Exposição individual “Permanência Relâmpago”, de Jonathas de Andrade
Exposição

Exposição individual “Permanência Relâmpago”, de Jonathas de Andrade

Exposição

  • Nome: Exposição individual “Permanência Relâmpago”, de Jonathas de Andrade
  • Abertura: 02 de setembro 2025
  • Visitação: até 26 de outubro 2025

Local

  • Local: Nara Roesler
  • Evento Online: Não
  • Endereço: Avenida Europa, 655 – São Paulo

Nara Roesler São Paulo apresenta a exposição


Jonathas de Andrade – Permanência Relâmpago



Nara Roesler São Paulo tem o prazer de convidar para a abertura, em 2 de setembro de 2025, às 18h, de “Permanência Relâmpago”, exposição com obras inéditas e recentes do celebrado artista Jonathas de Andrade (1982, Maceió, residente em Recife). A curadoria é de José Esparza Chong Cuy, diretor-executivo e curador-chefe da Storefront for Art and Architecture, em Nova York.


“Permanência Relâmpago” abrange três conjuntos de obras a que Jonathas de Andrade vem se dedicando nos últimos dois anos, em torno dos jangadeiros da praia de Pajuçara, em Maceió, que navegam em jangadas de madeira e velas tradicionais, levando turistas às piscinas naturais, e os canoeiros do Rio São Francisco, no sertão de Alagoas, próximo à Ilha do Ferro, que usam canoas de velas quadradas duplas de grande escala, notavelmente gráficas, em um circuito de competições de forma recreativa e esportiva.  Ambas as manifestações representam culturas náuticas seculares transmitidas de pai para filho, praticadas por comunidades de pescadores e barqueiros, revelando um jogo cultural que tensiona intimamente tradição, patrimônio, turismo e economia.


A exposição oferece ao público uma primeira vista, privilegiada, da pesquisa em andamento para um comissionamento feito em 2023 pelo Victoria and Albert Museum, em Londres, a convite de Catherine Troiano, curadora do departamento de fotografia da instituição. Em novembro de 2025, obras inéditas produzidas por Jonathas de Andrade dentro desta pesquisa serão exibidas no V&A, quando passarão a integrar a coleção do Museu. 


Em “Permanência Relâmpago”, Jonathas de Andrade questiona os sistemas em transformação que moldam identidade, trabalho e memória. Suas instalações, filmes e obras conceituais atuam como arquivos vivos, reativando histórias orais, saberes marginalizados e tradições artesanais. 


A exposição terá três eixos de trabalhos. Na série “Jangadeiros Alagoanos”, Jonathas de Andrade usa como suporte as velas originais das jangadas marítimas, usadas na praia de Pajuçara, em Maceió, marcadas pelo sol e pelo uso. A cada estação, elas são substituídas por outras novas. O artista passou então a coletar essas velas coloridas de grande escala descartadas,que apresentam também pinturas feitas à mão, de anúncios de marcas diversas, que funcionam como renda complementar dos jangadeiros na disputada orla da elite alagoana. 


Deixando apenas rastros desses anúncios, Jonathas de Andrade aplica sobre eles serigrafias monocromáticas com os retratos dos jangadeiros e roleiros (aqueles que empurram os barcos para dentro e fora do mar), personagens fundamentais deste circuito beira-mar. Com isso, o artista busca tensionar “o lugar tradicional da publicidade que ocupa aquele espaço, substituindo-o pelos protagonistas muitas vezes invisibilizados”. Dessa forma, ele subverte o lugar destinado às mensagens das propagandas, que agora estampam rostos, “deixando as mensagens originais fragmentadas, aproximando-as da abstração, e valorizando o gesto da pintura manual feita ali”. Nas serigrafias, as imagens dos trabalhadores aparecem reticuladas, o que só se percebe quando vistas de perto. 


As coloridas velas de três metros de altura cada são apresentadas em um sistema de bastidores que, ao enquadrar os retratos gravados sobre as velas, também fragmentam e inviabilizam a legibilidade das propagandas que outrora dominavam aquela superfície. O tecido da vela que resta após o enquadramento do bastidor, por sua vez, se comporta de maneira diferente a cada obra: o excesso de pano é ora recolhido atrás do bastidor, ora ganha um caráter escultórico, assumindo dobras, cordas, e volumes que podem se despejar da parede até o chão. Cada obra leva o nome do fotografado, como por exemplo na obra “Roleiro Maurício e a vela verde”.


CANOEIROS NEOCONCRETOS

No segundo conjunto de trabalhos, “Canoeiros Neoconcretos”, Jonathas de Andrade parte das velas de padrões gráficos ousados utilizados pelos canoeiros do Rio São Francisco, próximo à Ilha do Ferro, paisagem carregada de histórias de seca, migração e sobrevivência no Sertão. “A região é conhecida também pela produção artística excepcional, com grandes mestres da arte da escultura e pintura em madeira, da criação de objetos e do mobiliário vernacular”, observa Jonathas. A série inclui duas serigrafias sobre madeira, chamadas "Metaesquema-canoeiro", em alusão aos “Metaesquemas” de Hélio Oiticica (1937-1980), e outras composições baseadas no universo cromático e formal do artista carioca Ivan Serpa (1923-1973). As obras, emolduradas por sucupira maciça, misturam campos de cor com a fotografia reticulada, própria da serigrafia, com a imagem do barco e seus barqueiros mergulhada em aspectos da pintura neoconcreta, unindo o design popular à abstração modernista.


Em outra série, "Puro torpor do transe do sol",as velas gráficas dos barcos no Rio São Franciscoinspiram composições abstratas com pintura automotiva, "dando volume escultórico e objetual aos campos de cor que atravessam o rio, na corrida das canoas e as velas gigantes", comenta o artista. As obras, em serigrafia sobre folhas de sucupira, são acompanhadas por textos poéticos, escritos pelo próprio artista, e gravados em placas de acrílico. 


FILME JANGADEIROS E CANOEIROS

O terceiro eixo da exposição é a estreia do filme “Jangadeiros e Canoeiros” (2025, 15'), que terá uma sala especial para sua exibição. No filme, Jonathas de Andrade costura o universo e o cotidiano dos protagonistas dos dois cenários distintos – o mar de Maceió e o Rio São Francisco – propondo o fio narrativo a partir da relação deles com as cores e as formas, em um diálogo entre as manifestações populares e o universo cromático e afetivo. 


O artista empenha seu particular equilíbrio entre aproximação documental e toques ficcionais, decupando o gestual e os movimentos de corpo repetidos ao longo de séculos, na medida em que inventaria as cores presentes nas jangadas e canoas bem como na vida e memórias dos protagonistas, através de trechos de falas captados em conversas com eles. Com foco nos gestos corporais e no trabalho coletivo de levar a jangada ao mar e trazê-la de volta, um ritual tradicional, hoje entrelaçado ao turismo na disputada orla de Maceió, a obra contrasta com as imagens idílicas frequentemente usadas para promover a região, evocando o anonimato e a resiliência das vidas moldadas pelo legado colonial brasileiro. Desta forma, o filme circunda uma espécie de paleta cromático-emocional dos jangadeiros, da orla maceioense, das canoas, das velas e dos canoeiros do sertão do Rio São Francisco. 


A trilha sonora é de Homero Basílio, profícuo percussionista e produtor musical que colaborou em diversos filmes de Jonathas de Andrade.


Vale mencionar que, em 2024, Jonathas de Andrade teve seu processo artístico documentado pela realizadora Maria Augusta Ramos, que dirigiu o minidoc Northern Winds (17'), produzido pela fundação holandesa Ammodo como parte de uma série de filmes de artistas. O minidoc acompanha e registra o início da pesquisa que deu origem ao filme “Jangadeiros e Canoeiros”. 


“Permanência Relâmpago” se refere ao nome de uma das jangadas fotografadas pelo artista, e que está presente em um dos textos em prosa poética que fazem parte da série “Puro torpor do transe do sol”. Para o artista, trata-se de um enunciado-síntese, pois “fala muito sobre uma vida que é tão fugaz como permanente, sobre a dualidade entre tudo aquilo que fica e resiste com a tradição, e a iminente fagulha que é a existência. ‘Permanência relâmpago’ é também tocar de alguma forma os sentimentos abstratos da vida”, conta Jonathas de Andrade.


ATIVIDADE NO CIRCUITO DE ARTE

Jonathas de Andrade fez este ano duas exposições individuais na França: “Tropical Hangover And Other Stories”, no Jeu de Paume, em Tours, e “L’art de ne pasêtrevorace”, na Commanderie de Peyrassol, ambas dentro da programação do Ano do Brasil na França. Ele participa da grande mostra “30th anniversary of Museum of Contemporary Art Tokyo (MOT), em Tóquio, em cartaz até novembro. E em Akita, também no Japão, está em cartaz a exposição “Minebane! Contemporary Art!”, no Akita Museum of Art, com obras do artista. Em novembro, participará da coletiva no Victoria & Albert Museum, em Londres, em uma exposição que apresenta novos trabalhos comissionados pelo Museu. Em dezembro, Jonathas de Andrade fará uma individual no Vaticano, dentro do Jubileu 2025.  


Enraizada no Nordeste, mas em diálogo com questões globais, a prática de Jonathas de Andrade navega pelo cruzamento entre narrativas pessoais e histórias sistêmicas, das estruturas pós-coloniais e economias regionais ao valor mutável do trabalho manual. O artista se envolve com a resistência cultural e com as práticas do fazer, confrontando tradição, resiliência em tensão com a gentrificação e o capitalismo predatório. Nesse contexto, a cultura náutica da beira mar e da beira de rio  Nordeste, o universo de barqueiros, canoeiros, roleiros e pescadores,  surge como ofício e resistência, sustentada por saberes transmitidos ao longo do tempo.


JONATHAS DE ANDRADE 

Jonathas de Andrade nasceu em 1982, em Maceió, e vive e trabalha no Recife.

Exposições individuais incluem: “Tropical HangoverAnd Other Stories”, Jeu de Paume, Tours e “L’art de ne pasêtrevorace”, Commanderie de Peyrassol, ambas na França, em 2025; “Olho-Faísca”, MAAT, Lisboa (2023);  "Com o coração saindo pela boca", para o pavilhão do Brasil da 59ª Bienal de Veneza (2022).“O rebote do bote”, Pinacoteca do Estado de São Paulo (2022); “StagingResistance”, Foam, Amsterdã (2022); “OneToOne”, MCA Chicago (2019); “Visões do Nordeste”, Museo Jumex, Cidade do México (2017); “O peixe”, New Museum, Nova York (2017).


Participou de importantes bienais, incluindo: 13ª e 10ª Bienal de Sharjah (2017, 2011); 32ª e 29ª Bienal de São Paulo (2016, 2010); 16ª e 12ª Bienal de Istambul (2019, 2011); The Ungovernables – New Museum Triennial, Nova York (2012); 12ª Bienal de Lyon (2013).


Exposições coletivas incluem: “Avant l’orage”, Bourse de Commerce – Pinault Collection, Paris (2023); “Penumbra”, Fondazione In Between Art Film, Veneza (2022); “L’art d’apprendre”, Centre Georges Pompidou-Metz (2022); e “Under theSame Sun”, Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York (2014).


Suas obras fazem parte de coleções como: Centre Georges Pompidou, Paris; Museo Reina Sofía, Madri; Museum of Modern Art, Nova York; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York e Abu Dhabi; e Tate Modern, Londres.


SOBRE NARA ROESLER 

Nara Roesler é uma das principais galerias de arte contemporânea do Brasil, representa artistas brasileiros e latino-americanos influentes da década de 1950, além de importantes artistas estabelecidos e em início de carreira que dialogam com as tendências inauguradas por essas figuras históricas. Fundada em 1989 por Nara Roesler, a galeria fomenta a inovação curatorial consistentemente, sempre mantendo os mais altos padrões de qualidade em suas produções artísticas. Para tanto, desenvolveu um programa de exposições seleto e rigoroso, em estreita colaboração com seus artistas; implantou e manteve o programa Roesler Hotel, uma plataforma de projetos curatoriais; e apoiou seus artistas continuamente, para além do espaço da galeria, trabalhando em parceria com instituições e curadores em exposições externas. A galeria duplicou seu espaço expositivo em São Paulo em 2012 e inaugurou novos espaços no Rio de Janeiro, em 2014, e em Nova York, em 2015, dando continuidade à sua missão de proporcionar a melhor plataforma possível para que seus artistas possam expor seus trabalhos.


Serviço

Exposição “Jonathas de Andrade – Permanência Relâmpago”


Abertura: 2 de setembro de 2025, às 18h

Até: 26 de outubro de 2025


Entrada gratuita


Nara Roesler, São Paulo

Avenida Europa, 655


Segunda a sexta, das 10h às 19h

Sábado, das 11h às 15h

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