Exposição "OS OSSOS DO MUNDO" | Brisa Noronha

Sé Galeria - Al. Lorena, 1257 - casa 2 

Exposição "OS OSSOS DO MUNDO" | Brisa Noronha

BRISA NORONHA - OS OSSOS DO MUNDO

 

Kiki Mazzucchelli

 

Os ossos do mundo1, primeira exposição individual de Brisa Noronha na Galeria Sé, reúne um conjunto inédito de esculturas em porcelana e pinturas que dialogam e se complementam no espaço expositivo. Central na prática da artista, o uso da porcelana em esculturas caracterizadas por uma aparente fragilidade, pelas formas orgânicas, e pela impressão do gesto no material, aparece aqui, pela primeira vez, como resposta ou manifestação tridimensional de uma pesquisa que se desenvolveu a partir da pintura. Mais do que uma escolha metodológica, esse processo se deu por conta das limitações impostas pela pandemia e a consequente falta de acesso da artista aos equipamentos necessários para produzir as esculturas em porcelana. Nesse período, Brisa Noronha voltou-se principalmente à pintura, encontrando ali os princípios que se desdobraram nas obras que configuram a presente exposição.

 

Importante ressaltar que Brisa Noronha é uma artista que não parte de ideias ou projetos preconcebidos. Sua prática, pelo contrário, é caracterizada pelo fazer intuitivo e pelo embate constante com os materiais, a partir do qual emergem formas e imagens que guardam sempre alguma ambiguidade, não se esgotando em leituras unilaterais. As pinturas apresentadas em Os ossos do mundo combinam um conjunto diretamente baseado no universo cinematográfico do diretor russo Andrei Tarkovsky (1932-1986) e outras que tomam como ponto de partida as fotografias pessoais da artista.

 

No primeiro caso, Brisa Noronha seleciona stills de filmes nos quais identifica enquadramentos em que a composição dos elementos cenográficos e dos objetos de cena oferece o material visual que será retrabalhado na pintura. Essas imagens passam por uma espécie de processo de decantação ou redução em que artista retém e apenas algumas formas selecionadas que são transpostas e sintetizadas no campo pictórico. Curiosamente, muitas dos objetos reproduzidos nas telas são potes, vasos e outros utensílios domésticos cujas formas constituem o vocabulário básico da porcelana; vocabulário este que serve como ponto de partida para as esculturas da artista.

 

Assim como em Eleonore Koch (1926-2018), a obra pictórica de Brisa Noronha compreende os gêneros da paisagem e da natureza morta. Ambas exploram, ainda, os vazios e a essência das formas, em composições esparsas que prescindem da figura humana e do conteúdo narrativo. Mas, enquanto em Koch observamos o estudo incansável das cores e contrastes, a pintura de Noronha emprega uma paleta sutil, na qual predominam os rosas, cinzas e beges pálidos que se aproximam do colorido de um Morandi (1890-1964). Há, sem dúvida, algo de metafísico nessas pinturas. Essa qualidade é enfatizada, ainda, pelos misteriosos títulos que as acompanham e que não são nada mais do que os textos das legendas que aparecem nos frames selecionados dos filmes de Tarkovsy, constituindo assim uma operação de readymade que adiciona uma certa dose de humor a esses trabalhos por meio do descompasso entre imagem e título.

 

Em Os ossos do mundo, as pinturas convivem com as obras tridimensionais de forma dialógica, estabelecendo uma espécie de espaço ou cenografia virtual no qual as esculturas se inserem tal como personagens em ação. Ovos, ninhos, potes, castiçais e capelas são algumas das formas recorrentes na produção escultórica da artista, e aqui elas reaparecem em novos arranjos autoportantes e numa obra de chão constituída por dezenas de peças em diferentes formatos (Capela-caverna-tumba e os castiçais de vigília, 2021). Assim como na pintura, a escultura de Brisa Noronha explora as formas essenciais: o gesto de juntar as mãos que resulta no ovo, a forma semi elíptica que é ao mesmo tempo capela, caverna e tumba, o pote - utensílio básico e universal no desenvolvimento da civilização e forma fundamental do aprendizado da cerâmica - que, invertido, se torna abrigo, casa, local de proteção.

 

São obras monocromáticas e fragmentárias, composições improváveis formadas pelo encadeamento das diferentes partes nas quais ideias de verticalidade - característica primordial da escultura - e colapso parecem conviver em tensão constante. Em contraposição à solidez de materiais como o bronze ou o mármore, a artista trabalha sempre com este material inerentemente frágil, o qual molda com as mãos para obter formas orgânicas e elementares que carregam as marcas dos gestos imprimidos sobre a matéria. Com sua branquidão, fragmentação e escala, essas esculturas são reminescentes dos objetos encontrados em escavações arqueológicas. Mas não só isso: são trabalhos que sugerem a prospecção da origem das formas que são a expressão de alguns dos instintos e impulsos mais fundamentais da espécie humana: criação, abrigo, morte, entre outros. Os ossos do mundo.

 

 

Serviço:Abertura27/11/2021 (sábado)das 10h às 17h

VisitaçãoDe 27/11/2021 a  22/01/2022

de terça a sexta das 12h às 19h

sábados das 12h às 17h

ou com agendamento

 

Endereço

Al. Lorena, 1257 - casa 2

Jardim Paulista - São Paulo

01424-001

 

www.segaleria.com.br

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@segaleria

 

 

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