

Exposição individual "Arroz com Feijão", de Iván Argote
Exposição
- Nome: Exposição individual "Arroz com Feijão", de Iván Argote
- Abertura: 02 de setembro 2025
- Visitação: até 25 de outubro 2025
Local
- Local: Galeria Vermelho
- Evento Online: Não
- Endereço: Rua Minas Gerais, 350, Higienópolis – São Paulo
Arroz com Feijão
Iván Argote
De 2 de setembro a 25 de outubro, a Vermelho apresenta Arroz com Feijão, a 3ª individual de Iván Argote na galeria.
A mostra reúne trabalhos que abordam alguns dos principais temas de sua pesquisa em torno da crítica às narrativas históricas dominantes e do questionamento das instituições, do poder e dos sistemas de crenças.
A exposição acontece em um momento de destaque na carreira de Argote, que está em cartaz no MASP com a instalação O Outro, Eu e os Outros, que inaugura o Vão Livre do MASP como espaço sob concessão oficial do museu.
Argote participou da 60ª Bienal de Veneza, com uma grande instalação no Giardini della Biennale; foi finalista do Prix Marcel Duchamp em 2022, quando apresentou uma individual no Centre Georges Pompidou; venceu a High Line Plinth Commission e exibe sua escultura monumental Dinosaur em Nova York entre outubro de 2024 e maio de 2026. Atualmente, também está em cartaz na Rudolfinum Gallery, em Praga, com sua maior panorâmica até hoje.
Arroz com feijão, série que dá nome à nova exposição de Iván Argote na Vermelho, desafia as normas dos monumentos ao engrandecer a dupla de grãos que constitui a base da alimentação no Brasil e em grande parte da América Latina. As esculturas são versões ampliadas de grãos de arroz e de feijão, feitas artesanalmente em faiança, e se distribuem horizontalmente pela sala principal da Vermelho, rompendo com a tradicional verticalidade dos monumentos de figuras masculinas heroicas ou de conquistadores.
A obra se fundamenta na ideia de Ternura Radical, conceito que Argote vem desenvolvendo ao longo de sua carreira, onde propõe a construção de outras narrativas possíveis sobre a história, capazes de gerar relações de convivência com o diferente a partir de uma visão compartilhada do passado.
Nesse sentido, Argote presta homenagem à cultura popular que uniu o arroz e o feijão para formar um alimento que não apenas reúne pessoas em torno da mesa, mas que também constitui uma das combinações nutricionais mais ricas - especialmente em proteínas, carboidratos e fibras. A união dos grãos também carrega um potente simbolismo cultural.
Essa combinação tradicional surgiu do encontro de diferentes matrizes culturais. O feijão, cultivado há milênios pelos povos indígenas, já era alimento essencial do Caribe ao extremo sul da América; o arroz, por sua vez, foi introduzido pelos colonizadores europeus e difundido sob a exploração do trabalho de escravizados de origem africana. Gradualmente, o consumo conjunto se espalhou, adaptou-se às particularidades regionais e consolidou-se como referência da dieta latino-americana. Embora o prato reflita desigualdades históricas, ele expressa a criatividade popular diante das adversidades de estruturas persistentes de exclusão que dificultam a ampliação e a democratização do acesso à alimentação.
A ressignificação de narrativas hegemônicas também aparece do lado de fora da galeria, no pátio, recebendo os visitantes. Antipodo-Curupira (2025) é uma monumental escultura em concreto pigmentado de 3 metros de altura que celebra o Curupira, figura do folclore brasileiro que é protetor das florestas e dos animais.
O Curupira pode ser interpretado como uma reelaboração crítica da noção de “antípoda” elaborada pelos colonizadores europeus.
Desde a Antiguidade, a ideia de que os habitantes do hemisfério sul viveriam “invertidos” em relação ao norte foi mobilizada para sustentar uma visão hierarquizante e racializada do mundo, em que a diferença geográfica era convertida em signo de alteridade inferiorizada. Os pés voltados para trás do Curupira ecoam diretamente essa lógica de inversão, mas deslocam seu sentido: em vez de signo de inferioridade, tornam-se estratégia mítica de proteção da floresta: ao caminhar pela mata, o Curupira tem suas pegadas invertidas, fazendo caçadores e exploradores se perderem na mata. Assim, o que na leitura colonial era marca de estranhamento e desumanização, no mito ganha um valor nobre, de astúcia e resistência, apropriando e subvertendo um imaginário imposto para criar uma entidade que inverte não apenas os pés, mas também a hierarquia simbólica entre colonizador e colonizado.
O monumento tem como fundo a fachada da galeria, onde Argote realizou uma imponente pintura mural que combina texto e formas vegetais. Entre imagens de plantas de arroz e feijão, Argote incluiu espécies especulativas – inventadas por ele – e espécies invasoras. Plantas invasoras são espécies não são nativas de um determinado local e que, ao serem introduzidas, se adaptam tão bem que se espalham de forma agressiva. Elas competem por recursos com as plantas nativas, o que pode causar um desequilíbrio no ecossistema.
Em meio a essa vegetação hipotética, Argote escreveu “COM A BOCA”. A frase é fragmentada em duas partes (COM A em cima, e BOCA em baixo), criando uma dupla leitura possível. A primeira (COM A BOCA) refere-se ao alimentar-se, a segunda (COMA BOCA) ao alimentar-se do outro. Na escala da fachada, o texto se torna um lema ou um slogan, onde comer pode ser lido como possibilidade de incorporar e ressignificar o outro.
O mesmo tipo de articulação pictórica pode ser visto no segundo andar da exposição, na série de pinturas em seda Breathings [Respirações]. As frases fazem referência ao existir junto, a fluidos corporais e a canções populares. São frases como “O que flui por dentro”, “Caminhar da tua mão” e “Com a boca de feijão”. Todas estão instaladas sobre uma pintura mural com o mesmo tipo de vegetação da fachada, construindo um horizonte de ideias de afeto, de dilatação do tempo e do conviver.
Para observar esse horizonte, Argote instalou na sala um conjunto de cadeiras coloridas que chamou de Birds [Pássaros]. São cadeiras de balanço que remetem a modelos que podem ser vistos em várias partes do Brasil e da Colômbia, mas aqui são construídas em duplas ou trios. Cada cadeira é ladeada por outra, viradas para lados opostos como namoradeiras. As cadeiras foram feitas para o compartilhar e para ver o tempo passar, para uma pausa conjunta. Embora estejam viradas para lados opostos, as cadeiras permitem ver seu parceiro de balanço, unindo lados opostos no mesmo ritmo, no mesmo tempo, juntos.
Iván Argote é artista visual e diretor de cinema. Em suas esculturas, instalações, intervenções e filmes, Argote utiliza emoção, humor e ternura para questionar nossa relação com o outro. Uma estratégia recorrente em seu trabalho é sugerir leituras críticas das narrativas históricas dominantes e, assim, tentar descentralizá-las. Sua obra questiona nossos relacionamentos íntimos com instituições, poder e sistemas de crenças. Em suas intervenções em monumentos, instalações em grande escala e performances, Argote propõe novos usos simbólicos do espaço público.
Entre suas exposições em instituições internacionais estão: The Guggenheim Museum (New York), Centre Pompidou (Paris), Palais de Tokyo (Paris), Dortmunder Kunstverein (Dortmund), ASU Art Museum (Phoenix), Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami), Colección de Arte del Banco de la República (Bogotá), SPACE (London), 5th Thessaloniki Biennale (Thessaloniki), MuseumsQuartier (Vienna), MUDAC (Lausanne), Moving Museum (Dubai), Museo Carrillo Gil (Mexico City), 30th São Paulo Bienal (São Paulo), Joan Miró Fundación (Barcelona) e MACBA (Barcelona).
Seu trabalho integra coleções permanentes como: The Guggenheim Museum (New York, EUA); MACBA (Barcelona, Espanha); Centre Pompidou (Paris, França); Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami, EUA); ASU Art Museum (Phoenix, EUA); Colección de Arte del Banco de la República (Bogotá, Colômbia) e Kadist (San Francisco, EUA).
SERVIÇO
IVÁN ARGOTE: Arroz com feijão
Abertura: 02 de setembro – das 19h às 22h
Período: De 02 de setembro a 25 de outubro de 2025
Local: Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais, 350 – Higienópolis
01244-010 – São Paulo, SP
De segunda a sexta, das 10h às 19h
Sábados, das 11h às 17h
Tel.: +55 11 3138-1520
galeriavermelho.com.br
Mais informações: gabriel@galeriavermelho.com.br