

Exposição coletiva "Nossa Senhora do Desejo"
Exposição
- Nome: Exposição coletiva "Nossa Senhora do Desejo"
- Abertura: 29 de março 2025
- Visitação: até 21 de junho 2025
Local
- Local: GALERIA ALMEIDA & DALE
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua Caconde, 152, Jd. Paulista e Rua Fradique Coutinho, 1430, Vila Madalena
ALMEIDA & DALE COMPRA GALERIA MILLAN E INAUGURA A NOVA FASE COM MOSTRA DEDICADA À OBRA TRANSGRESSORA DE PEDRO MORALEIDA
Galeria comandada por Antônio Almeida e Carlos Dale planeja construir nova sede em São Paulo em 2026
Com curadoria de Lisette Lagnado, Nossa Senhora do Desejo reúne cerca de 100 obras de 20 artistas em torno do legado do artista mineiro, morto precocemente aos 22 anos
A partir de março, a Almeida & Dale inicia uma nova fase ao efetivar a aquisição da Galeria Millan, assumindo oficialmente a gestão de seus espaços expositivos e portfólio de artistas. Esse movimento, que aproxima os mercados primário e secundário, reflete uma tendência crescente no mercado global da arte e busca consolidar a posição da galeria em um cenário cada vez mais dinâmico e competitivo.
O marco inicial desse novo momento acontece no dia 29 de março, com a inauguração da exposição Nossa Senhora do Desejo, reunindo 20 artistas nacionais e internacionais em torno da obra visceral e transgressora de Pedro Moraleida Bernardes (1977-1999), que partiu precocemente, aos 22 anos de idade. Na sequência, a galeria recebe em seus outros espaços individuais dos artistas Thiago Hattnher e Paulo Pasta, reafirmando o caráter plural e potente que pretende imprimir em sua programação.
As duas galerias iniciaram uma parceria em 2019, mantendo, no entanto, trajetórias paralelas e estruturas independentes. Durante esse período, compartilharam acervos, promoveram intercâmbio de obras e desenvolveram projetos conjuntos, alcançando resultados frutíferos. Agora, concretiza-se enfim a unificação das duas estruturas sob o nome Almeida & Dale.
Ex-sócios na Millan, André Millan e Socorro de Andrade Lima assumem na nova configuração os papéis estratégicos de Diretor Artístico e Diretora Comercial, respectivamente. João Marcelo de Andrade Lima e Hena Lee tornam-se sócios-executivos, ao lado de Antônio Almeida e Carlos Dale.
"O modelo de atuação das galerias mudou significativamente nas últimas décadas, passando por uma grande profissionalização. O que estamos implementando agora é uma gestão empresarial estratégica, com uma visão de futuro", pontua Millan.
Fundada em 1998, a Almeida & Dale consolidou-se como uma das galerias mais influentes do país, promovendo o legado de artistas fundamentais para a história da arte brasileira e inserindo suas obras em importantes acervos e coleções, tanto nacionais quanto internacionais. Nos últimos anos, sob a direção de Antônio Almeida e Carlos Dale, a galeria revisitou o trabalho de grandes nomes, produzindo exposições individuais e publicações de destaque - algumas das quais no exterior - de mestres como Willys de Castro, Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho, Mestre Didi, Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Jandira Waters, Roberto Burle Marx, José Leonilson, Rubem Valentim, Lygia Pape e Miriam Inez da Silva.
A Millan, por sua vez, consolidou-se como uma referência incontornável no cenário artístico brasileiro e internacional desde a sua criação, em 1986. Comprometida com o diálogo contínuo entre gerações e linguagens, a galeria não apenas impulsionou carreiras emergentes, mas também desempenhou um papel crucial na internacionalização de nomes que hoje integram o cânone da arte brasileira, como Tunga, Anna Maria Maiolino e Miguel Rio Branco. Suas obras não só encontraram espaço em algumas das instituições mais prestigiadas do mundo - MoMA (NY), Tate Gallery (Londres), Reina Sofia (Madri), Stedelijk Museum (Amsterdã) e Centre Pompidou (Paris) -, como também figuraram em bienais em São Paulo, Veneza e Moscou, entre outras.
Além de ter realizado, em 2005, a primeira exposição de um artista brasileiro no Louvre, com Tunga, por duas décadas a galeria manteve uma colaboração marcante com o espólio de Mira Schendel, resultando em mostras exibidas no MoMA e na Tate Modern, que posteriormente circularam por três continentes. Atualmente, a Millan mantém um elenco que articula diferentes perspectivas artísticas e poéticas, representando criadores como Alex Červený, Daiara Tukano, Henrique Oliveira, Maxwell Alexandre, Maya Weishof, Miguel Rio Branco, Nelson Felix, Paulo Pasta, Peter Halley, Tatiana Blass e Vivian Caccuri. Além disso, a galeria é responsável pelos espólios de Jaider Esbell, Feliciano Centurión e Tunga.
Um dos aspectos mais inovadores desse longo processo de incorporação da Millan pela Almeida & Dale é a adoção de uma estratégia universalizante, que integra os mercados primário e secundário em um mesmo projeto. Essa abordagem é nova no Brasil. Tradicionalmente, existe uma distinção clara entre as galerias do mercado primário, que trabalham com artistas em atividade e investem em produções inéditas, e as galerias do secundário, que se concentram na compra e venda de obras de artistas já estabelecidos e eventualmente na representação de espólios.
Segundo Carlos Dale, essa confluência é uma tendência mundial e ganhou novo ímpeto com a oportunidade única de aquisição da Millan, que traz consigo "uma tradição de 35 anos de mercado, um portfólio extremamente diversificado e artistas com alto potencial de internacionalização". Para Antônio Almeida, "o mercado da arte precisava de uma mudança. Todos queriam essa mudança. Ao unirmos o olhar artístico apurado da Millan e o seu time de artistas à expertise e portfólio da Almeida & Dale, conseguimos ampliar imensamente a potência da arte brasileira e latino-americana no mundo, e isso é positivo para o mercado, para os artistas e para os colecionadores", resume.
A estratégia deve ajudar a ampliar o raio de ação da galeria tanto nacional como internacionalmente. "Uma das coisas que temos buscado nesse novo modelo de negócio é a capilaridade. É se abrir mais e buscar novos parceiros, artistas e colecionadores fora do eixo Rio-São Paulo e também no exterior", diz João Marcelo.
"É no primário que se constrói o futuro da arte", destaca Socorro de Andrade. "Nosso compromisso é colaborar com artistas de origens diversas, nos tornando cada vez mais uma plataforma para múltiplas vozes, com ampla representatividade em nosso portfólio", complementa Hena Lee.
A junção entre as duas instituições só se tornou possível porque a Almeida & Dale sempre transcendeu o papel tradicional das galerias de mercado secundário. Explica Dale: "Buscamos alavancar a carreira de artistas por meio da nossa visão de mercado. Quando nos deparamos com histórias e artistas que nos interessam, trabalhamos cinco, dez anos para impulsionar este artista e alavancar sua relevância. Fazemos o mapeamento de todas as suas obras, estabelecemos uma relação com a família, fechamos a representação do espólio. Muitas vezes esse espólio não tem obras, então há um longo trabalho de pesquisa para identificar as disponíveis no mercado. Trazemos curadores nacionais ou internacionais para o projeto, produzimos livro, exposição, levamos as obras do artista para feiras internacionais, fazemos doação para museus e instituições. Então, o nosso trabalho no mercado secundário sempre foi muito além da simples comercialização das obras."
"Nosso propósito é a profissionalização e a busca pelo impulsionamento dos artistas e da arte de maneira ampliada. Buscamos fortalecer e favorecer o mercado como um todo", conclui Almeida.
REBELDE E ICONOCLASTA, MORALEIDA GANHA EXPOSIÇÃO NOS 25 ANOS DE SUA MORTE
Organizada pela curadora e crítica de arte Lisette Lagnado, a mostra que homenageia Pedro Moraleida Bernardes ocupará dois endereços da nova Almeida & Dale, como parte das celebrações pelos 25 anos da morte do artista mineiro, que partiu precocemente aos 22 anos de idade. A exposição propõe diálogos entre sua obra, artistas que o influenciaram e uma nova geração que compartilha de sua inquietação e irreverência.
A produção intensa de Moraleida, marcada pela desobediência, escatologia e crítica social, segue sendo revisitada e reinterpretada ao longo do tempo. Graças ao empenho de seus pais, Luiz Bernardes e Nilcéa Moraleida, junto a professores e artistas, seu acervo sempre esteve acessível a pesquisadores, estimulando novos estudos sobre a obra. Desde setembro de 2024, a Academia Mineira de Letras (AML), em parceria com o Instituto Pedro Moraleida Bernardes (iPMB), o Viaduto das Artes e o Grupo Oficina Multimedia, tem promovido seminários e exposições em Belo Horizonte, ampliando a reflexão sobre o seu legado. Em 2019, o Instituto Tomie Ohtake realizou a primeira retrospectiva do artista fora de sua cidade natal, com curadoria de Paulo Miyada.
Embora frequentemente associada, de maneira simplista, ao neoexpressionismo alemão, a prolífica obra do artista – que abrange desenhos, pinturas, textos e experimentos sonoros – vai muito além dessa influência. Moraleida teve acolhida entusiasmada por parte de curadores brasileiros e estrangeiros, e, segundo Lisette, 'ainda há muito a ser explorado sobre as fontes que o inspiraram'.
Nossa Senhora do Desejo mergulha em temas recorrentes em sua produção, como capitalismo, patriarcado, saúde mental, guerra planetária, direito à vida e vida artificial. Dentre os vários nexos iluminados pela mostra, destaca-se aquele que o aproxima do poeta francês Antonin Artaud: a opção por "uma existência que se recusa a anestesiar as emoções". Como sintetiza a curadora, ambos examinam uma sociedade abusiva e tóxica, vociferando contra o pecado católico e a perversão acumulativa da burguesia.
Num movimento tentacular, outros elos vão se desenhando, como a sintonia entre sua força insubmissa e a arte de Jaider Esbell e Arthur Bispo do Rosario (em registros flagrados pela lente do mestre da cor Walter Firmo), que brota da violência institucional e a transmuta poeticamente em "energia de combate". O caráter iconoclasta e a mordacidade política conectam a produção de Moraleida à de Leon Ferrari, figura fundamental do conceitualismo latino-americano, presente na exposição com a série "Releituras da Bíblia". Figuras como Basquiat e Leonilson, usualmente lembradas como influências para Moraleida, também fazem parte dessa constelação de referências evidenciadas pela exposição.
Além dessas relações de caráter mais histórico, há na seleção proposta por Lagnado a presença importante de duas artistas que conheceram Moraleida, a mineira Cinthia Marcelle e a hispano-brasileira Sara Ramo – da mesma geração surgida no final do século passado, elas prestaram uma assessoria especial no processo de pesquisa e concepção da mostra. O conjunto inclui ainda produções recentes que ecoam a mesma inquietude, como as da paulistana Lia D Castro e do suíço-carioca Guerreiro Do Divino Amor, cuja instalação "Civilizações Super Superiores" foi originalmente apresentada no Pavilhão da Suíça da 60ª edição da Bienal de Veneza.
A expografia dos dois espaços é assinada pelo arquiteto e urbanista Tiago Guimarães, formado pela Universidade Federal do Ceará e atuante em São Paulo desde 2005.
Além dos nomes já citados, completam a mostra obras de Castiel Vitorino Brasileiro, desali, Flávio de Carvalho, Francisco de Almeida, Lia D Castro, Linga Acácio, Trojany, Marta Neves, Regina Parra — artista que apresenta uma performance na abertura da exposição — e Thiago Martins de Melo. O poeta floresta participa da publicação que será lançada durante a exposição com uma seleção de sete poemas extraídos de seu livro rio pequeno (ed. Fósforo, 2022).
Sobre a curadora Lisette Lagnado
Lisette Lagnado é doutora em Filosofia pela USP, crítica de arte e curadora independente. Trabalhou como editora da revista Arte em São Paulo e repórter na Folha de S. Paulo. Em 1993, recebeu o Prêmio de Melhor Exposição da APCA pela curadoria "A presença do ready-made, 80 anos". Co-fundou o Projeto Leonilson e publicou o livro Leonilson. São tantas as verdades (1996). Coordenou a digitalização dos manuscritos de Hélio Oiticica e coeditou a revista eletrônica trópico (1999-2010). Foi curadora da 27ª Bienal de São Paulo (2006), da exposição "Desvíos de la deriva" (2010) e co-curadora da 11ª Bienal de Berlim (2019-2020). Entre 2014 e 2017, dirigiu a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Atualmente, prepara uma exposição para a Pinacoteca do Ceará, prevista para abril de 2025.
Obras de Antonin Artaud (Marselha, 1896 – Ivry-sur-Seine, 1948), Castiel Vitorino Brasileiro (Vitória, ES, 1996), Cinthia Marcelle (Belo Horizonte, MG, 1974), desali (Contagem, MG, 1983), Flávio de Carvalho (Barra Mansa, RJ, 1899 – Valinhos, SP, 1973), floresta (São Paulo, 1988), Francisco de Almeida (Cratéus, CE, 1962), Guerreiro do Divino Amor (Genebra, 1983), Jaider Esbell (Normandia, RO, 1979 – 2021, São Paulo), Jean-Michel Basquiat (Nova York, 1960-1988), León Ferrari (Buenos Aires, 1920-2013), Leonilson (Fortaleza, 1957 – São Paulo, 1993), Lia D Castro (Martinópolis, SP, 1978), Linga Acácio (Fortaleza, 1985) e Trojany (Icó, CE, 1993), Marta Neves (Belo Horizonte, 1964), Pedro Moraleida Bernardes (Belo Horizonte, 1977-1999), Regina Parra (São Paulo, 1984), Sara Ramo (Madri, 1975), Thiago Martins de Melo (São Luís, MA, 1981), e Walter Firmo (Rio de Janeiro, 1937).
Serviço
Nossa Senhora do Desejo
Curadoria de Lisette Lagnado
Consultoria de Cinthia Marcelle e Sara Ramo
Abertura: 29 de março, sábado, das 11h às 16h
Exposição: de 29 de março a 21 de junho de 2025
GALERIA ALMEIDA & DALE
Endereços:
Rua Caconde, 152, Jd. Paulista | Tel. 11 3882-7120 | Visitação: Segunda-sexta, 10h-18h; sábado, 11h-16h
Rua Fradique Coutinho, 1430, Vila Madalena | Tel: 11 3031-6007 | Visitação: Segunda-sexta, 10h-19h; sábado, 11h-15h