Em cartaz exposições "Cardosinho: Acervo Especial" e "Toda minúcia" de Andre Barion
Exposição

Em cartaz exposições "Cardosinho: Acervo Especial" e "Toda minúcia" de Andre Barion

Exposição

  • Nome: Em cartaz exposições "Cardosinho: Acervo Especial" e "Toda minúcia" de Andre Barion
  • Abertura: 06 de outubro 2026
  • Visitação: até 28 de novembro 2026

Local

  • Local: Galeria Estação
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Rua Ferreira Araújo, 625, Pinheiros - São Paulo, SP

Galeria Estação apresenta Cardosinho: Acervo Especial, conjunto de oito pinturas recém-adquiridas do artista

Com obras produzidas entre 1931 e 1947, a sala incorpora os trabalhos ao acervo da galeria e fica em cartaz de 6 de outubro a 28 de novembro de 2026, em paralelo à visitação de Toda minúcia, primeira individual de Andre Barion em São Paulo


Entre 6 de outubro e 28 de novembro de 2026, a Galeria Estação apresenta a sala Cardosinho: Acervo Especial, com oito pinturas recém-adquiridas do artista José Bernardo Cardoso Júnior (1861–1947). Todas sem título e produzidas entre 1931 e 1947, as obras abrangem diferentes suportes – óleo sobre tela, óleo sobre papel Canson, óleo sobre papelão fixado em MDF, óleo sobre eucatex, óleo sobre compensado e aquarela sobre papel – e evidenciam a variedade técnica e a coerência poética de um dos nomes mais singulares da arte brasileira do século XX. A sala tem visitação simultânea à exposição Toda minúcia, primeira individual de Andre Barion em São Paulo, composta de 27 trabalhos, produzidos entre 2023 e 2026, que ocupam o 2º andar e o mezanino da galeria e apresentam concepções contemporâneas da arte têxtil.  

Nascido em Coimbra, Portugal, em 1861, Cardosinho chegou ao Brasil aos cinco anos de idade. Estudou no Seminário São José, no Rio de Janeiro, e, em 1877, seguiu para Roma, onde se matriculou na Pontifícia Universidade Gregoriana e se tornou bacharel em Filosofia. De volta ao Brasil, dedicou-se ao ensino, atuando como professor e, posteriormente, como inspetor escolar. Lecionou latim, português e francês no Ateneu Mineiro, em Juiz de Fora, e, em 1888, assumiu a inspetoria da Sede Estadual de Ensino Primário do Rio de Janeiro, cargo que exerceria por 30 anos. Também deu aulas no Liceu de Artes e Ofícios da capital fluminense. Casou-se com Felisbela Peixoto, com quem constituiu família. Homem culto, dedicou-se ainda à literatura, escrevendo romances e poesia, que permaneceram inéditos.

Cardosinho começou a pintar por volta dos 70 anos, após se aposentar de uma carreira de mais de quatro décadas dedicada ao ensino. Em entrevista concedida ao jornalista Francisco de Assis Barbosa, publicada em Diretrizes em 18 de setembro de 1941, contou que sua primeira pintura surgiu quando, ainda professor público em Monserrate, decidiu recriar a paisagem de um cartão-postal. Comprou pincel, tinta e uma tela e, algum tempo depois, mostrou o trabalho ao amigo Correia e Castro, pintor e flautista, que o incentivou. Autodidata, passou a construir suas composições a partir da observação direta e de um amplo repertório de imagens encontradas em fotografias, livros, jornais, revistas e cartões-postais. Essas referências eram selecionadas, combinadas e transformadas pelo artista, que reorganizava paisagens, figuras, animais e objetos segundo uma lógica própria. Pássaros, insetos, flores, paisagens, naturezas-mortas e cenas imaginadas aparecem de forma recorrente em sua produção, marcada pela atenção minuciosa aos detalhes e por relações particulares de escala, perspectiva e cor. 

Desde os primeiros anos de sua atividade artística, Cardosinho esteve próximo de figuras centrais do ambiente modernista brasileiro. Sua relação com Candido Portinari foi particularmente significativa. Durante a passagem de Tsuguharu Foujita pelo Brasil, em 1932, Portinari levou o artista ao ateliê de Cardosinho, onde Foujita se interessou por sua produção e adquiriu uma de suas pinturas. Na entrevista de 1941, Cardosinho cita Portinari, Josias Leão, Paulo Prado e Foujita entre os compradores de suas obras. Em 1939, Mário de Andrade dedicou parte do artigo "Artes de novembro", publicado em O Estado de S. Paulo, à sua pintura e ao seu processo de trabalho. A produção também recebeu manifestações públicas de entusiasmo de críticos como Celso Kelly e Rubem Navarra e do escritor Rubem Braga, que incluiu Cardosinho em Três Primitivos, de 1953.

Em depoimento prestado à pesquisadora Rose Ingrid Goldschmidt e à historiadora Maria Christina Guido, em entrevista realizada entre novembro de 1982 e fevereiro de 1983, Maria Portinari, esposa de Candido Portinari, recordou a figura do artista:

"O Cardoso ia muito lá em casa. O velhinho era um homem muito especial. Era como a pintura dele, de uma ingenuidade incrível. (...) A pintura dele era uma delícia. Acho que é o melhor ingênuo que o Brasil já teve." 

Sua obra alcançou circulação internacional ainda em vida. Em 1942, Lincoln Kirstein adquiriu Still Life with View of the Bay of Guanabara (1937), por meio do Inter-American Fund, para o MoMA, em Nova York. A obra integrou a mostra The Latin-American Collection of the Museum of Modern Art, em 1943, e permanece na coleção da instituição. Entre 1944 e 1945, Cardosinho participou da itinerante Exhibition of Modern Brazilian Paintings, apresentada em diferentes cidades do Reino Unido. They Amuse Themselves (Elas se divertem), foi doada à Tate, em Londres, pelo arquiteto britânico Alfred Charles Bossom (Lord Bossom), em 1945, tornando-se a única obra daquela exposição a ingressar na coleção da instituição.

Ao longo das décadas seguintes, sua obra esteve presente em exposições como 20 artistas brasileños (Museo Provincial de Bellas Artes de La Plata, 1945), Ways of Looking (MoMA, Nova York, 1971) e Lincoln Kirstein's Modern (MoMA, Nova York, 2019). Em 2020, El Museo del Barrio, em Nova York, dedicou-lhe um dos núcleos monográficos do projeto Popular Painters & Other Visionaries, posteriormente ampliado e apresentado presencialmente entre 2021 e 2022. Mais recentemente, sua obra integrou Em cada canto, apresentada pelo Instituto Tomie Ohtake e pela Casa Fiat de Cultura, em 2025, e Arte da Nossa Gente, no Museu de Arte Brasileira da FAAP – MAB FAAP, em São Paulo, em 2026. Sua produção foi registrada e discutida em publicações como Três Primitivos (1953), de Rubem Braga, Arte Ingênua Brasileira (1985), de Jacob Klintowitz, e Lincoln Kirstein's Modern (2019), publicado pelo MoMA. 

Antes da aquisição agora anunciada, cinco obras de Cardosinho integraram a coletiva Metamorfoses e distâncias, realizada na Galeria Estação de 7 de novembro de 2024 a 31 de janeiro de 2025, com curadoria de Lorenzo Mammì. Duas dessas pinturas foram vendidas e, somadas as obras da nova aquisição, o acervo da galeria passa a reunir 11 trabalhos do artista. As obras de Cardosinho integram, ainda, coleções institucionais com as do El Museo del Barrio, em Nova York; o MAM/RJ; e o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo – IEB-USP, Coleção Mário de Andrade.

Sobre a Galeria Estação 
Com um acervo entre os pioneiros e mais importantes do país, a Galeria Estação, inaugurada no final de 2004 por Vilma Eid e Roberto Eid Philipp, consagrou-se por revelar e promover a produção de arte brasileira não-erudita. Sua atuação foi decisiva para a inclusão dessa linguagem no circuito artístico contemporâneo, ao editar publicações e realizar exposições individuais e coletivas sob o olhar dos principais curadores e críticos do país. O elenco da galeria vem conquistando também a cena internacional, com participações em exposições como Histoire de Voir, na Fondation Cartier pour l'Art Contemporain, na França (2012), e na Bienal Entre dois Mares — São Paulo | Valencia, na Espanha (2007). Emblemática desse desempenho foi a mostra individual Veio — Cícero Alves dos Santos, em Veneza, paralelamente à Bienal de Artes, em 2013. No Brasil, os artistas da galeria integram acervos de importantes colecionadores e instituições como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo, o Museu Afro Brasil, o Pavilhão das Culturas Brasileiras, o Instituto Itaú Cultural, o SESC São Paulo, o MAM do Rio de Janeiro e o MAR.

SERVIÇO
Sala Cardosinho: Acervo Especial
Período: de 6 de outubro a 28 de novembro de 2026

Abertura: 6 de outubro de 2026, às 18h
Em paralelo: exposição Toda minúcia, de Andre Barion, com curadoria de Amanda Tavares e texto de catálogo de Omar Porto

Galeria Estação
Endereço: Rua Ferreira Araújo, 625 - Pinheiros, São Paulo
Horários: segunda a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 15h

Telefone: (11) 3813-7253
Email: contato@galeriaestacao.com.br

Site: www.galeriaestacao.com.br

Instagram: @galeriaestacao



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