Exposição "Alexandre da Cunha — Dudi Maia Rosa"
Exposição
- Nome: Exposição "Alexandre da Cunha — Dudi Maia Rosa"
- Abertura: 09 de abril 2026
- Visitação: até 23 de maio 2026
Local
- Local: Gomide&Co
- Evento Online: Não
- Endereço: Av. Paulista, 2644, Bela Vista – São Paulo, SP
Alexandre da Cunha — Dudi Maia Rosa
Abril 9 - Maio 23, 2026
A Gomide&Co tem o prazer de apresentar Alexandre da Cunha — Dudi Maia Rosa, exposição que propõe estabelecer um diálogo entre duas práticas que, a partir de procedimentos distintos, compartilham um interesse profundo pela materialidade e pelo potencial transformador de materiais industriais.
A abertura acontece na galeria no dia 09 de abril (quinta-feira), às 18h, e a exposição segue em cartaz até 23 de maio. O texto crítico é da crítica de arte e curadora independente Fernanda Morse.
Desde os anos 1980, Dudi Maia Rosa (São Paulo, 1946) desenvolve um trabalho singular que tensiona os limites tradicionais da pintura. Utilizando resina poliéster e fibra de vidro, o artista constrói superfícies ora translúcidas e ora opacas, nas quais cor, estrutura e suporte surgem simultaneamente. Diferentemente da pintura convencional, em que a imagem é aplicada sobre uma base preexistente, em suas obras a própria matéria pictórica constitui o corpo do trabalho.
O processo começa com a resina ainda líquida, transparente e pigmentável, aplicada em sucessivas camadas que, ao serem catalisadas, incorporam pigmentos, texturas e marcas do próprio fazer, registrando variações térmicas ou possíveis rugosidades do molde, além de decisões tomadas durante a execução. Sobre essa superfície já endurecida, o artista deposita a fibra de vidro, que se funde estruturalmente à pintura, formando uma laminação resistente. Cor e estrutura tornam-se inseparáveis: a mesma matéria que define a tonalidade determina também a espessura, o peso e a consistência da obra.
Embora instaladas na parede, essas peças escapam à planaridade da pintura tradicional. A espessura das lâminas e a possibilidade de cortar, serrar ou recompor os elementos conferem às obras uma presença física que aproxima pintura e escultura. O próprio artista reconhece esse procedimento como uma forma de “pintura expandida”, na qual a superfície pictórica se afirma como objeto e campo de experimentação material.
Por sua vez, a prática de Alexandre da Cunha (Rio de Janeiro, 1969) também se constrói a partir de um encontro direto com a matéria, embora por um caminho distinto. Em seu processo, objetos e fragmentos da cultura material, muitas vezes encontrados no cotidiano urbano, são reunidos como se integrassem um processo de seleção e combinação de elementos. Aproximando materiais diversos, o artista testa tensões, pesos e equilíbrios conforme define a configuração da escultura.
No lugar de transformar profundamente os materiais, Da Cunha frequentemente opera por justaposição, reorganizando objetos provenientes de circuitos amplos de produção e circulação – utensílios domésticos, materiais industriais ou produtos de consumo a nível global. Objetos que carregam consigo histórias de fabricação, uso e descarte. No que são deslocados de seus contextos originais, esses elementos passam a funcionar simultaneamente como portadores de memória e formas escultóricas num sentido mais amplo.
Para a exposição, o artista apresenta duas esculturas modulares, pensadas especialmente para o espaço da galeria. Em uma delas, segmentos de caiaques – fabricados em fibra de vidro – são reorganizados no espaço expositivo, convertendo um objeto de origem utilitária em uma composição escultórica de forte presença formal. A segunda escultura consiste em uma sequência de arcos construídos com pneus e malhas de poliéster, cuja disposição evoca simultaneamente estruturas arquitetônicas e materiais ordinários da cultura urbana.
Em outra sala da galeria, independente da exposição, o público poderá ver um conjunto de esculturas de sua conhecida série das “ikebanas”, que evidencia seu interesse por arranjos em que diferentes objetos se equilibram dentro de uma lógica ao mesmo tempo formal e intuitiva. O artista observa ainda que muitas de suas esculturas partem de preocupações próximas às da pintura, especialmente no que se refere à organização de cor, ritmo e composição no espaço.
Ao comentar o encontro entre os dois artistas na exposição, Alexandre da Cunha reconhece a importância que artistas da geração de Dudi Maia Rosa tiveram na formação de seu próprio repertório. Segundo ele, tratou-se de um grupo que operou com grande liberdade diante dos limites disciplinares da pintura e da escultura: “o Dudi faz parte de uma geração que teve bastante influência na minha prática em algum momento. Esses artistas fizeram algo muito corajoso. No caso do Dudi, ainda mais, porque há uma liberdade enorme no trabalho dele”. Da Cunha destaca especialmente a fluidez com que o artista transita entre diferentes escalas e configurações formais. Por sua vez, Maia Rosa observa no trabalho de artistas como Alexandre da Cunha um deslocamento significativo na relação com a matéria e com os objetos do cotidiano, no qual elementos provenientes da cultura material contemporânea passam a ser reorganizados em composições que preservam algo de sua origem ao mesmo tempo em que adquirem novas qualidades formais.
Se questionados sobre a proposta à primeira vista inusitada de apresentar um diálogo entre suas respectivas práticas, ambos os artistas observam que a aproximação entre as obras permite perceber relações que talvez não fossem imediatamente evidentes. No espaço da exposição, trabalhos desenvolvidos a partir de procedimentos distintos passam a revelar correspondências formais e materiais inesperadas.
Apesar das diferenças de linguagem, o encontro entre os dois artistas revela afinidades importantes. Tanto nas “pinturas-objeto” de Dudi Maia Rosa quanto nas “esculturas pictóricas” de Alexandre da Cunha, materiais associados ao universo industrial – como plásticos, resinas e fibras sintéticas – tornam-se centrais na construção da obra. Em ambos os casos, esses elementos são deslocados de seus contextos habituais e reinscritos em novas relações entre forma, espaço e percepção, evidenciando como a experimentação com a matéria pode expandir os limites tradicionais da pintura e da escultura.
A Gomide&Co agradece às galerias Almeida & Dale, representante de Dudi Maia Rosa, e Luisa Strina, representante de Alexandre da Cunha, por apoiarem a realização da exposição.
Serviço
Alexandre da Cunha - Dudi Maia Rosa
Abertura: 09.04.26, 18h
Visitação: 09.04 - 23.05, 2026
Gomide&Co
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Bela Vista, São Paulo, SP
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