6ª Mostra Contemporâneas Vivara traz exposição coletiva "Que afeto é esse?"
Exposição
- Nome: 6ª Mostra Contemporâneas Vivara traz exposição coletiva "Que afeto é esse?"
- Abertura: 24 de setembro 2026
- Visitação: até 18 de outubro 2026
Local
- Local: Contemporâneas Vivara
- Evento Online: Não
- Endereço: R. Groenlândia, 1089, Jardim Europa - São Paulo
6ª Mostra Contemporâneas Vivara terá programação paralela com visitas guiadas, ciclo de diálogos entre escritoras e performances
Atividades gratuitas levam a pergunta "Que afeto é esse?" para conversas com professores da Casa do Saber, escritoras contemporâneas e artistas performáticas
Diálogos entre escritoras, performances e visitas guiadas por professores da Casa do Saber fazem parte da programação paralela da 6ª Mostra Contemporâneas Vivara. Intitulada “Que afeto é esse?”, a edição 2026 reúne obras de 16 artistas, todas mulheres, em uma casa no Jardim Europa, em São Paulo. A agenda de atividades é gratuita e está distribuída por todo o período da exposição, que vai do dia 23 de setembro ao dia 25 de outubro. As vagas são limitadas e as inscrições devem ser feitas pelo site contemporaneasvivara.com.br.
Visitas guiadas especiais com professores da Casa do Saber
Em um novo formato de visitação, professores da Casa do Saber compartilham com o público a leitura que fazem das obras da exposição a partir de seus próprios repertórios. São conversas presenciais, para grupos com vagas limitadas. O objetivo é levar o questionamento da exposição para outras áreas do conhecimento: psicologia e psicanálise, urbanismo, teologia, entre outras.
Professores confirmados: Christian Dunker, Ed René Kivitz, Giselle Beiguelman, Luís Fernando Tófoli, Catharina Doria, Joice Berth, Hanna Limulja, Ingrid Gerolimich e Geni Núñez.
Em qualquer horário de visitação, também é possível fazer uma visita acompanhada por áudios gravados pelos professores. Ali eles compartilham suas próprias reflexões sobre afetos a partir da leitura de obras da exposição.
Afetadas | Ciclo de diálogos entre escritoras
Partindo da leitura de textos próprios e de autoras consagradas como Clarice Lispector, Hilda Hilst, Lygia Fagundes Telles, entre outras, escritoras contemporâneas conversam sobre literatura, arte e as forças que nos alteram nos dias de hoje. São sete encontros com duração de duas horas e mediação da jornalista e crítica literária Giuliana Bergamo, responsável pela curadoria da programação.
Escritoras confirmadas: Aline Bei, Andrea Del Fuego, Natalia Timerman, Paulliny Tort, Mel Duarte, Isabela Noronha, Amara Moira, Bianca Santana, Cidinha da Silva, Gabriela Aguerre, Liana Ferraz, Mariana Salomão Carrara, Natália Zuccala e Verônica Stigger.
Performances
A programação inclui ainda três apresentações da performance "Afé", com a multiartista Tatt, e a palestra-performance "A vergonha da vergonha: o que é ser uma pessoa", com a pesquisadora e escritora Sofia Nestrovski.
SOBRE A MOSTRA:
A Mostra Contemporâneas Vivara é uma iniciativa da Produtora Tête-à-Tête que tem por objetivo fomentar e valorizar a produção artística de trabalhos desenvolvidos por mulheres em diversas linguagens (grafitagem, artes visuais, audiovisual, literatura e poesia, entre outras). Está em curso agora a produção da sexta edição, com previsão de abertura em 23 de setembro, em São Paulo.
A proposta curatorial é ampliar o sentido da palavra afeto a partir da pergunta que dá título à exposição: “Que afeto é esse?”. Para além do vínculo entre duas pessoas ou de um sinônimo para sentimentos, na mostra o termo é encarado como uma força de interação que promove transformação. É aquilo que altera a maneira como percebemos o mundo, agimos e nos relacionamos.
Quem dá as boas-vindas aos visitantes da exposição é Maria, uma escultura-móvel humanoide concebida pela artista D’Anunziata. Criada a partir de reflexões sobre a crescente convivência entre seres humanos e inteligências artificiais, a robô inaugura uma pergunta central: como compreender aquilo que afeta os seres humanos?
“Que afeto é esse?” é resultado de uma curadoria difusa, orquestrada pela diretora artística da exposição, Stefania Dzwigalska. Para a concepção do projeto, ela se cercou do apoio de um time de especialistas. A pesquisa sobre o tema da exposição foi realizada por uma parceria entre Stefania e a artista D’Anunziata. A consultoria artística é de Marc Pottier e a curadoria da programação paralela é de Giuliana Bergamo, com consultoria da Casa do Saber.
Confira agenda completa, com datas e horários:
Visitas guiadas com a Casa do Saber
24/09, às 16h
Giselle Beiguelman — A máquina afetada
O digital raramente esfria o afeto. Ao contrário, quase sempre o superaquece: a indignação que viraliza, a intimidade que se acelera, o luto que sobrevive num perfil que continua ativo. E ao mesmo tempo o reformata, criando uma sintaxe própria (o emoji, o áudio, o tempo entre mensagens). O encontro trata dessa ambiguidade: o que se inscreve e o que se perde quando um afeto passa a viver na tela, entre a memória e o esquecimento programado.
26/09, às 16h
Christian Dunker — Um vocabulário dos afetos
Chamamos de "afeto" quase tudo o que sentimos e, ao usar a palavra à exaustão, a esvaziamos. Afetos não são substâncias guardadas dentro de nós, mas algo que circula entre o corpo, o outro e a cena e que, de saída, é indeterminado; que se transforma quando encontra um nome. Se os afetos são infinitos e mudam de uma cultura e de uma época para outra, nomeá-los é um trabalho que não é neutro: toda época torna certos afetos disponíveis, outros hegemônicos, outros obrigatórios. Ter um vocabulário dos afetos é, no fim, uma forma de não ser governado por eles.
01/10, às 11h
Ed René Kivitz — O afeto e o sagrado
Há uma dimensão do afeto que a ciência e a técnica não alcançam, e que a palavra carrega desde sempre: o que comove o espírito. Kivitz — voz do cristianismo para além do templo — trata do amor como compaixão, graça e escândalo: aquilo que move alguém a se voltar para o outro, e que confronta o poder em vez de acomodá-lo. Num ciclo atravessado por máquina, código e química, ele abre o registro do sagrado sem transformá-lo em pregação.
02/10, às 16h
Luís Fernando Tófoli — Os afetos alterados
O afeto vive na fronteira entre o que sentimos e o que se passa no corpo, entre o sentido e a sinapse. Mais do que como, a questão principal é o que substâncias e experiências não ordinárias podem nos ensinar sobre nossos afetos e o que isso revela sobre suas naturezas não apenas química, mas também simbólica. Como os afetos se relacionam com a nossa consciência e como estados alterados de consciência reorganizam o que sentimos? Em última instância, é possível (ou correto) pensar os afetos apenas como algo químico?
08/10, 11h
Catharina Doria — Ensinar afeto a uma máquina?
Sentimos através das máquinas todos os dias, mas o que acontece quando se decide ensiná-las a sentir de volta? E, antes disso, vale a pergunta: por que faríamos algo assim? O que exatamente se codifica quando um sistema é treinado para reconhecer emoção, e o que se apaga nessa tradução? O que do humano e o que ganha contornos inesperados e muitas vezes enviesados, evidenciando a falsa neutralidade da ideia de técnica?
10/10, às 16h
Joice Berth — A casa que nos constrói
A exposição ocupa uma casa, e este encontro interroga a escolha. Há uma dupla leitura do lugar onde o sujeito se fixa e se liga: a casa como primeira arquitetura afetiva (onde se aprende a conviver, lembrar e pertencer) e como território político, porque é a cidade que decide quem tem direito a um lugar. O afeto que nos prende a um espaço fala, ao mesmo tempo, de um investimento íntimo e de uma questão material.
14/10, às 16h
Hanna Limulja — Sonhar é conhecer e se afetar
Em muitas tradições, sonhar não é fechar-se no próprio inconsciente: é deslocar-se, encontrar o outro, conhecer o mundo. A partir da vida onírica yanomami, o sonho como uma forma de saber e de vínculo, o oposto de uma ideia puramente mecânica de consolidação de memória. Depois de o ciclo atravessar corpo, casa, máquina e química, ela abre a forma mais antiga e mais ampla de ser afetado: aquela que não se traduz em código nem em diagnóstico.
17/10, às 16h
Ingrid Gerolimich — Sobre o aprendizado dos afetos
Os primeiros vínculos instalam uma gramática silenciosa: a forma como fomos cuidados e amados enviesa o modo como amamos, buscamos e recusamos. Essa herança por vezes se torna destino e mostra que boa parte do que chamamos de amor é uma construção social e histórica, não uma natureza. A pergunta que ela sustenta é sobre o que converte a repetição em escolha: como transformar o afeto que se herda no automático em algo que se possa, enfim, decidir?
18/10, às 11h
Geni Núñez — Afetos como tecnologia colonial
E se aquilo que chamamos de amor não fosse natural nem universal, mas uma tecnologia? Algo que se aprende, se organiza e se herda? O encontro pensa a monogamia e as formas ocidentais de vínculo como dispositivos que organizam corpos e territórios, e recoloca o afeto a partir de cosmologias indígenas. Não como oposição fetichizada e exotizada, mas como pergunta sobre o que fomos ensinados a chamar de amor (e por que só de um jeito).
AFETADAS | CICLO DE DIÁLOGOS ENTRE ESCRITORAS
Aline Bei — Escritora e atriz, autora de "O peso do pássaro morto" e "Pequena Coreografia do Adeus" (mais de 200 mil cópias vendidas); seu livro mais recente, "Uma delicada coleção de ausências" (2025), foi eleito um dos melhores do ano por Quatro Cinco Um, Piauí e O Globo.
Amara Moira — Travesti, feminista e doutora em literatura pela Unicamp, autora de "E se eu fosse puta", "Vidas Trans" e "Neca: romance em bajubá" (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura); também tradutora e ex-coordenadora do Museu da Diversidade Sexual.
Andréa del Fuego — Escritora e mestra em Filosofia pela USP, autora de "Os Malaquias" (Prêmio José Saramago) e "A Pediatra", publicada em vários países e recentemente adaptada para o teatro.
Bianca Santana — Escritora, jornalista e professora, doutora pela USP, colunista da Folha e autora de "Apolinária", "Quando me descobri negra" e "Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro".
Cidinha da Silva — Escritora e ensaísta com 24 livros publicados, incluindo os premiados "Um Exu em Nova York" e "O mar de Manu"; lançou recentemente "Só bato em cachorro grande..." e "Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras".
Isabela Noronha — Autora infantojuvenil vencedora do Prêmio Barco a Vapor e do prêmio Curtis Brown, com títulos como "Carlabê" e "Maria Pereira, a bruxinha brasileira" (2026); mestre em Criação Literária em Londres.
Liana Ferraz — Escritora, atriz e colunista da revista Claudia, autora de best-sellers como "Sede de me beber inteira" e do romance "Um prefácio para Olívia Guerra", finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.
Mariana Salomão Carrara — Escritora e Defensora Pública, autora de romances indicados ao Jabuti e vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura; lançou em 2026 "Cláudia Vera Feliz Natal".
Mel Duarte — Poeta, compositora e produtora cultural com duas décadas de carreira, primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam na FLUP; autora de "Colmeia" e co-fundadora dos coletivos "Poetas Ambulantes" e "Slam das Minas SP".
Natalia Timerman — Escritora e médica psiquiatra pela UNIFESP, autora de "Desterros", "Antes que apague" e "Copo Vazio" (adaptado para o teatro); selecionada para residência literária em Nova York em 2025.
Natália Zuccala — Escritora, professora e psicanalista, autora dos romances "Ainda não" (2026), "Estela a esta hora" e "Cheia" (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura).
Paulliny Tort — Jornalista e escritora, autora de "Erva brava" (Prêmio APCA, finalista do Jabuti) e do recém-lançado "Os imortais".
Sofia Nestrovski — Escritora e tradutora (Virginia Woolf, Darwin), autora de "A história invisível" e apresentadora do podcast "Vinte mil léguas", que também virou livro.
Veronica Stigger — Escritora, curadora e crítica de arte, com 14 livros de ficção publicados e curadoria de exposições no MAM, IMS e Sesc Pinheiros.
23/09, às 16h
O outro, com Mariana Salomão Carrara e Paulliny Tort
25/09, às 16h
A palavra, com Amara Moira e Mel Duarte
29/09, às 16h
O invisível, com Cidinha da Silva e Isabela Noronha
06/10, às 11h
A linhagem, com Gabriela Aguerre e Liana Ferraz
09/10, às 11h
A origem, com Bianca Santana e Natalia Timerman
22/10, às 11h
A arte, com Veronica Stigger e Natália Zuccala
24/10, às 16h
O riso, com Aline Bei e Andrea del Fuego
PERFORMANCES
03/10, 17/10 e 25/10, sempre às 18h
“Afé”, com Tatt: artista transdisciplinar e pesquisadora, com obras entre performance, poesia, artes plásticas e videoarte; há mais de 18 anos investiga o Feminino como potência criativa, cruzando Semiótica, Psicanálise e Alquimia.
Em três apresentações, a multiartista Tatt propõe um contato íntimo com a fé. Para ela, trata-se de uma força profundamente feminina e transgressora que é capaz de transformar o real.
14/10, às 11h
"A vergonha da vergonha: o que é ser uma pessoa", com Sofia Nestrovski: escritora e tradutora, mestre em Letras pela USP; autora de "A história invisível" e apresentadora, com Leda Cartum, do podcast "Vinte mil léguas", que também virou livro semifinalista do Jabuti.
A ciência, desde Darwin, vem colocando a ideia de nossa humanidade em disputa. O imaginário científico é povoado de histórias sobre macacos, mitocôndrias e minhocas — mas nos educa pouco para pensar no que faz da gente, gente. Nesta palestra-performance, em que a escritora e pesquisa Sofia Nestrovski combina ciência e arte, a timidez se torna uma chave para se olhar para dentro e pensar no lugar que nossa espécie ocupa no mundo.
Sobre Contemporâneas Vivara:
Criada em 2020, a Mostra Contemporâneas Vivara dedica-se ao fomento e à valorização da produção artística realizada por mulheres. Ao longo de seis edições, a iniciativa já passou por nove cidades brasileiras e reuniu mais de 60 artistas, ocupando ruas, fachadas, ciclovias, parques, instituições culturais e espaços abertos ao público. Nesta edição, ao transformar uma casa em território expositivo, a mostra preserva sua proposta de aproximar a arte da vida cotidiana e ampliar o acesso à produção contemporânea. O projeto é viabilizado via Lei Rouanet, patrocínio Vivara, realização Tête-à-Tête e Ministério da Cultura, que tem por objetivo fomentar e valorizar a produção artística de trabalhos desenvolvidos por mulheres em diversas linguagens (grafitagem, artes visuais, audiovisual, literatura e poesia, entre outras). Está em curso agora a produção da sexta edição, com previsão de abertura em 23 de setembro, em São Paulo.
Serviço:
Programação Paralela - 6ª Mostra Contemporâneas Vivara 2026
Período: 24 de setembro a 18 de outubro de 2026
Casa Conteúdo: R. Groenlândia, 1089, Jardim Europa - São Paulo
Funcionamento: De segunda à sexta, das 11h às 19h
Sábados, domingos e feriados das 10h às 19h
Entrada Gratuita | Inscrições no site
https://contemporaneasvivara.com.br/