do espaço da galeria, trabalhando em parceria com instituições e curadores em exposições externas. A galeria duplicou seu espaço expositivo em São Paulo em 2012 e inaugurou novos espaços no Rio de Janeiro, em 2014, e em Nova York, em 2015, dando continuidade à sua missão de proporcionar a melhor plataforma possível para que seus artistas possam expor seus trabalhos.
Serviço
Exposição “Telúricos”
05 de fevereiro de 2026, às 18h
Até: 12 de março de 2026
Entrada gratuita
Nara Roesler São Paulo
Avenida Europa, 655
Segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábado, das 11h às 15h
Telefone: 55 (11) 2039 5454
info@nararoesler.art