Exposição coletiva "Nossa Arte — Novos olhares sobre a pintura brasileira contemporânea"
Exposição
- Nome: Exposição coletiva "Nossa Arte — Novos olhares sobre a pintura brasileira contemporânea"
- Abertura: 09 de setembro 2026
- Visitação: até 31 de dezembro 2026
Local
- Local: Z42 Arte
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua Filinto de Almeida, 42, Cosme Velho - Rio de Janeiro, RJ
NOSSA ARTE — NOVOS OLHARES SOBRE A PINTURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Das periferias às zonas rurais: exposição inédita na Z42, no Cosme Velho, revela outras geografias da pintura brasileira
Com curadoria de Fabio Szwarcwald, Paulo Tavares e Peralta, mostra reúne 20 artistas de diferentes gerações
No dia 9 de setembro de 2026, às 18h, a Z42 Arte, no Cosme Velho, inaugura Nossa Arte — Novos olhares sobre a pintura brasileira contemporânea, exposição que reúne 20 artistas de diferentes gerações e regiões do país, com curadoria de Fabio Szwarcwald, Paulo Tavares e Peralta. A mostra apresenta trabalhos desenvolvidos, em grande parte, fora dos espaços tradicionais de formação e legitimação artística. Em cartaz até 31 de dezembro, a coletiva reúne diferentes modos de pensar e fazer pintura no Brasil hoje.
Do Amazonas a Santa Catarina, passando por Pará, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, participam da exposição Ademilson Felipe, Ágatha Porciúncula, Amomm H. de Deus, Duarte Yanomami, Eli Bacelar, Gê Guevara, Graciete Borges, Helena Rodrigues, José Carlos de Oliveira, Maria José Batista, Matheus Matias, Rhuan, Rodorigo, Seo Antônio Ferreira, Tercília dos Santos, Valques Pimenta, Waldecy de Deus, Wilson dos Santos Formiga, Zayre e Zezim.
São artistas cujas obras partem de experiências e repertórios muito distintos e encontram na pintura um campo para elaborar a vida cotidiana, o trabalho, a religiosidade, as festas populares e as relações com o território.
A diversidade geográfica é um dos princípios do recorte. Nossa Arte aproxima produções das periferias das grandes cidades, de comunidades indígenas, cidades do interior e zonas rurais, colocando lado a lado artistas que construíram seus percursos em circunstâncias e momentos muito diferentes. Alguns têm décadas de trajetória e exposições no Brasil e no exterior; outros começam agora a ganhar visibilidade.
Para os curadores, interessa justamente tensionar as fronteiras entre a chamada “arte popular” e a arte contemporânea, questionando os limites que costumam separar esses dois campos. O conjunto evidencia a variedade de caminhos da pintura realizada hoje no Brasil, marcados por experiências, repertórios e contextos distintos e, em muitos casos, construídos fora da formação artística convencional.
“Há anos, busco conhecer artistas que trabalham fora do eixo Rio-São Paulo. Gosto de estar com eles, conhecer seus lugares e entender como trabalham. Nossa Arte nasce também desses encontros e da vontade de mostrar uma produção que revela a enorme diversidade cultural do país. Precisamos sair das nossas bolhas para perceber a capacidade criativa que existe em tantos outros territórios brasileiros”, afirma Paulo.
Para Peralta, esse deslocamento do olhar é central à proposta da exposição. “Enxergo essa mostra como um exercício de olhar para dentro. O que temos de maior riqueza na é a diversidade cultural. Muitas vezes, centralizamos nosso olhar em um eixo sociocultural que acaba produzindo um imaginário monótono sobre o próprio país. Nossa Arte propõe um contraponto ao reunir artistas e experiências que raramente aparecem juntos quando se pensa a pintura brasileira contemporânea. É interessante perceber que muitos já têm mais de uma década de produção consistente.”“
Um dos grandes objetivos da exposição é abrir espaço para que artistas autodidatas sejam vistos e reconhecidos pela força de seus trabalhos, sem que a formação artística convencional seja um parâmetro para determinar o lugar que ocupam. São obras profundamente ligadas às experiências de vida de cada um, às suas questões e modos de perceber o mundo. Ao aproximá-las, Nossa Arte permite ao público entrar em contato com diferentes Brasis por meio da pintura”, diz Szwarcwald.
As histórias reunidas pela exposição dão a dimensão dessa variedade. Ademilson Felipe, natural de São José de Ubá, no noroeste fluminense, trabalhou no campo e, depois de se mudar para a periferia de Itaperuna, na construção civil. Foi desse ofício que vieram as primeiras tintas com que começou a pintar, inicialmente as paredes da própria casa e, mais tarde, sobras de madeira e telas. José Carlos de Oliveira, de Pernambuco, também chegou à pintura depois de uma trajetória marcada por diferentes ofícios: cortou cana, trabalhou em usina e como servente de pedreiro, apresentou-se em circo, foi seresteiro e aprendeu com o pai o ofício do mamulengo. Depois de anos esculpindo bonecos em madeira, começou a experimentar as tintas.
Em Bananeiras, na Paraíba, Matheus Matias começou ainda criança desenhando com carvão nas paredes da casa onde vive na zona rural. Surdo, sem fala e com perda visual progressiva, fez da criação visual sua principal forma de expressão e passou a cobrir as paredes internas e externas da residência com motivos florais, elementos da natureza e imagens de arte sacra. Já Seo Antônio Ferreira, de Mato Grosso, encontra na infância a origem de sua pintura. Filho de um trabalhador rural, observava a derrubada de árvores para o plantio e depois as refazia em desenhos. Pássaros, plantas, bichos, casas e caminhos formam hoje o universo de suas telas.
Outras obras estabelecem relações diretas com os contextos urbanos e culturais de onde emergem. Nascido na Zona Oeste do Rio, Rhuan observa em suas pinturas o encontro entre o urbano e o rural em Sepetiba, bairro onde cresceu. Na série “Cavaleiros do meu bairro”, acompanha o cotidiano de crianças para quem cavalos, brincadeiras e tarefas da vida rural fazem parte de uma mesma paisagem. Na Zona Norte do Recife, Rodorigo parte das festas e personagens da cultura popular nordestina — do São João e do Carnaval pernambucano ao Jaraguá e à La Ursa — em pinturas marcadas por camadas espessas de tinta e cores intensas.
Entre os artistas com trajetórias mais longas está Eli Bacelar, nascido em Manaus em 1960. Começou a expor aos 15 anos e desenvolveu uma pintura dedicada às paisagens, aos habitantes e aos costumes da Amazônia. Tercília dos Santos, de Piratuba, em Santa Catarina, iniciou sua produção em 1990 e retorna às memórias da infância no meio rural para representar cenas de plantio e colheita, práticas culturais e espirituais.
Já Waldecy de Deus, nascido na Bahia e radicado em São Paulo, construiu desde o fim dos anos 1960 uma trajetória com exposições no Brasil e no exterior, tendo como temas recorrentes festas, manifestações populares, religiosidade e personagens do cotidiano brasileiro. A exposição inclui também a produção de Helena Rodrigues (1947–2026), artista de Salvador, radicada no Rio de Janeiro. Professora e formada em piano pela UFRJ, Helena construiu uma pintura marcada pela observação da cultura e do cotidiano cariocas, com cenas de carnaval, samba, praias, festas religiosas e circo.
Idealizada por Paulo Tavares e Fabio Szwarcwald, Nossa Arte é uma realização do projeto Cultura em Conexão, em parceria com a Galeria Imaginária e A-Ponte. A exposição ocupa a Z42, espaço dedicado às artes visuais instalado em um casarão de arquitetura eclética dos anos 1930, no Cosme Velho. Com cerca de 1.500 metros quadrados, a casa reúne área expositiva, ateliês e auditório.
Sobre os Curadores
Fabio Szwarcwald é economista formado pela UERJ, com MBA em Finanças pelo IBMEC e em Gestão Empresarial pela FGV. Após 22 anos de atuação no mercado financeiro, passou a se dedicar à gestão e a projetos nas áreas de arte, cultura e tecnologia. Foi diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, entre 2017 e 2019, e diretor executivo do MAM Rio, de 2020 a 2022. É fundador da A-Ponte, voltada a projetos de arte, educação e tecnologia, e idealizador e diretor executivo do projeto Arte nas Estações. Integra o Conselho Internacional do New Museum, em Nova York, o Conselho Consultivo da Osesp, o Conselho da Cidade do Rio de Janeiro e o comitê estratégico do Oi Futuro. É também colunista de artes visuais da Veja Rio.
Paulo Tavares é carioca, pesquisador e colecionador. Formado em Engenharia pela PUC-Rio, tem pós-graduações em Administração pela FGV-Rio, História da Arte pela Universidade Candido Mendes e Curadoria pela ZAIT. Em 2019, idealizou a GIM — Galeria Imaginária. Participou da concepção de Prosperidade, Felicidade em Tudo, no Museu do Pontal (2022), e realizou exposições como Por Tudo Aquilo que nos Representa (Casa Bicho, 2022), Bruta Poesia, primeira individual do pernambucano José Bezerra no Rio de Janeiro (Universidade Candido Mendes, 2023), Ensaio Aberto, de Marcelo Conceição (Tropigalpão, 2025), e De onde eu venho (Tropigalpão, 2026), coletiva que reuniu 12 artistas populares das cinco regiões brasileiras.
Peralta é morador de Santa Cruz, curador e cientista social em formação pelo Colégio Pedro II, além de pesquisador do Coletivo Negro e Indígena Carolina Maria de Jesus. Realizou curadorias de exposições como 40 anos iniciais do ensino fundamental do Colégio Pedro II (Teatro Mário Lago, 2024), BAILE (Galeria Ocupá, 2025), OBIRIKITI (Sesc São Gonçalo, 2025), Alvorada (Dutra Gallery, 2025) e De onde eu venho (Tropigalpão, 2026). Foi também residente em equipamentos culturais no Colégio Pedro II, ampliando sua atuação entre território, educação e práticas curatoriais.
Serviço
Nossa Arte — Novos olhares sobre a pintura brasileira contemporânea
Curadoria: Paulo Tavares e Peralta
Iniciativa: Paulo Tavares e Fabio Szwarcwald
Abertura: 9 de setembro de 2026, das 18h às 21h
Encerramento: 31 de dezembro de 2026
Local: Z42 Arte
Rua Filinto de Almeida, nº 42
Cosme Velho | Rio de Janeiro
Horários de visitação: quarta a sábado, das 11h às 19h
Entrada franca | classificação livre