Exposição individual "Aonde eu queria estar", de Marjô Mizumoto
Exposição
- Nome: Exposição individual "Aonde eu queria estar", de Marjô Mizumoto
- Abertura: 04 de março 2026
- Visitação: até 18 de abril 2026
Local
- Local: Anita Schwartz Galeria de Arte
- Evento Online: Não
- Endereço: R. José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea – Rio de Janeiro, RJ
“AONDE EU QUERIA ESTAR”, DE MARJÔ MIZUMOTO
Primeira exposição solo da artista visual paulistana no Rio reúne pinturas inéditas de grande formato que transformam o cotidiano em experiência pictórica
Em seus trabalhos, Mizumoto propõe uma leitura crítica da maternidade ao deslocar a mulher do centro da cena
A Galeria Anita Schwartz inaugura, no dia 4 de março de 2026, às 19h, a exposição Aonde eu queria estar, de Marjô Mizumoto. A mostra reúne dez pinturas em grande formato — com telas que chegam a 2,5 metros de altura — e marca o primeiro solo da artista paulistana no Rio de Janeiro.
Formado majoritariamente por trabalhos inéditos concebidos para a individual o conjunto apresenta cenas do cotidiano doméstico, encontros familiares e momentos de lazer que, na pintura de Marjô, ganham densidade emocional e força visual. São imagens construídas a partir de fotografias do dia a dia, reorganizadas em composições que suspendem o tempo e transformam o banal em matéria pictórica.
As pinturas operam a partir de uma contenção do tempo. Ele não avança, se concentra. Pequenos gestos, situações corriqueiras e encontros íntimos são deslocados de sua função cotidiana e passam a ocupar o centro da cena, acentuados por escolhas cromáticas, enquadramentos e elementos simbólicos que ampliam seus sentidos. O resultado são imagens que parecem familiares à primeira vista, mas que, pouco a pouco, instauram um leve estranhamento e convidam o olhar a permanecer.
As cenas não se fecham em um único significado. Sugerem o que veio antes e o que pode vir depois, ativando a memória e a experiência do espectador. Ao reunir referências de diferentes tempos, como infância, vida adulta, memórias pessoais e imagens coletivas, a artista cria composições em que passado e presente coexistem no mesmo plano.
A curadora Vanda Klabin, que assina o texto de apresentação da mostra, destaca que Mizumoto “manipula a linguagem imagética, fortemente figurativa, por meio de dispositivos narrativos, direcionando o olhar para o universo de fragmentos do cotidiano doméstico atuantes em sua órbita poética”. Para Vanda, a artista parte de imagens reconhecíveis da vida comum que, “ao serem inflamadas por uma iconografia pulsante, fazem com que acontecimentos banais ou efêmeros adquiram uma densidade visual inesperada, por vezes tornando estranhas representações outrora familiares”.
A pintura é o território central de Marjô, formada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), desde o início de sua trajetória, em 2008. Ao longo de quase duas décadas de percurso, um eixo permanece constante: o interesse pelas relações humanas. “O que sempre ficou no meu trabalho são as relações. Eu sinto que é algo silencioso, mas uma das coisas mais importantes da vida”, afirma. Se antes sua atenção recaía mais sobre o indivíduo isolado, hoje o foco se desloca para aquilo que acontece entre as pessoas, como o cuidado, a convivência e o tempo compartilhado.
Esse deslocamento se intensifica após a experiência da maternidade, que passa a atravessar de forma decisiva a sua pesquisa pictórica. “Eu comecei a entender minha pintura muito mais a partir das relações do que do indivíduo em si. Aprendi a cuidar e meu olhar foi para esse lugar do cuidado”, comenta a artista. Mesmo quando retrata uma única figura, a cena sugere uma presença fora do quadro, como se o observador também estivesse implicado naquele momento.
Nesse contexto, Aonde eu queria estar pode ser lida a partir de um deslocamento crítico da representação da maternidade. Em vez de reiterar a mulher como figura central e naturalizada do cuidado, Mizumoto redistribui esse papel dentro da cena. Em algumas pinturas, a figura masculina assume gestos de atenção e cuidado doméstico, presença ainda rara na história da arte. Ao mesmo tempo, a artista se ausenta como personagem para ocupar o lugar de quem observa e registra, influenciada por uma memória forte familiar: “Meu pai nunca aparecia nas fotos porque era ele quem fotografava”, relembra. Ao assumir esse ponto de vista, Marjô desloca a maternidade de um lugar idealizado e afirma a possibilidade de a mulher se retirar da cena para existir como olhar e autoria.
Esse gesto de afastamento como personagem se desdobra diretamente no modo como a artista constrói suas imagens. O processo de trabalho envolve a combinação de múltiplas imagens e referências afetivas, reunidas em uma única cena. “Eu tiro muitas fotos durante o dia e depois construo a pintura a partir delas. Não é a reprodução da foto, é uma cena construída, quase como um frame de um filme”, explica Marjô. Essa operação cria um campo aberto à projeção do espectador, que frequentemente reconhece nas imagens fragmentos de sua própria memória.
Segundo Vanda Klabin, “ao remover imagens de sua natureza cotidiana e ampliar seus sentidos por meio de uma narrativa parcial, Marjô interrompe o fluir do tempo e redireciona o observador para novos eixos de leitura e significado”. Nesse processo, o trivial torna-se objeto de investigação plástica e as cenas deixam de ser fugazes para se consolidarem como composições visuais autônomas.
A dimensão relacional atravessa também a escala das obras. Executadas em grandes formatos, as pinturas ampliam a intimidade da cena e a projetam no espaço expositivo, criando uma relação de proximidade física com o público. O que poderia permanecer restrito ao âmbito privado, como a casa, a família, o descanso e a infância, ganha dimensão pública e simbólica.
As obras reunidas em Aonde eu queria estar abordam infância, vida familiar, lazer e trabalho, combinando humor, delicadeza e tensão. Para a artista, a pintura também carrega uma dimensão de permanência: “Eu sinto que a pintura tem esse momento de eternizar. É uma forma de manter vivo um instante que, na vida, passaria muito rápido”.
Anita Schwartz apresenta um conjunto de trabalhos que reafirma a potência da pintura figurativa como espaço de memória, afeto e experiência compartilhada, a partir de um olhar feminino atento às dinâmicas do cuidado e da vida cotidiana.
Sobre Marjô Mizumoto
Marjô Mizumoto (São Paulo, 1988) realiza retratos a óleo que ilustram personagens do dia a dia inseridos em ambientes quase cenográficos. Suas pinturas vêm de um universo nostálgico; são como crônicas, narrativas que registram memórias de um tempo e um lugar.
Momentos afetivos e familiares são elaborados de forma poética na obra de Marjô, contando histórias que transcendem do pessoal para o sentido comum. A prática da artista se realiza nos retratos a óleo realistas, que ilustram os personagens de sua rotina em ambientes domésticos, registrados fotograficamente pela artista e depois transformados em pinturas. Misturando referências da pintura tradicional, como a natureza-morta e elementos do universo Pop, a artista produz com suas pinturas crônicas da vida cotidiana, que transcendem de seu lugar biográfico para um lugar universal da memória.
Formou-se bacharel em Artes Plásticas no ano de 2010 e cursou Pós-graduação em História da Arte no período de 2014 a 2015, ambas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP – SP, Brasil).
Trabalhou com os pintores Rodolpho Parigi e Ana Elisa Egreja; e a arquiteta e mosaicista Isabel Ruas, durante a realização do painel de Candido Portinari na PUC–Rio (RJ), projeto que teve apoio de João Candido Portinari.
Algumas de suas obras integram acervos de coleções públicas e privadas, tais como o Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 2023), 14° Salão Nacional de Arte (MAC_Museu de Arte Contemporânea – Jataí (GO) Brasil, 2015) e 25° SAV_Salão de Artes Visuais de Vinhedo (Acervo de Artes Visuais da Secretaria de Cultura – Vinhedo (SP) Brasil, 2020).
Recentemente teve sua trajetória reconhecida sendo contemplada no 8° Prêmio Artes Tomie Ohtake (Instituto Tomie Ohtake – São Paulo (SP) Brasil, 2022), 32° Programa de Exposições – CCSP (Centro Cultural São Paulo – São Paulo (SP) Brasil, 2022), e premiada pelo 11° Prêmio DASartes (Revista DASartes – Rio de Janeiro (RJ) Brasil, 2021).
Sobre a Anita Schwartz Galeria de Arte
Há quase 30 anos, a Anita Schwartz Galeria de Arte atua de forma contínua no campo da arte contemporânea brasileira, com contribuição consistente para a circulação, a institucionalização e a consolidação da produção artística nacional. Ao longo de sua trajetória, a galeria participou de relevantes feiras nacionais e internacionais, estabelecendo interlocuções duradouras com diferentes agentes e contextos do circuito da arte.
Fundada em 1998, no Rio de Janeiro, a galeria passou a ocupar, em 2008, sua sede atual no bairro da Gávea, um dos principais polos culturais da cidade. O edifício, com aproximadamente 700 metros quadrados distribuídos em três pavimentos e projeto arquitetônico assinado pelo escritório Cadas Arquitetura, consolidou-se como a primeira galeria carioca concebida segundo o conceito de cubo branco, projetada especificamente para a realização de exposições de arte contemporânea.
A Anita Schwartz Galeria de Arte representa artistas consagrados, nomes historicamente relevantes da arte contemporânea brasileira e expoentes da nova geração. Seu espaço expositivo viabiliza a realização de exposições, instalações e projetos especiais, reafirmando sua atuação no circuito institucional e no mercado de arte, em diálogo contínuo com museus, curadores e colecionadores.
SERVIÇO
Aonde eu queria estar, de Marjô Mizumoto
Abertura: 04 de março de 2026, às 19h
Encerramento:18 de abril de 2026
Anita Schwartz Galeria de Arte
R. José Roberto Macedo Soares, 30 – Gávea
Rio de Janeiro | RJ
Tel: (21) 2540-6446 | (21) 99603-0435
Website: www.anitaschwartz.com.br
Instagram: @galeria_anitaschwartz
Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 12h às 18h
Mais informações para a imprensa: