Artistas

Mercedes Lachmann

Artista indicada ao Premio Pipa em 2018, Mercedes Lachmann vive e trabalha no Rio de Janeiro. Graduada em Artes (PUC-RJ, 1986), continua sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) , onde fez cursos de pintura e desenho até 1988.  Em 2010, retoma seu processo criativo quando integra o grupo de estudos em Arte e Filosofia coordenado por Paulo Sergio Duarte, crítico de arte. Retorna à EAV, e faz diversos cursos, em especial, discussão de projetos com Iole de Freitas, prosseguindo até 2016. A partir de 2014, passa a apresentar suas produções em exposições coletivas no Brasil e no exterior. 

Mercedes trabalha com a tridimensionalidade. É no espaço que constrói projetos conceituados a partir das relações que estabelece com os materiais, as especificidades do lugar, as formas, visando a ativação do espaço e o corpo dos espectadores simultaneamente. Sua pesquisa se dá primordialmente no campo da escultura e da instalação.

Em 2011 inicia uma série com sisal e desenvolve uma técnica de entrelaçamento das fibras e pigmentação, estruturando assim uma trama forte e resistente, possibilitando maior liberdade aos seus projetos no espaço.

Em 2013 incorpora o elemento água em sua produção. O mar se torna o grande ambiente de exploração e deslocamentos. A artista retira do mar o barco “Benção de Deus” que esteve naufragado por oito anos na Ilha da Conceição, Niterói, e leva-o para a Praça Paris, no bairro da Glória, Rio de Janeiro. Realiza a intervenção urbana “Área de Emergência” com a carcaça do barco (“Benção de Deus”) tornando-o protagonista de uma Odisseia vivida através de sucessivos movimentos de ressignificação. Esse projeto e seus desdobramentos foram um marco na trajetória da artista. O trabalho amadureceu, e ali ela confirmou seu interesse em trabalhar com o espaço público e em grande escala. 

A água permanece como elemento recorrente na sua poética remetendo a questões como a efemeridade da vida, transformações da matéria e a escassez dos recursos naturais. A problemática do homem com o meio ambiente é uma questão subjacente no seu processo criativo. A ameaça dos biomas, a poluição, o desmatamento e os demais aspectos desse contexto afetam-na. Manifesta-se um sentido de urgência, levando-a a refletir sobre o tempo, que se desdobra nos ciclos da vida, onde tudo está em transformação.

O pensamento cíclico pode ser observado em alguns dos projetos realizados como aqueles com o barco “Benção de Deus”, nas instalações com sacos plásticos e água, nas ampolas de vidro, onde surgem ocasionalmente manifestações de vida sem controle. As possíveis transformações dos materiais empregados ao longo do ciclo de vida da obra agregam a elas a condição de imprevisibilidade, precariedade ou incompletude. Tudo isso interessa ao trabalho.

Os trabalhos mais recentes trazem plantas, ervas medicinais e aromáticas associando movimento, texturas, cheiro e som. Resultam em construções plásticas mais complexas em que combina diferentes intensidades, qualidades e potencias elaborando uma alquimia sensível. Sua intenção é vivenciar e conhecer mais profundamente a força das plantas, e assim oferecer experiências através das suas obras que suscitem reflexão, vigor e positividade.

Obras do artista